Esse esplêndido palácio renascentista abriga o Gruuthusemuseum. Ele é anexo à Igreja de Nossa Senhora, e foi construído no século XV, quando Bruges era uma metrópole, e foi nomeado em homenagem a seu residente mais ilustre: Louis de Gruuthuse, um nobre rico, conselheiro dos duques da Borgonha - os governantes de Bruges.
Visitar museus que ficam em antigas residências é sempre incrível porque se pode imaginar com mais detalhes como era a vida das pessoas, seja dos nobres, seja dos trabalhadores. Aqui, além disso, foi possível saber um pouco mais sobre os cinco séculos da história da cidade.
Na primeira sala, uma lareira incrível!
Durante o século XV, Bruges era um centro de arte e cultura. Havia dois motivos para isso: a prosperidade dos habitantes da cidade e o bom gosto de seus governantes.
O estilo refinado em que trabalhavam era conhecido como estilo 'Gótico Internacional'. Surgiu na França, mas artistas do Norte adicionavam lhe um realismo de tirar o fôlego.
Fragmento de um retábulo com representando o nascimento de Cristo, 1500, Antuérpia. Carvalho policromado.
Mapa da região de Zwin - Jan de Hervy, 1501, Bruges, óleo sobre tela
Comerciantes de todo o mundo chegam a Bruges trazendo os mais diversos produtos que coletaram em suas viagens. Do Mar do Norte, navegam até o Zwin, a ligação natural com a cidade. Ali surgiram várias pequenas vilas que funcionam como portos. Grandes navios eram descarregados em barcos menores que seguem para Bruges.
Tecidos eram exportados de Bruges desde o século XI, mas sempre por terra. Em 1277, mercadores genoveses chegam pela primeira vez de navio. Não demorou muito para que uma grande parte do comércio passasse a ser transportada por água. Bruges se tornou um ponto de encontro para mercadores, banqueiros e investidores de toda a Europa.
Os mercadores negociam principalmente artigos de luxo - de âmbar a marfim e de livros de horas iluminados a placas comemorativas de bronze. A cidade faz de tudo para facilitar as atividades dos mercadores: um cais de descarga coberto, um espaçoso Mercado de Tecidos e subsídios para a construção de casas de prestígio.
Para acomodar todas esses viajantes, se desenvolveram muitas estalagens, onde também armazenavam suas mercadorias. Os donos das estalagens atuavam como intermediários entre os comerciantes de Bruges e os mercadores. A família Van der Beurse faz isso com tanto sucesso que dá nome a um novo fenômeno: a 'beurs', que significa bolsa de valores em holandês.
Cartas confirmando os privilégios importantes pelo kontor (bureau) pela Liga Hanseática - uma poderosa aliança de comerciantes alemães à cidade de Bruges, 1501.
Embora Bruges em si não fosse uma cidade hanseática, abrigava um importante escritório hanseático, assim como Londres, Bergen e Novgorod.
O escritório hanseático em Bruges confirma ter recebido da prefeitura um cofre com duas fechaduras, contendo documentos oficiais do Duque da Borgonha que garantem a passagem segura para a cidade de Gdansk. Uma chave ficará com o escritório hanseático e a outra com a cidade de Bruges.
Caixa de pesos destinada a controlar quatro moedas estrangeiras, 1325-1400, França (?). Madeira, cobre, bronze e cordas. Bolsa, escavada atrás do Campanário, 1500-1600. Couro.
Os comerciantes usam jetons - pagamentos extras, gratificações por comparecimento e participação em reuniões de conselhos, para ajudá-los a fazer cálculos rápidos. Eles os colocam em uma tábua de contagem dividida em caixas; o valor do jeton depende da caixa em que ele é colocado.
Qualquer pessoa que pudesse pagar mandava produzir jetons com seu próprio brasão e os dava de presente. Nesta fileira, por exemplo, há um jeton da família Gruuthuse.
Colard de Marcke foi um banqueiro influente na Bruges do século XIV. Seus registros meticulosos oferecem uma visão rara da vida financeira da Bruges medieval. Ele operava dentro de uma rede de mercadores, estalajadeiros e cidades como Ghent e Antuérpia. Seu trabalho destaca o papel de Bruges como centro financeiro e ilustra a ascensão do capitalismo inicial na Europa. Hoje, seus registros são fontes importantes para pesquisas econômicas e históricas.
Esta pequena caixa contém pesos para pesar moedas. No passado, a quantidade de gramas de metal precioso que cada moeda deveria conter era especificada com precisão. Se uma moeda não pesasse o suficiente, poderia ser falsa. Os falsificadores usavam metais ou ligas inferiores, ou cortavam as bordas finas das moedas, o chamado 'corte'.
Arcanjo Miguel e o dragão - L'archange saint Michel et le dragon. 1557, Bruges. Carvalho. São Miguel é uma figura importante na fé católica belga.Estes vitrais vêm de uma capela perdida na Noordzandstraat. Pertencia à guilda de artesãos de pintores, artistas de vitrais e seleiros, e era decorada com as peças mais belas. Os duques da Borgonha também gostavam de usar a capela, principalmente porque sua residência, o Prinsenhof, ficava nas proximidades.
Durante a Idade Média, a religião era fundamental. Para apoiar os fiéis em suas orações, igrejas, capelas e claustros eram repletos de estátuas de santos. Estas às vezes faziam parte de um grande retábulo ou mesa, muitos dos quais se perderam desde então.
O oratório do Palácio Gruuthuse
Grandes mudanças
Os tempos se tornaram sombrios em Bruges no início do século XVII. As guerras religiosas entre católicos e protestantes atingiram duramente a região de Flandres. Para piorar a situação, o canal de Zwin, que dá acesso ao mar, se tornou difícil de navegar. Bruges deixou de ser uma movimentada metrópole comercial.
No entanto, os habitantes não perdem a esperança. Uma nova ligação com o mar foi estabelecida: um canal para Ostende. Os mercadores de Bruges negociam com a Ásia e a América do Sul e introduziram novos produtos exóticos na cidade: café, chá, tabaco, porcelana.
Enquanto isso, um movimento de renovação surgiu no mundo católico: a Contrarreforma. Várias ordens monásticas se estabelecem em Bruges. Elas construíram edifícios impressionantes, que preenchem com obras de arte deslumbrantes. Os livros de encomendas dos artesãos ficaram cheios novamente.
O Handelskom em Bruges ( Bacia do Canal em Bruges) Johannes Beerblock, 1804, Óleo sobre tela
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