Aqui só tem História

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domingo, 17 de julho de 2016

Visita ao Teatro Colón em Buenos Aires

Ao iniciar a pesquisa sobre um possível roteiro a Buenos Aires nas férias de julho, as referências ao Teatro Colón como destino obrigatório começaram a me encantar.
Com as passagens em mãos, ao traçar nosso roteiro, ficou estabelecido que nossa primeira visita seria ao Teatro, no sábado a tarde. 
Assim como acontece com Teatro Municipal de São Paulo, embora tenha nome de Teatro, o Colón é uma casa de ópera, construído aos moldes de grandes casas de ópera europeias no período da belle époque, em 1908. O estilo eclético fascina os observadores com sua opulência e grandiosidade. 
As similaridades com nosso processo histórico também são muitos semelhantes: um oligarquia rica e poderosa- no caso argentino devido à exportação de cereais e ao a atividade portuária da Bacia Platina - precisa remodelar sua capital aos moldes europeus, com largas avenidas, construções fabulosas e, claro, uma casa de ópera. 
O edifício que visitamos é uma remodelação do antigo, construído em 1850. A construção iniciada em 1890, levou 20 anos para ser concluída e é cheia de lendas e mistérios, que deixam a visita e o discurso da guia ainda mais interessante,  como a morte por um ataque súbito do primeiro arquiteto italiano, Francesco Tamburini, responsável pelo projeto, aos 44 anos. O segundo arquiteto, Víctor Meano, sócio de Tamborini e também italiano, foi assassinado pelo amante da esposa, pasme, aos 44 anos. Após todos essas "coincidências" nenhum outro profissional queria vir a Buenos Aires e terminar a obra, mas um belga Jules Durmal finalizou o projeto em 1904, adotando muitos elementos do estilo eclético francês.
A ópera inaugura, em 25 de maio de 1808 foi Aida de Verdi. A acústica era o diferencial e atraia companhias de ópera europeias, chegando a rivalizar com grandes teatros de Milão e Nova Iorque. Como visitamos Buenos Aires nas comemorações do Bicentenário da Independência, não foi possível  tirar fotos da fachada do edifício, que estava sendo preparado para uma  grande ópera a céu aberto que ocorreria em 09/07.

                           
                                    https://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_Colón

A  visita guiada tem duração de 50 minutos, e são minutos muito bem gastos, a cada ambiente a admiração e a expressão: UAU! segue o tour da visita. Os materiais de primeira qualidade como os mármores de diversas tonalidades, todos vindos da Europa, assim como as esculturas e os magníficos vitrais são maravilhosos. 



Obras de arte em mármore italiano

Detalhes do atrio de entrada e da magnífica cúpula com vitral colorido. 

Os vitrais foram realizados pela Casa Gaudin, de Paris, em 1907 e trazem cenas da ópera Homero




Escada de acesso aos camarotes - destaque para as cabeças de leões que a adornam. A palavra para definir esse espaço não poderia ser outra: grandiosidade. 


      
   

No segundo andar fica o salão de recepções, ou Salão Dourado, onde a rica burguesa portenha fazia grandes recepções e acontecimentos sociais. O espaço é uma reprodução do Froyer do ópera de Paris, em dias específicos, essas salas são utilizadas para apresentações musicais de câmara, conferências e exposições. Para esses eventos não são cobrados ingressos. 

Pose para foto ao final da escada. 
Suntuoso teto e muitos detalhes

Lustres e colunas com estruturas neoclássicas e barrocas, adornadas com folhas de ouro

El secreto - escultura em mármore de carrara - Gustav Eberlein


Pescoços erguidos e Clara tenta captar detalhes

Objetos de decoração lindíssimos, todos franceses, os móveis desse espaço são a prova de fogo.

                                                Espelhos tão lindos, como resistir à selfie? 




A sala de espetáculo é impressionante, um aspecto que me chamou muito a atenção foi o fato de poder fotografar todo o ambiente, aqui em São Paulo o Teatro Municipal tem severas restrições sobre o que pode e o que não pode ser fotografado. 
A cúpula da sala tem 318 metros quadrados e a acústica proporcionada pela sala é considerada a quinta melhor do mundo. Característica do período também é o fato de que existem camarotes para ver e para serem vistos. Como assim? Oras, nem sempre o mais caro garantia a melhor vista do placo, mas sim o fato de que a plateia veria a pessoa que estava sentada ali, suas roupas e acessórios e invejaria sua riqueza. 
Na época da inauguração as entradas nos camarotes ficavam restritas à elite portenha enriquecida,  os italianos imigrantes e pobres, acostumados à cultura e apreciadores de óperas, apenas conseguiam comprar ingressos na parte superior do teatro, chamada paraíso, dali pouco podia-se ver, mas a acústica é tão fantástica que tinha-se a impressão de estar no paraíso. 

Com 28 metros de altura e 32 metros de diâmetro, tem capacidade para acomodar 2478 pessoas sentadas e mais 500 em pé, no chamado paraíso. 
O lustre da cúpula central tem 700 lâmpadas e pesa duas toneladas e meia. 

O fosso abaixo do palco comporta uma orquestra com até 120 músicos. 



A cortina do palco pesa em torno de 700 quilos e foi confeccionada em 1936. 
Panorâmica da sala de espetáculo feita pela Clara

Mais uma selfie no espelho do camarote, todo construído em pinho canadense para evitar qualquer tipo de umidade e auxiliar na acústica. A visão do palco é muito boa e achei sensacional a utilização dos espelhos para impedir a visão do camarote vizinho. 

No subsolo há uma exposição de figurinos, cenários e sapatos, infelizmente fechada durante nossa visita. 

Onde: Apesar de ocupar 3 das principais avenidas de Buenos Aires: Cerrito, Viamonte, Tucumán y Libertad, a entrada é feita pela antiga entrada de carruagens, na avenida Tucumán. 
Quando: As visitas guiadas ocorrem diariamente das 9 às 17:00, saem visitas guiadas a cada 15 minutos e todas são realizadas em espanhol. 
Quanto: $250,00 (duzentos e cinquenta pesos argentinos - julho de 2016 - R$ 55,00) - pode ser pago com cartões de crédito Visa e Mastercard
Comentário: Achei bem cara a entrada e visita guiada, levando em conta os valores das atrações históricas aqui no Brasil e o fato de que éramos 3 pagantes - estudantes brasileiros NÃO tem descontos - mas a visita foi linda, a guia muito atenciosa e as explicações ótimas. 


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