Aqui só tem História

Aqui só tem História

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Ypres, Belgica - Hooge Chateâu

Na Primeira Batalha de Ypres, no outono de 1914,  a área de Hooge foi palco de embate entre os exércitos. Na primavera e no outono de 1915, as menções a ele raramente desaparecia dos jornais e, por muito tempo, foi um dos lugares mais temidos pelos soldados britânicos. Aqui, os soldados da Frente Ocidental enfrentaram pela primeira vez os horrores das minas, do gás e dos lança-chamas.

que hoje é esse lago pitoresco, foi uma cratera causada pela explosão devastadora de uma uma mina detonada pelos britânicos em julho de 1915. 

Crateras eram estrategicamente importantes em terrenos relativamente planos. O castelo e a cratera  foram tomados pela pelos britânicos em agosto de 1915. As forças alemãs atacaram o castelo entre maio e  junho e, apesar da explosão da mina, assumiram o controle do castelo e da área. 

Em julho de 1917, Hooge foi retomada pelos britânicos quando conseguiram avançar cerca de um quilômetro e meio. Os alemães retornaram ao local em abril de 1918, mas foram expulsos da área pelos britânicos em setembro. Durante esse período, o castelo foi completamente destruído, assim como toda a vila; diversas crateras grandes, causadas por minas subterrâneas, foram abertas ao longo dos combates de 1917. 



Castelo de Hooge em 1913

A linha de frente das trincheiras avançou e recuou entre 1914 e 1918. O castelo foi bombardeado em 31 de outubro de 1914, matando os oficiais das três divisões britânicas que o utilizavam como quartel-general, as ruínas foram conquistadas diversas vezes por ambos os lados.


Hoje, Hooge é um hotel e memorial. A construção do prédio fica atrás da área onde estavam as trincheiras

Entre 1916 e 1917, ambos os lados usaram concreto na construção de posições fortificadas. O bunker foi construído no inverno de 1915-1916 com blocos de concreto encaixados e ferro. Ele está voltado diretamente para o local do antigo castelo, a 100 metros de distância, cujas ruínas estavam em poder dos alemães na época. 

Em 6 de junho de 1916, o bunker e as trincheiras ao redor foram capturados pelos alemães, que repeliram as tropas britânicas até a Estrada de Menin, a 50 metros de distância. A entrada do bunker, portanto, ficou vulnerável ao fogo britânico e, para protegê-la, os alemães construíram a "varanda" em forma de L que vemos hoje. 


Como a guerra de trincheiras havia se tornado o novo modo de vida, antigos métodos de cerco foram colocados em prática por ambos os lados. Um método para forçar uma brecha era cavar túneis sob a posição inimiga e detonar enormes minas sob suas posições. 


As Companhias de Escavação de Túneis


Apesar dos perigos de trabalhar tão perto da linha de frente, e até mesmo sob ela, muitos trabalhadores se voluntariavam devido ao salário.


A Companhia de Túneis dos Engenheiros Reais foi mobilizada para cavar um túnel de sessenta metros de comprimento, para destruir as trincheiras alemãs. O lençol freático nesta área é muito alto e a argila se expande assim que entra em contato com o ar, por isso os escavadores precisavam ser muito hábeis. 

Sua técnica — conhecida como "chutar argila" ou "trabalhar na cruz" — consistia em um homem sentado com as costas apoiadas em um suporte de madeira (a cruz) e empurrando uma pequena ferramenta afiada como uma navalha, semelhante a uma pá (uma ferramenta de enxerto), na face da argila à sua frente.

Era não apenas rápida e eficiente, mas também silenciosa.

Às 19h do dia 19 de julho de 1915, a mina foi detonada. Com cerca de 2.200 kg, era a maior mina detonada até então durante a guerra e foi um sucesso completo, criando um buraco com cerca de seis metros de profundidade e quase 40 metros de largura. Os britânicos conseguiram expulsar os alemães. 




A operação foi um sucesso. Sem qualquer bombardeio preliminar para alertar os alemães, eles foram pegos totalmente de surpresa.

Os alemães em Hooge, contudo, não deixariam as coisas como estavam. Quando o ataque de retaliação ocorreu em 30 de julho, trouxe consigo uma nova arma: lança-chamas (flammenwerfer).

Lança-chamas alemães durante a Primeira Guerra Mundial na Frente Ocidental, 1917.

Após as 3 da manhã de 30 de julho de 1915, os Stosstruppen alemães, ou "tropas de choque", fizeram uso eficaz do flammenwerfer, com tanques de gás portáteis amarrados às costas e bicos acesos acoplados para cada cilindro. O ataque repentino com a nova arma provou ser extremamente enervante para os britânicos, e sua linha foi imediatamente empurrada para trás.

O lança-chamas era útil apenas para curta distância e era pesado e difícil de operar, o combustível durava apenas cerca de 2 minutos. Os alemães usaram esse armamento em mais de 650 ataques.


Os "rabos de porco" (em inglês, pigtail pickets) eram estacas de aço com a ponta em forma de espiral, amplamente utilizadas na Primeira Guerra Mundial para a instalação rápida e silenciosa de cercas de arame farpado.

Grupos de soldados saíam das trincheiras à noite para à terra de ninguém para posicionar os
"rabos de porco" e, na sequência, passar o arame farpado para formar obstáculos defensivos contra o avanço dos inimigos.






Iron Harvest 


Desde o final da I Guerra, toda a área de Ypres e arredores realiza esforços para remover as munições e ​​fragmentos não detonados, disparadas há mais de um século, que aparecem na superfície ou ainda estão no solo. 



Estima-se que havia 1 tonelada de munição por metro quadrado de território ao longo da Frente Ocidental, e somente na região de Ypres, 300 milhões de projéteis não detonados foram disparados. Nas áreas de grandes batalhas, ainda existem cerca de 300 projéteis por hectare, apenas nos 15 centímetros superficiais do solo, que permanecem não detonados. No ritmo atual de remoção, estima-se que levará de 300 a 700 anos para que toda a munição seja completamente removida

Vista aérea da região de Ypres durante a I Guerra Mundial



Atualmente, 5.916 militares da Commonwealth que serviram na Primeira Guerra Mundial estão sepultados ou são homenageados neste cemitério. Destes, 3.570 são de soldados não identificados. 
Memoriais especiais registram os nomes de milhares de vítimas que se sabe ou acredita-se estarem sepultadas entre eles, ou cujos túmulos em outros cemitérios foram destruídos por bombardeios.

Para acessar a lista de nomes e causas das mortes dos soldados no British cemitery of Hooge, acesse: https://www.cwgc.org/find-records/find-war-dead/search-results/?CemeteryExact=true&Cemetery=HOOGE+CRATER+CEMETERY&v=9c20aa33e7964a7e896a870c85cc0cfa


Para saber mais: