Aqui só tem História

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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Atenas - Dicas para construir o roteiro - o que ver, onde comer...

Em julho de 2019, estivemos em Atenas por 7 dias. Definitivamente, foi a realização de um velho sonho, no entanto, ouso dizer que muito melhor do que eu esperava.

Magnífica vista da Acrópole a partir de Plaka




Todos os sites e blogs aconselham ficar pelo menos 4 dias na cidade, mas sendo eu historiadora e louca dos museus, decidimos ficar a semana toda, ver tudo com calma, além de poder voltar aos lugares que mais gostamos. 

As boas vindas no aeroporto adiantam o que viria: chegamos à terra dos deuses e éramos bem vindos! 
É uma mistura de emoções, Maratona está no horizonte, o Porto Pireus continua movimentado e funcionando, como há dois mil anos, as pessoas se chamam Atena, Artemis, Apolo, Ares...
Não tem como não ser arrebatada por tamanho encantamento... 
Atenas é caótica e assusta à primeira vista, parece São Paulo em seu lado mais desleixado, porém, ao olhar para cima, lá está ela, a magnífica Acrópole. 


Valores: 
Taxi do aeroporto ao centro: 40 euros - durante a madrugada, pagamos 48 euros.

Ficamos hospedados em Plaka, o bairro mais antigo da cidade. Ficamos em um B&B limpinho, super atendeu nossas necessidades e teve ótimo custo benefício. (Athens Studio) https://www.booking.com/hotel/gr/athens-backpackers-and-studios.pt-br.html

Literalmente estávamos aos pés da Acrópole. Ali tudo acontece, bares, restaurantes, vendedores ambulantes... tudo muito lindo e colorido.

Nossa primeira refeição em Atenas - literalmente na Cave os Acropolis - um de nossos restaurantes preferidos, comida boa e preço honesto, voltamos muitas vezes... 


Lembramos de Mama Mia - Apollonia... rsss

É um vício... ímãs de viagem - de 2 a 5 euros

Olhos gregos, como adoro vidro colorido, trouxe muitos! 

Azeitonas de todas as cores

Plaka logo cedinho, antes do calor e dos milhares de turistas... 

O bairro é muito boêmio e o povo ateniense é muito acolhedor, além de gostar de conversar. Como ficamos vários dias,  fizemos o que mais gostamos, elegemos nossos restaurantes preferidos, sorveterias, iogurterias. Provamos, conversamos, vimos, nos encantamos...  
Entramos em muitas lojas, conversamos com vendedores, achamos igrejas escondidas, assistimos missas, sentamos nas praças e vimos a vida passar... 


Monastiraki: 

O grego é honesto e trata os turistas muito bem, em geral, não há enganações ou pegadinhas. 
Logo próximo a Monastiraki, há inúmeras opções de lojas que vendem condimentos, vinhos, azeites de Creta - que dizem ser o melhor (entre 5 e 8 euros). Claro que há também os ultra caros, mas não é nosso caso... 
Apenas cuidado com bolsas e carteiras nessa área, não dê sopa para o azar... 
Nessa região fiz duas aquisições que valeram muito a pena: sabonetes de azeite de oliva e creme labial a base de mel, baratinhos e excelentes, além de super cheirosos. 

Resultados da pesquisa

Resultados da Web

Delícias Gregas: 



A comida grega é linda e saborosa. Muito bem temperada e, em comparação a outros países da Europa, barata. Nossos pratos preferidos foram: 

                              
Restaurante Vyzantino - bem no coração de Plaka - delicioso! Foi nosso preferido! 

Stuffed Tomate: tomates recheados com um risoto temperado com especiarias. De lamber os beiços de tão bom! 
Preço: de 5 a 7 euros. 

Salada Grega: linda, fresca e deliciosa. Tomates, pepinos, cebola roxa, pimentão verde e queijo feta (intenso e muito saboroso). 
Preço: de 5 a 7 euros. 

                             Deliciosa salada grega - perfeita para uma noite quente de verão

Giros: Carne tipo churrasco grego, com pita bread, molho de iogurte e salada.
Preço: de 8 a 12 euros. 


                                      
                                      
                                   

Kebab: geralmente acompanhado de salada e pita bread. Muito saboroso, embora tenhamos comido alguns com forte gosto de tempero de canela, ai não apeteceu. 
Preço: de 5 a 7 euros. 

                         

Moussaka: Um tipo de lazanha de beringela - preferido da Ana Clara em toda a viagem, mas não por mim, mesmo eu sendo muito fã de beringela... 
Preço: 7 euros. 

                           

Frutos do Mar: 
Porções de lula frita: 6 euros.

Lula recheada com queijo Feta - 10 euros

                                      
Uau define! Essa eu comi em Skopelos, mas se encontrar em Atenas, não hesite em pedir, dos deuses! 

Polvo: a partir de 12 euros. 

                     
Porção de peixinhos fritos: parecem o nosso lambari e são tão saborosos quanto! Uma delícia para o Happy Hour Time! 
Preço: 9 euros.

Peixes são bem caros, apesar de vermos lindos combinados passando, a conversão do nosso desvalorizado real nos impediu de pedir. 

                       

Há opções de carne de porco ou cordeiro com arroz e fritas, nada muito saboroso ou espantoso... 
Preço: de 8 a 12 euros.

                                         
Iogurte com morango e mel  - 8 euros - o iogurte, por ser feito a partir do leite de cabra, apresenta uma consistência bem diferente do que comemos aqui no Brasil. Eu gostei! 

                             
Cerveja e vinho da casa, combinação perfeita para o fim de tarde. 

Nossa viagem se organização atendendo aos anseios da historiadora e ainda garantindo a alegria do marido e da filha ;)
7 dias em Atenas - 2 bate volta - Templo de Poseidon e Nafplio (com Micenas e Corinto) no Peloponeso.
2 dias em Metora;
2 dias em Delfos;
5 dias na ilha de Skopelos
1 dia na ilha de Skiatos. 


Para ler sobre: 

Visita à Acrópole e Museu da Acrópole: 

http://aquisotemhistoria.blogspot.com/2019/09/visita-acropole-de-atenas.html

Visita ao Templo de Zeus Olímpico: 

http://aquisotemhistoria.blogspot.com/2019/08/atenas-o-templo-de-zeus-olimpieion.html

Bate volta a partir de Atenas - Templo de Poseidon: 

http://aquisotemhistoria.blogspot.com/2019/08/o-templo-de-poseidon-cabo-sounio.html



domingo, 29 de março de 2020

A Peste Negra

Rotas comerciais, batalhas e doenças...


Note que a peste negra segue o caminho das rotas comerciais da Baixa Idade Média: 


              (...) chamada peste bubônica, pois se caracteriza pela presença de gânglios linfáticos inchados e doloridos (bubões) na virilha e nas axilas, existia de modo endêmico na Ásia Central e na China. Tanto que o Ocidente foi poupado por muito tempo. Até o dia funesto de 1346, quando os tártaros da Horda Dourada decidiram sitiar o porto de Caffa, entreposto comercial genovês na Crimeia, às margens do Mar Negro. O bacilo da peste (ou bacilo de Yersin), transmitido pelas pulgas dos ratos negros que acompanhavam as tropas mongóis, logo infectou tanto os sitiantes quanto os sitiados, pois os sitiantes, já doentes, acharam lógico compartilhar seu mal com os sitiados e catapultar os cadáveres por cima dos muros para infectar a cidade. Seja como for, os tártaros acabaram inventando a primeira guerra biológica! Vamos nos abster de lhes dar os parabéns.

Representação da Horda de Ouro
https://farbitis.ru/pt/historical-geography-of-russia/who-broke-the-golden-horde-story-what-is-the-golden-horde/

         Contudo, essa guerra longínqua se alastrou. Um navio de comerciantes genoveses conseguiu escapar antes que o cerco terminasse... Os negócios eram prioridade para os genoveses, que foram logo transportando o carregamento para seus clientes. Para isso, fizeram uma escala em Messina, em setembro de 1347. Depois Gênova e, por fim, Marselha, em dezembro do mesmo ano. E, a cada parada, a peste negra se alastrou no ritmo da descarga das mercadorias, assim como os ratos que a acompanhavam. Uma espécie de epidemia experimental bastante involuntária. 
       Era possível, portanto, seguir a peste conforme se seguem os ratos. Um pequeno detalhe da história: a ratazana asiática transmissora da peste tomou rapidamente o lugar do ratinho europeu. Tanto que, em Marselha, no ano de 1347, não havia mais gatos para atacar os ratos mongóis! 
          O leitor que ficou intrigado com esse relato, pode, com toda a razão, se perguntar por que os gatos europeus ficaram apavorados diante dessa nova espécie de 'ameaça amarela'. Porque esse não é o caso: a história é ainda mais terrível. De modo geral, a Idade Média não foi uma boa época para os gatos da Europa. Eles, de fato, tinham a má reputação de, entre outras coisas, serem animais maléficos, detentores de poderes assustadores. Uma bula papal de 1233 chegara a especificar que os gatos pretos eram servos do diabo. Até se corria o risco de ser acusado de feitiçaria pelo simples fato de ter um... A Inquisição logo se encarregaria de combater todas as formas de bruxaria e satanismo, o que incluía naturalmente a erradicação dos gatos. Tanto que os pobres bichanos desapareceram das cidades e dos portos, deixando o terreno livre para os ratos, sua presa ancestral.

Observe o mapa que apresenta o ano da chegada da peste a cada importante porto comercial da Europa:



          Por ironia da história, quando o papa Inocêncio VII exigiu que a erradicação dos gatos se intensificasse - o que custaria a vida de milhões de animais -, foi a vez da devota cidade de Avignon, então cidade papal, ser atacada pela doença. É bem possível que a presença de gatos tivesse freado a propagação da epidemia, que acabou causando devastação por toda a Europa. Estima-se que, em cinco anos, a peste negra fez 25 milhões de vítimas, ou seja, de 30 a 50% da população ocidental! 

Revista História Viva - Edição 18

             A moral da história, como diria La Fontaine, por motivos diferentes, mas intimamente ligados, é que não era nada bom ser homem ou gato em Marselha naquela época.

Referência: 

FABIANI, Jean-Nöel. A Fabulosa História do Hospital, da Idade Média aos dias de hoje. Porto Alegre: L&PM, 2019. p. 22 a 24

Vale a Pena Ler: 


A fabulosa história do hospital: Da Idade Média aos dias de hoje ...

https://www.amazon.com.br/fabulosa-hist%C3%B3ria-hospital-Idade-M%C3%A9dia/dp/8525438383 Acesso em 28 mar 2020. 

Jean-Nöel Fabiani, cirurgião e professor de história da medicina conta a história do hospital e, consequentemente, da medicina. A linguagem fácil e atrativa cativa o leitor e instiga a curiosidade sobre essa fascinante aventura: a análise do corpo humano e arte de curar!


Os gatos na Idade Média: 

A lei medieval era implacável com os gatos, principalmente no século XIII, nos pontificados de Inocêncio VII e Gregorio IX, exatamente no momento em que poderiam ter sido decisivos no combate à temível Peste Negra, foram ferozmente caçados pela Inquisição sob acusação de representarem a própria personificação do diabo.





sábado, 28 de setembro de 2019

Visita a Acrópole de Atenas

"A nossa cidade, de acordo com a vontade de Zeus e com o pensamento dos bem-aventurados deuses imortais, nunca será destruída, porque a protetora tão generosa, filha do poderoso deus, a Atena Palas, tem as suas mãos postas sobre ela". 
Sólon
Reconstituição da provável aparência do Partenon em seu esplendor, século V a. C.
DROSOU-PANAGHHIÓTOU, Niki. Atenas. Os monumentos com reproduções.
As origens de Atenas históricas de Atenas encontram-se envoltas a mitos e tradições, chegar à terra dos deuses e perceber a genialidade dos homens que construíram esses monumentos tão esplêndidos! 

Acrópole vista do bairro de Plaka
As escavações arqueológicas mostram que a Acrópole já era ocupada na Idade do Cobre, por volta de 4.000 a.C.
Os primeiros vestígios de muralhas, datam o período micênico, por volta do século XIII a. C., elas protegiam toda a volta do rochedo sagrado e o palácio do rei. Nesse momento histórico, a Ática dividia-se em 12 pequenas cidades, com destaque para Cecrópia (Atenas), Elêusis e Maratona. 
Quando o culto a Atena foi adotado, a cidade, em sua homenagem, adotou o nome clássico. 
São importantes reis míticos desse período: Cércope, Pandión, Erecteu, Egeu e Teseu. O palácio ocupava o local onde hoje está o Erection. Acredita-se que alguns reis tenham sido ali enterrados. 
Teseu é considerado o principal fundador de Atenas. A ele deve-se o fim do tributo de sangue pago a Creta (leia mais sobre o mito: http://aquisotemhistoria.blogspot.com/2019/08/o-templo-de-poseidon-cabo-sounio.html). Além disso, entre seus grandes feitos está a união das cidades da Ática sob liderança de Atenas, comemoradas nas Panateneias. 



Após a era dos reis, por volta do século VIII a. C., a Acrópole tornou-se um local de cultos a deusa Atena. No século VI a. C. templos monumentais foram construídos, ostentando a enorme riqueza da cidade. 


O primeiro grande assalto e posterior destruição a Acróple ocorreu em 480 a. C. com o ataque persa. 
Péricles, o grande governante, comandou a reconstrução, que se estendeu até 447 a. C., momento em que a Acrópole adquiriu a maioria das características que possui até hoje, com o magnífico portão de entrada, o Propylaia, o Templo de Atena Nike e o Erecteion, convertendo-se em centro espiritual e artístico do mundo antigo. 


A partir da difusão do cristianismo,  o culto aos deuses antigos entraram em declínio. A partir do século V da nossa era, a Acrópole e seus templos passaram a servir como templos cristãos, dedicados a Virgem Maria (Panaya). No entanto, essa reconfiguração possibilitou a preservação dos templos antigos. 
Da Idade Média à Contemporaneidade, a história da Grécia confunde-se com ocupações e expansões: entre os séculos XIII ao XV, a Acrópole foi transformada em fortaleza e trocou de mãos muitas vezes: francos, catalães, venezianos, florentinos. 
Já sob o comando dos turcos, séculos XV ao XIX (1458-1833), a região tornou-se quartel general do alto comando turco e área residencial para as famílias turcas. 
A partir da libertação e da formação da Grécia moderna, a área tonou-se sítio arqueológico. No entanto, os séculos de ocupação inadequada, terremotos, incêndios e bombardeios causaram enormes danos estruturais. 
Apenas em 1975, foi criado o Comitê de Conservação dos Monumentos da Acrópole (ESMA) que trabalha incansavelmente para que as restaurações continuem. 

Acrópole ao longo do Tempo - Reconstituições - Museu da Acrópole

       
Acrópole por volta de 1200 a.C.
Muralhas fortificadas, portão, bastião, cavernas, nascentes
Nos primórdios da ocupação humana na região, a Acrópole era o local ideal para os primeiros assentamentos. A extensão nivelada do cume, as subidas acentuadas, as nascentes e cavernas ofereciam segurança e as necessidades essenciais para garantir a sobrevivência no período.
Durante o período Neolítico até o final da Era do Bronze, conhecido como Período Micênico, a Ática era constituída por pequenos principados que, por sua vez, eram formados de pequenos vilarejos. O mais forte e organizado desenvolveu-se ao redor da Acrópole. O rei exercia papel religioso e político. 



Acrópolis por volta de 480 a.C


Acrópole por volta do século V a.C.



Enfim, a Acrópole



A Coruja, símbolo de Atena


Museu da Acrópole

A coruja, pássaro noturno, com excelente visão, fazia ninhos nos rochedos da Acrópole, por isso é considerado o pássaro sagrado da pólis, emblema da cidade,  símbolo da deusa  e associado à sabedoria. A partir do século VI a. C. era impresso em um dos lados dos dracmas atenienses.

Chegada à Acrópole

Teatro de Dionísio

Dionísio, deus da vegetação, vinho, embriaguez e dança, era muito popular na Grécia Antiga. Seu símbolo era um bastão (tirso), envolto em ramos e folhas de hera. Cântaros, copos de vinho e máscaras teatrais. Seus companheiros eram Maenads. Sátiros e Sileni. 
O santuário mais importante de Dionísio localiza-se ao sul da Acrópole, onde os cidadãos comemoravam os festivais dionísicos, chamados As Grandes Dionísias, que ocorriam no início da primavera. 
Os cultos atenienses a Dionísio gradualmente  deram origem ao drama, que se transformaram em competições. O Teatro de Dionísio localiza-se logo abaixo do Santuário. 


Monumento aos poetas dramáticos - Parados Oriental

Teatro de Dionísio - construído no final do século IV a. C. Sofreu muitas modificações ao longo do tempo, principalmente durante o período romano. 

Vista do Teatro de Dionísio a partir da Acrópole
Máscaras teatrais, provavelmente do Teatro de Dionísio - Museu da Acrópole - Século II a. C.
Apenas homens podiam atuar. As máscaras tinham dupla função: impediam que o ator fosse reconhecido e possibilitava aos que estivessem mais distante do palco acompanhassem as emoções encenadas, além disso, um mesmo ator poderia interpretar diferentes papeis. 

Jovem Dionísio com máscara teatral e Papposilenos, velho de Silen, que foi seu tutor, em seus ombros. Museu da Acrópole - Século II a. C. As características facial são do filósofo Socrates. 

Odeon de Herodes

Terceiro e mais impressionante dos teatros de Atenas. Construído aos moldes romanos, data o século II a.C. (cerca de 161 a. C). Semicircular, sua fachada é formada por aberturas arqueadas. As escadas e entradas eram decoradas com mosaicos. 



                                           





A entrada do santuário

Propielus ou Propylaia, encontra-se no lado ocidental da Acrópole. Suas colunas dóricas formam os portões de acesso ao rochedo sagrado. São 6 colunas no lado ocidental e duas filas de colunas jônicas que conduzem à maior das cinco portas. O teto era apoiado pelas vigas de mármore. 
Para os gregos, propileu, no singular, significava uma sala para receber hóspedes, enquanto no plural,  propileus, como é o caso aqui, para designar uma entrada monumental, com mais de uma porta. 

Reconstituição da provável aparência do Propylaia, século V a. C.
DROSOU-PANAGHHIÓTOU, Niki. Atenas. Os monumentos com reproduções.

Chegada ao alto da Acrópole





Desde o período micênico, a Acrópole tinha sua entrada guardada por uma torre. Quando, sob o governo de Pisístrato, o local foi declarado oficialmente um local de culto, ali se construiu o primeiro propileu, que acabou destruído pela invasão persa, em 480 a. C. 
Péricles ordenou a reconstrução do propileus. O arquiteto Mnésicles foi o responsável pela incrível obra, que se estendeu, de 437 a. C. a 432 a. C. Com a Guerra do Peloponeso, a obra não foi finalizada. 
O acesso aos propileus dava-se por uma rampa de 80 metros de comprimento e 20 metros de largura, facilitando a entrada de homens e animais de carga, que transportavam materiais ou mesmo bois e carneiros destinados aos sacrifícios aos deuses. 
A escada monumental foi construída na época romana, século II a. C.
Assim como toda a Acrópole, os propileus sofreram com as sucessivas ocupações:
- Os bizantinos o converteram em sede episcopal, 
- Os francos em local de serviços administrativos, 
- Os florentinos, como residência, construindo uma torre meridional que acabou demolida no século XIX, 
- Os turcos, por sua vez, utilizaram os propileus como depósito de pólvora e selaram seu destino, quando em 1645, um raio provocou uma enorme explosão e destruição desse imponente edifício. 



Entrada pelo Propylaia

O Partenon

No ponto mais alto e notável do rochedo sagrado ergue-se o impressionante Partenon. Fruto do trabalho de gerações de artistas e arquitetos trabalharam para realizar a mais impressionante obra em honra a deusa Atena. A palavra Partenon significa câmara da deus Atena Parthenos. 
O templo antigo foi destruído pelos persas em 480 a. C. O atual utilizou as bases do antigo, e teve Fídias como criador das decorações. Em 438 a. C. os atenienses, durante as Panateneias, viram o magnífico resultado final pela primeira vez.



Reconstituição da provável aparência do Partenon em seu esplendor, século V a. C.
DROSOU-PANAGHHIÓTOU, Niki. Atenas. Os monumentos com reproduções.


A estrutura é toda de mármore em estilo dórico, com 69 metros de comprimento e 30 metros de largura. São 46 colunas no total. O telhado era de madeira com telhas de mármore. No Museu da Acrópole pode-se ver toda a extensão das obras restantes dos frisos e frontões.




                                          
Acrópole - vista da cidade e templos

Os frisos do Partenon - Museu da Acrópole

Reconstituição do frontão oeste






Frontão Leste - o nascimento de Atena na presença dos deuses do Olimpo, a partir de um desenho de um viajante do século II d. C., Pausanias. No centro da cena, Zeus e Atena (figuras que sobreviveram parcialmente). Outros deuses estão dispostos tanto na direita quanto na esquerda fazendo com que o frontão adquira formato triangular. A carruagem do deus Helio e Selene completa a composição nas duas extremidades. 
Acredita-se que a perda das figuras centrais esteja relacionada a ocupação do edifício pela Igreja Católica, a partir do século VI d. C. 

As Panateneias

The Acropolis Museum Guide
Authors: Dimitrios Pandermalis, Stamatia Eleftheratou, Christina Vlassopoulou

As Panateneias celebravam o aniversário da deusa Atena. Os cidadãos subiam o rochedo sagrado em grandes procissões para oferecer sacrifícios e oferendas à deusa. 

O Erectéion

Construído sobre as ruínas de um antigo templo dedicado a deusa Atena Polias, destruído pelos gregos em 480 a. C, este era o mais sagrado local de adoração da pólis de Atenas. De estilo jônio, esse incrível templo era dedicado a muitos deuses. Nesse local adoravam-se a Mãe Terra, Hefestos, Atena e Poseidon.
Aqui, vários reis antigos foram enterrados, como Erecteu (a quem o edifício homenageia em seu nome), Cécrope (representado como uma serpente na parte inferior do corpo). Acreditava-se que aqui habitava a serpente guardiã. 
No interior do templo ficava a estátua da deusa Atena, feita de madeira de oliveira, a árvore sagrada. Os atenienses acreditavam que a estátua não havia sido talhada por mãos humanas, mas sim, enviada do Olimpo para honrar a cidade. Nas festas Panateneias, essa estátua saia em procissão coberta por um véu, tecido pelas jovens aréfonas (meninas de 7 a 11 anos, de famílias nobres que viviam na Acrópole e eram dedicadas a deusa Atena Polias). Em frente a deusa, o fogo sagrado ardia





Possui dois pórticos, o noroeste e o sul. O teto é apoiado pelas estátuas das seis Cariátides. O nome provém da época romana, fazendo menção a beleza das mulheres de Cárias, na região da Lacônia. As seis estátuas, ricamente vestidas com túnicas plissadas e penteadas, olham, imponentes, para o Partenon, em suas cabeças, um cesto, em cima do qual se apoia o telhado. Cada uma possui características próprias, apesar de parecerem idênticas ao observador distante. Os braços não sobreviveram ao tempo. As estátuas originais estão no Museu da Acrópole. 
No século XIX, o embaixador britânico em Constantinopla, lord Elgin, recebeu permissão do sultão para estudar, desenhar e se necessário, remover peças de arte da Acrópole. Dessa forma, empregou trabalhadores locais e removeu a Cariátide e partes do friso do Partenon (Mármores de Elgin) levando-os para Londres. Hoje, encontra-se no British Museum. 
Desde então, os gregos exigem sua devolução. Segundo a tradição, a noite, é possível ouvir suas irmãs chorando de saudade. O Museu da Acrópole deixou o espaço a ela reservado vazio, aguardando a devolução. 



Reconstituição da provável aparência do Erecteion, século V a. C.
DROSOU-PANAGHHIÓTOU, Niki. Atenas. Os monumentos com reproduções.

Atena é a deusa protetora da cidade, adorada no Erecteion. Acredita-se que a estátua de madeira de oliveira sagrada se assemelhava-se as pequenas representações acima. Museu da Acrópole. 



Portico das Cariátides, detalhe. 


Muitos estudiosos levantaram possibilidades sobre o significado das Cariátides, a mais aceita seria a função de guardiãs da tumba do rei mítico, Kekropeion, que se localizaria logo abaixo do edifício. Elas seriam sacerdotisas que ofereceriam libações ao rei morto, usando o philai, uma espécie de véu, que carregariam em suas mãos. 

Erectéion - vistas laterais



As Cariátides no Museu da Acrópole

Para proteger as esculturas da poluição e da chuva ácida, em 1979, as Cariátides foram removidas da Acrópole. O processo de restauro foi lento. Cada uma das estátuas demorou cerca de sete meses para ser restaurada. O processo terminou apenas em 2014. 


Note o espaço aberto para a sexta Cariátide. Os gregos esperam sua volta para casa. 









A Acrópole a noite - vista de Plaka

Embora esteja no fim da postagem, essas imagens da Acrópole a noite, foram minha primeira visão desse local incrível! 


Souvenirs de Atenas, a Acrópole para levar! 

Para saber mais:
Museu da Acrópole: https://www.theacropolismuseum.gr/en

Referências bibliográficas:
DROSOU-PANAGHHIÓTOU, Niki. Atenas. Os monumentos com reproduções.
The Acropolis Museum Guide. Authors: Dimitrios Pandermalis, Stamatia Eleftheratou, Christina Vlassopoulou