Fórum Romano

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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

1˚ano: Brasil Holandês

Nassau e a restauração pernambucana

         "Não era fácil a tarefa de administrar o Brasil holandês. Em Pernambuco não apenas encontraram culturas nativas, mas toda uma sociedade colonial criada pelos portugueses baseada na grande propriedade, na monocultura da cana, no uso da mão-de-obra escrava, indígena e depois africana. Essa relação abrangia também o conflito entre duas diferentes comunidades europeias: os que vieram dos Países Baixos e os lusitanos que haviam povoado a região desde 1534. Além disso, os holandeses trouxeram consigo ingleses, franceses, alemães e escoceses como soldados para não falar da numerosa sociedade judaica de ascendência portuguesa. Esses judeu só não fundaram em Recife a primeira sinagoga das Américas, mas, ao abandonarem o Brasil com o fim do domínio holandês, instalaram-se em Barbados, Curaçao e Nova York. Além disso havia a disparidade entre o precoce crescimento de valores capitalistas nos países Baixos e a persistência de Portugal e colônias em um sistema que combinava a ética econômica do Antigo Regime com uma expansão ultramarina. Para Gilberto Freyre, o contato com os holandeses foi "o primeiro contato com o mundo com a Europa nova, burguesa e industrail que tivera a colônia portuguesa da América." Para Joaquim Nabuco, "os holandeses trouxeram para essa colônia, num tempo em que eles não floresciam aqui, dois grandes princípios modernos de liberdade: de consciência e de comércio."
         Mas Nassau é lembrado, sobretudo, pelo seu patrocínio às artes e ciências. Trouxe consigo, remunerando-os do próprio bolso, Albert Eckhout e Franz Post, que, juntamente com Zacharias Wagner pintaram pela primeira vez, a paisagem brasileira e os tipos humanos que a povoaram. Ele não resistiu, em especial, em seu gosto pela arquitetura, pela jardinagem e pelo planejamento urbano. Nassau viria a perder a ilusão que o governo de uma Companhia de Comércio pudesse reconciliar definitivamente o domínio holandês com os lusos brasileiros, que encaravam invariavelmente suas relações como os neerlandeses sob as lentes de incompatibilidade radical - cultural - resisitindo tenazmente por preservar a fé católica, o sentimento nacional português e a fidelidade monarquica, diante da convivência com os hereges, estrangeiros, gente com costumes devassos e homens sem reis, pois as províncias dos Países Baixos viviam sob regime republicano. 
          Enquanto Recife se especializou administrativa e comercial, em que predominavam o funcionário e o negociante estrangeiro, o campo, palco da atividade agrícola e fabril, tornou-se o local mais sagrado e inviolável da pureza e do casticismo lusitanos. 
          É comum se atribuir à restauração pernambucana uma das primeiras manifestações do nacionalismo brasileiro. Mas isso é um equívoco já que o fato foi, antes de tudo, uma reação de consciência portuguesa dos colonos do Nordeste, reativada pela presença estrangeira dos hereges e pela recente independência do Reino perante Castela. Só a partir da restauração do trono português é que se passou a interpretar o episódio de modo diferente, e assim mesmo não em termos de sentimento nacional, mas loca." 

MELLO, Evaldo Cabral de, Um herege no poder. Revista Nossa História. Ano 1 n. 8, 2004. p. 61-65. Adaptado  in FERREIRA, João Paulo Mesquita Hidalgo. Nova História Integrada. Volume 2. Editora Módulo.

1) Como o historiador Evaldo Cabral de Mello caracteriza a passagem holandesa pelo Brasil, do ponto de vista artistico e social?
2) Os "pintores de Nassau" foram os primeiros, não só no Brasil, mas em todas as colônias americanas, a ousarem temas de caráter não religioso. Com base nas obras de Post e Eckhout no ppt em anexo, responda: quais temas eram retratados por esses artistas?
3) Nassau enviou uma série de presentes para a corte do rei Luís XIV, da França, tentando estabelecer alianças. Entre os presentes estavam pinturas de seus artistas. Elas agradaram tanto que a manufatura Gobelins de tapeçarias, órgão oficial do governo francês para a criação de tapetes de luxo, fez cartões a partir de imagens enviadas do Brasil que seriam reproduzidas até o século XVIII. As duas ilustrações abaixo exemplos da tapeçaria Gobelins feitos entre 1690 e 1730

Descreva-a. Como essa tapeçaria pode ter contribuído para difusão da imagem do bom selvagem e do exotismo do Brasil?
4) (UNESP SP)

“E se a lição foi aprendida
a vitória não será vã.
Neste Brasil holandês,
Tem lugar para o português
e para o Banco de Amsterdam.”
(Chico Buarque e Rui Guerra. Calabar, 1973)
 Baseando-se nos versos da peça de teatro Calabar, responda: 

a)     O que era o “Brasil holandês”?
b)     Por que os autores afirmam que no Brasil havia lugar “para o português e para o Banco de Amsterdam”?

5) Andava o conde de Nassau tão ocupado em fabricar a sua nova cidade, que para estimular os moradores a fazerem casas, ele mesmo, com muita curiosidade, lhe andava fazendo as medi- das, e endireitando as ruas para ficar a povoação mais vistosa.
(Frei Manuel Calado. O valoroso Lucideno e triunfo da liberdade, 1648)
Com base no texto, responda:
a) Quem foi o conde de Nassau?
b) Qual o projeto apresentado no texto? Explique. 

c) Cite duas características do governo de Nassau em Pernambuco. 

Seguem os slides, inclusive com o conteúdo das próximas aulas! 
Não deixem de assistir ao vídeo de excelente qualidade produzido pela tv Brasil em parceria com a Revista de História da Biblioteca Nacional: