Aqui só tem História

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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Igreja de Saint -Leu e Saint Gilles em Les Halles - Paris

           Durante a semana que estivemos em Paris, em julho de 2018, nosso bairro foi Les Halles, no 2˚Arrendamento. 
Todos os dias, ao começarmos nossa maratona de visita a essa cidade tão linda e especial, passávamos pela igreja de Saint Gilles, na rua Saint Denis. Todos os dias ela estava fechada. 
Vários fatores  nos chamaram a atenção em relação a essa construção: 
- a arquitetura é claramente gótica, 
- A vizinhança se apossou da igreja, outras construções praticamente engoliram o edifício, que ficou espremido e com pouco destaque. 
- Dois sex shops, um na frente e outro na lateral. 
Pensamos que talvez a igreja não estivesse mais em funcionamento... mas eis que, em nosso último dia, ela estava aberta! E que emoção foi poder visitá-la! 

A igreja sofreu muito com o desaparecimento do mercado das Halles e as transformações pelas quais o bairro passou desde então, tornando-se apenas ponto de passagem entre o Forum des Halles e o Centro Georges Pompidou. 


A Rua Saint Denis era percurso de peregrinações que levavam até a abadia medieval do mesmo nome. 

                 Na Abadia de Saint Denis encontra-se o sepulcro de São Denis, um bispo de Paris e de todos os reis franceses. Ali também os reis eram coroados. Após a coroação, o novo monarca voltava à cidade, seguido pelo cortejo real, pela mesma via.
  



Saint Gilles foi um eremita que viveu no século VII, muito popular na região da Provance. Sua festa é celebrada em 1 de setembro. 
Saint Leu foi bispo de Sens e também é celebrado em 1 de setembro, ambos dividem a consagração dessa igreja, cuja construção iniciou-se em 1235. Essa estrutura sofreu transformações frequentes, no século XIV, deixando as vigas aparentes. 
Em 1611, cria-se o coro atual.







                                            


Em 1727 são reabilitados os corredores laterais, com a criação das abóbadas de gesso para as quatro primeiras traves, segundo o modelo das traves mais antigas, em pedra. 


As capelas laterais são do século XIX


Desde 1820, a igreja de Saint Leu é a igreja capitular dos Cavaleiros do Santo Sepulcro, que ali se encontram para assembleias e orações pela Terra Santa. Esses cavaleiros trouxeram as relíquias de Santa Helena para à igreja, hoje elas se encontram em um relicário, na cripta. 
Às sextas-feiras, os cristãos ortodoxos ainda se reúnem para a veneração dessa relíquia. 


Informações em livre tradução do material informativo oferecido pela igreja Saint-Leu e Saint Gilles

Para Saber mais: https://www.saintleuparis.catholique.fr/?oaq%5Bpassed%5D=1&oaq%5Border%5D=latest




quarta-feira, 22 de agosto de 2018

A Pré-História: dica de Leitura

A Pré-História Passo a Passo 


Apresentar aos alunos de 10 ou 11 anos o mais longo período da História Humana é incrível! Eles se encantam com novas descobertas e ficam extremamente curiosos em relação ao processo evolutivo. O material que indico a seguir é uma ferramenta a mais nesse processo de encantamento e desenvolvimento de ótimas e significativas aulas, seja como material de apoio ao professor, seja como material adotado como paradidático. 



A coleção Passo a Passo da editora ClaroEnigma é uma lindeza! 
O tipo de material que complementa, e muito, o conteúdo apresentado para os alunos em sala de aula, permitindo o aprofundamento de conceitos como arqueologia, geologia, estratigrafia, glaciação, fósseis, Darwin... 






Apresenta o processo de hominização de maneira lúdica, discutindo as teorias científicas e mitológicas, apresentando curiosidades que enriquecem o repertório, despertam ainda mais a curiosidade e o interesse pelo conteúdo. 


A evolução da fabricação de instrumentos de pedras, o desenvolvimento da linguagem, da vida em comunidade são outros temas abordados. 




A descoberta do Homem das Flores, em 2003, na Indonésia, é apresentada como responsável por "bagunçar"a árvore genealógica dos Homos. A partir dessas informações, é possível abordar questões sobre a mutabilidade do conhecimento histórico, além da importância do trabalho de arqueólogos e das fontes materiais. 



A Pré-História Passo a Passo 

Colette Swinnen 
Ilustração: Loic Méhée
Tradução: Hildegard Feist
Editora: ClaroEnigma



sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Monteriggioni - Toscana: Como é participar de uma festa medieval?

Ano passado, em nossa viagem a Portugal, tivemos a oportunidade de visitar Tomar e vivenciar nossa primeira festa medieval. Na verdade, parecia mais uma grande feira, com algumas partes temáticas. Achamos que todas eram assim... nos enganamos! 

Sabíamos da Festa Medieval de Monteriggioni por meio do site Passeios na Toscana, que trouxe toda a programação e principais atrativos: https://passeiosnatoscana.com/2018/04/23/as-festas-medievais-na-toscana-em-2018/


Monteriggioni vista da pista
Após um dia memorável, passando por Volterra, lindos campos de girassóis, San Gimignano, no final da tarde chegamos a Monteriggioni, uma cidadela medieval, do século XIII, no alto de uma colina, bem próxima a Siena. 

Monteriggioni nasce na Via Francigena, uma antiga rota de peregrinação que se inicia na Grã-Bretanha e atravessa a Itália, ligando as cidades de São Thiago de Compostela, Roma, Constantinopla e Jerusalém por rotas e itinerários que convergiam para hospitais/hospedarias, em geral, construções religiosas, mas também seguia por trechos das antigas vias do período romano.

Direção de peregrinação Via Francigena

Graças a descrição da peregrinação de um arcebispo, Sigeric, in 994 d. C., de Canterbury até Roma foi possível reconstituir a rota percorrida com precisão. No percurso entre San Gimigniano e Siena, ela atravessa o território de Monteriggioni, onde um dos mais antigos locais de descanso para peregrinos mantém-se conservado, a Abbadia Isola. 

Há necessidade de pagamento para adentrar os muros e participar das festividades, 11 euros por adulto, menores de 18 anos pagam 9 euros. 


Vale dizer que foi um pagamento muito bem investido, diferente da festa de Portugal, que acontecia em praça pública e tinha apenas as pessoas que trabalhavam no evento caracterizadas, aqui a impressão era de ter voltado no tempo. 
Toda a cidade estava caracterizada, foi necessário fazer câmbio e trocar nossos euros por moedas que simulavam moedas ali utilizadas na Idade Média




Anuncio do casamento que uniria duas famílias importantes


Praça central de Montriggioni, a igreja, o poço e demais espaços de convivência


                
Chegada das famílias para a cerimônia, demonstrando sua riqueza e importância ao serem anunciada por seus músicos


E na praça, o casamento começa. 
As famílias exibem suas riquezas em lindos trajes, o dote da noiva é lido em praça pública e há música, muita música! 







O Castelo de Monteriggione

No ano de 1213, segundo registros, no mês de março, na época do senhor Guelfo di Ermano di Paganello da Porcari, podestà de Siena, as obras do castelo se iniciaram. Os custos para o levantamento das muralhas foram pagos por Siena e serviriam como uma poderosa estrutura defensiva contra a expansão de Florença nessa região estratégica da Via Francigena. 
Devida a sua função defensiva, a história de Monteriggioni é marcada por histórias de batalhas e confrontos com a rival, Florença, que por muitas vezes tentou destruir a muralha defensiva e a aldeia no interior. 
Monteriggioni, uma fortaleza inconquistável e inquestionável, caiu apenas no século XV, em 1533, golpeada por tropas ligadas aos fiorentinos, que atacaram e bombardearam o castelo até a rendição. 
As muralhas do castelo tornaram-se espaço de convivência, com muitas mesas e uma vista magnífica!



                    
Música, muita música, seria o rock'n roll da Idade Média? 


Escudos, armas, ferramentas, a tenda do ferreiro


Porta de saída pela parte de trás da cidade. O por do sol aqui entrou para minha lista de lugares mais espetaculares visitados. 





Artistas de rua simulam as apresentações de Saltimbancos, simpatia e equilíbrio



Comidas típicas da Toscana, consumidas desde a Idade Média. Deliciosas! 

Vinho frutado e cerveja que segundo diziam, seguia a receita dos frades medievais. 



Essa artesã é espetacular, ela costura livros e cadernos como se fazia na Idade Média, um trabalho primoroso e demorado. 


Pergaminhos, manuscritos, penas e tintas 

Tear manual para minhas aulas de Revolução Industrial, meus alunos não conseguem visualizar o que é um tear, portanto, essa foto é para eles. 





Toda a cidade envolvida na festividade

Bruxas e espíritos malignos não poderiam faltar onde existe o imaginário medieval

Simpatia e gentileza do povo de Monteriggioni para receber bem os visitantes



Dante, em seu período de exílio, morou em Monteriggioni
Encontrá-lo e ouvi-lo declamar seus versos foi inesquecível! 



Jogos e brincadeiras 

Me superei nessa, com pena do pobre ratinho, que tinha que ficar correndo aos berros de crianças enlouquecidas, superei meu asco e o acariciei! :O



                                       





Arrivederci, bellissima città. Torneremo presto! 


Para saber mais sobre a festa de Monteriggioni: http://www.monteriggionimedievale.com/

Vale destacar: As informações históricas apresentadas foram traduzidas por mim sem qualquer rigor científico, apenas utilizando as informações dos pontos da cidade, fornecidos pelo Musei Senesi. 


Para saber mais sobre a festa de Monteriggioni:

http://www.monteriggionimedievale.com/