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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Cemitério militar alemão em Langemark, Ypres, Bélgica

Na primavera 1914, as tropas alemãs conseguiram avançar em meio a combates sangrentos até a região de Flandres. A retirada dos alemães na região do Marne, na França, entre outubro e novembro de 1914, fez o front se estender até o Mar do Norte. 


De outubro a novembro de 1914, ocorreu a chamada Primeira Batalha de Ypres. Um ataque alemão particularmente custoso aconteceu em 10 de novembro, perto da vila de Langemark e pôs fim à guerra de movimentos, inaugurando a guerra de posições. 


O Oberste Heeresleitung (OHL, Comando Supremo do Exército) tentou atacar os britânicos, que estavam em vantagem no terreno, com unidades formadas por reservistas, entre eles estudantes voluntários no dia 10 de novembro de 1914. O resultado foi devastador: 10.000 soldados alemães foram feridos ou mortos em uma batalha que não trouxe qualquer avanço. 
Para encobrir o desastre, o OHL publicou um famoso comunicado oficial em 11 de novembro de 1914, que anunciava de forma enganosa que: “Para oeste, jovens regimentos de Langemarck avançaram ao som da canção 'Deutschland, Deutschland über alles', avançando contra a primeira linha do inimigo e conquistando-a.”

Em 1918, no final da Primeira Guerra Mundial, havia cemitérios militares alemães em 678 municípios belgas; os maiores na área de Langemark. A pedido do governo belga, esse número foi significativamente reduzido. Em 1919/20, o Serviço de Sepulturas da Bélgica transferiu os restos de soldados alemães para Langemark e fechou os demais cemitérios. 
O espaço, como se conhece hoje, foi oficialmente inaugurado em 10 de julho de 1932 e, entre 1956 e 1958, soldados alemães mortos em combate foram transferidos dos 128 cemitérios restantes na Flandres para esse cemitério. 


A linha de trincheiras alemãs passava onde hoje está o cemitério - e seguia por cerca de 8 km. Aqui, em 1915, o gás cloro foi liberado pela primeira vez contra os britânicos. 

O monumento do escultor alemão Emil Krieger - as quatro figuras de luto foi adicionado em 1956. 



Em Langemark, estão sepultados 44.304 soldados alemães. Aqueles cujas identidades eram conhecidas na época dos novos sepultamentos foram enterrados em sepulturas individuais, enquanto todos os soldados desconhecidos foram colocados na grande vala comum. 



Hoje, além dos estudantes ingleses, franceses e alemães, muitas crianças belgas frequentam o cemitério, deixam papoulas - símbolo do sacrifício na I Guerra Mundial e desenhos, como os que estão nos detalhes das fotos a seguir. 






Mito de Langemark: um fiasco militar transformado em uma vitória moral.


O relatório enganoso do OHL foi publicado por inúmeros jornais em toda Alemanha. Essa habilidosa manipulação da opinião pública garantiu o surgimento de um mito sobre a batalha. As perdas de Langemarck passaram a simbolizar o heroísmo dos jovens soldados, o patriotismo e o espírito de sacrifício dos alemães, acentuados nos relatos cada vez mais embelezados de como as tropas alemãs teriam atacado metralhadoras britânicas sem cobertura. 
A afirmação de que os regimentos cantaram o "Deutschlandlied" durante o ataque ganhou destaque. A canção representava a unidade da nação em uma luta pela vida e pela morte. Como mártires, enfatizava o mito de Langemarck, os soldados atacaram o inimigo destemidamente, sem se importarem com as próprias vidas. 

Após a derrota alemã em 1918, o mito foi usado como por conservadores burgueses e nacionalistas extremos do período entreguerras, como os nazistas. 

As celebrações anuais e a inauguração de um cemitério em 1932, homenageavam os heróis - meninos que sacrificaram a vida pela nação e, em troca, conquistaram a imortalidade na consciência coletiva do país. 

A partir da ascensão do Nazismo, em 1933, o mito foi utilizado como propaganda militar pelo regime. 


A Universidade de Berlim homenageava anualmente, em 11 de novembro, os estudantes que morreram na batalha de Langemarck, uma cerimônia que também servia para dar as boas-vindas aos novos alunos. 

Hoje, existem 33 ruas ou praças que ainda têm o nome de “Langemarck” nas cidades alemãs, principalmente nas partes ocidentais do país.

Cenotáfio da Papoula em Langemark - Poppy Cenotaph memorial Langemark


Em 2016, 150 ferreiros se uniram para construir essa coluna memorial de aço, com 11,5 toneladas, circundada por 26 painéis que representam diferentes temas da Grande Guerra, como os "gueules cassées", trabalhadores chineses que limpavam os campos de batalha e o uso de novos armamentos: os gases tóxicos e venenoso e do tanque. 




A Primeira Guerra Mundial levou a horrores inimagináveis, um exemplo das ambições e quão cruéis são os resultados para todos os envolvidos, não apenas de milhões de combatentes e civis, mas também das florestas, campos, rios e tudo o mais na paisagem, com as trincheiras e a terra de ninguém que são o tema deste painel, ilustradas pelas ferramentas de escavação presas no arame farpado onipresente e paralisante da terra de ninguém. 

O arame farpado é símbolo da guerra de trincheiras, da opressão e do sofrimento. Sobre ele, as papoulas, sementes para as futuras gerações. 


As cabeças de picareta usadas pelas tropas de ambos os lados para cavar trincheiras e túneis; foram representadas pelo artista como parte do arame farpado para criar a linha da Frente Ocidental. A linha também é semelhante a uma ferida suturada que deve evocar a cicatriz que a Grande Guerra deixou na consciência humana. A esperança para o futuro é sugerida pelos “campos” de papoulas que cresceram na lama dos Campos de Flandres.

A guerra destruiu cidades, estradas e florestas, e deixou cicatrizes na paisagem, mas o capacete na parte inferior do painel simboliza a força e o poder de cura da natureza. As trincheiras, crateras, equipamentos militares e armas foram conquistados pela natureza. A mensagem para as gerações futuras é que a vida sempre vencerá a morte e a violência.

O cemitério de Langemarck é mantido pela Comissão Alemã de Túmulos de Guerra, o Volksbund Deutsche Kriegsgräberfürsorge

 

Baixe o e-book sobre o Poppy Cenotaph memorial Langemark : https://www.cruisingalongthefrontline.be/en/poppy-cenotaph-memorial-langemark/

Vale a pena ler: 

Langemarch Mythhttps://encyclopedia.1914-1918-online.net/article/langemarck-myth/




Museu de Dunkirk e a Operação Dínamo


Em setembro de 1939, as perdas sofridas na Primeira Guerra Mundial ainda pesavam sobre a população.

Protegida pela Linha Maginot, a França obteve sucesso inicial em seus esforços de mobilização. O rearmamento continuou e a moral não desmoronou. 


Nas imagens superiores, treinamentos militares e nas inferiores, aviso para que civis e militares fiquem atentos aos espiões, com destaque para o jarro com o rosto de Hitler "Cuidado com o que você diz! Panelas têm ouvidos"



França 1939, kit de refeição com inscrição de um soldado durante a "guerra de mentira".

No entanto, a Alemanha tomou a iniciativa do ataque. Em abril de 1940, invadiu a Dinamarca, seguida pela Noruega. Os Aliados intervieram e tropas chegaram a Narvik - área com porto estratégico, mas o sucesso foi apenas parcial. Para os franceses, foi o sinal de uma tempestade se aproximando.

Em outubro de 1939, o plano inicial da Alemanha era atacar os Aliados através da Bélgica.  No entanto, a estratégia alemã foi modificada. O ataque alemão ocorreu a partir de Ardennes até o Mar do Norte, cercando os Aliados. Os tanques chegaram e a Luftwaffe avançou.

A estratégia da França era defensiva e, ao mesmo tempo, apoiar a Bélgica e proteger o norte de França. A Linha Maginot protegia o leste. 

Em março de 1940, a estratégia defensiva dos Aliados os conduziu para a armadilha alemã em Dunkirk.


Maio de 1940 

10 de maio: ataque alemão ao Oeste. A Bélgica foi invadida. Churchill tornou-se primeiro-ministro da Grã-Bretanha.

11 de maio: queda do forte de Eben-Emael, chave de defesa belga no canal Albert.


14 e 15 de maio: os contra-ataques franceses falharam e a Luftwaffe controlou o espaço aéreo. A Holanda se rendeu e Roterdã foi destruída. Paul Reynaud, primeiro ministro francês disse a Churchill: os Aliados perderam a batalha. 

A BBC transmitiu uma ordem do Alto Comando da Marinha Britânica para identificar todos os barcos medindo entre 9 e 30 metros: a ideia era usá-los para fins militares. Essas embarcações poderiam ser utilizadas para transportar homens das praias para os navios mais pesados. 

18 de maio de 1940: o exército alemão cruzou o Somme, área das trincheiras da I Guerra Mundial, na França. Rommel avançou em direção ao Canal da Mancha.

O porto foi bombardeado. O depósito de petróleo de Saint-Pol estava em chamas: uma espessa fumaça preta cobria a planície. Houve 42 mortos e 200 feridos no quartel de Guilleminot.


19 de maio: o Alto Comando do exército britânico ordena à Marinha considerar uma evacuação.

20 de maio: o exército alemão avançou até Amiens e Abbeville. Grandes embarcações são evacuadas. Em Dover, uma conferência é realizada na sala Dínamo. 
Os bombardeios continuaram. Trens lotados de civis belgas foram atingidos na estação ferroviária e no cais.

21 de maio: início do cerco a Dunkirk. 

22 de maio, ataques passam a ocorrer diariamente. 

25 de maio: a eclusa de Trystram foi danificada e as docas se encheram com cada vez mais naufrágios. 

26 de maio: quando a Operação Dínamo começou, pelo menos 500.000 soldados aliados (belgas, franceses e britânicos) estavam cercados. Às 11h30, Lord Gory foi avisado pelo telegrama do Secretário de Estado da Guerra, que sua prioridade seria, a partir de então, a "segurança" da Força Aérea Britânica. 

Após uma semana de preparativos, o Almirante Ramsay lançou a operação às 18h57; ele a batizou de Dínamo, em homenagem ao gerador no centro de comando do Alto Comando da Marinha, no Castelo de Dover. O Almirante esperava salvar 45.000 homens em dois dias.


27 de maio: o exército belga entrou em colapso. A Luftwaffe bombardeou Dunkirk durante todo o dia: o porto e a cidade foram devastados pelas chamas.

Os proprietários das embarcações foram novamente contatados para que ficassem mobilizados para uma missão perigosa, cuja real natureza eles tomariam conhecimento logo.

A destruição atingiu seu pico. O centro da cidade foi demolido. As enfermarias ficaram lotadas. O Hospital Zuydcoote recebeu mais de 10.000 pacientes que necessitavam de tratamento. 


Às 21h, o vapor Mona's Queen foi o primeiro navio a deixar o porto com 1.312 homens. Isso se somou aos 29.000 homens evacuados nos dias anteriores. A evacuação continuou e, diante da ameaça de um ataque alemão generalizado, os britânicos decidiram acelerá-la. O Queen of the Channel foi o primeiro a atracar, por volta da meia-noite. 

28 de maio: às 9:00, o exército belga se rendeu. Milhares de homens se amontoaram nas praias e estavam prontos para serem evacuados.

Dadas as perdas sofridas, o Alto Comando da Marinha Britânica limitou o uso de navios a vapor e balsas a operações noturnas: muitos recursos navais foram mobilizados, especialmente escunas holandesas. Dois mil homens por hora deixavam o píer. 

29 de maio: os quartéis-generais franceses e britânicos dividiram as áreas de embarque no porto e nas praias. As tropas começaram a se reunir na praia de Dunkirk. À 1h45 da manhã de 29 de maio, o contratorpedeiro Wakeful, transportando 748 homens, foi torpedeado logo após deixar a praia.


As dificuldades de desembarque na costa de Dunkirk não permitem que os barcos cheguem facilmente ao mar para avançar em direção à costa. Caminhões e de vários veículos foram abandonados ao longo da costa.

30 de maio: em La Panne, a primeira construção da ponte de embarque utilizando automóveis foi realizada. Os veículos foram alinhados frente a frente ou próximos o suficiente para que uma estrutura tipo prancha pudesse ser equilibrada entre a praia e a profundidade que um navio poderia alcançar, facilitando o embarque das tropas.



1º de junho: até o final da batalha, os ataques da Luftwaffe levaram a novas tragédias: 200 pessoas perderam a vida enquanto buscavam abrigo nos prédios da companhia Gondrand Brothers.

3 de junho: pelo menos 50.000 soldados ainda aguardavam a evacuação, que começou às 22h30. Soldados continuavam a chegar às praias, de onde os navios não partiam mais. Depois da meia-noite. O contratorpedeiro britânico Schikari foi o último navio a deixar o porto, às 3h45. 


De acordo as estimativas, entre 1.176 e 1.588 embarcações civis britânicas, belgas, francesas e holandesas participaram da Operação Dínamo, eram rebocadores, lanchas, barcaças e até vapores que enfrentaram bombardeios, metralhadoras, o próprio mar e a angústia dos soldados. Veículos e equipamentos foram abandonados, o objetivo era salvar a maior quantidade de homens possíveis. 


Veículos abandonados nas areias de Dunkirk, 5 de junho de 1940. 

Os civis e a condição imposta pela guerra: o êxodo e os refugiados

Entre maio e junho de 1940, em meio ao avanço das tropas alemãs, milhares de civis franceses, belgas e holandeses abandonaram suas casas. As estradas ficaram lotadas. As memórias da dura ocupação durante a Primeira Guerra Mundial eram aterrorizantes e se temia as atrocidades e os bombardeios alemães


Em 13 de maio, os primeiros refugiados belgas e holandeses chegaram a Dunkirk e foram alojados encaminhados para as regiões centrais da França em ônibus. Preocupados com os rumores, os habitantes de Dunkirk também partiram, especialmente após os bombardeios de 18 de maio.

Os refugiados lotaram as estradas. Os movimentos de tropas e civis frequentemente se entrelaçam. Os bombardeiros inimigos não fizeram distinção entre soldados e civis durante seus ataques ininterruptos.

Eles precisavam encontrar leite, água e comida. Ocasionalmente, foram forçados a voltar. 


Os franceses tiveram que lidar com milhões de refugiados civis. A fuga das áreas de conflito ficou conhecida como Êxodo. 

Automóveis e carroças puxadas por cavalos, carregando pertences, congestionavam as estradas. Como o governo não havia previsto um colapso militar tão rápido, havia poucos planos para lidar com a situação. 


Entre seis e dez milhões de franceses fugiram, às vezes tão rápido que deixaram refeições não consumidas nas mesas, mesmo com as autoridades afirmando que não havia necessidade de pânico e que os civis deveriam ficar.

Enfermeira da SSBM - Uniforme de enfermeira com capa e touca da Société de Secours aux Blessés Militaires. Em 1940, esta rede de pessoal feminino foi anexada ao Serviço Médico do Exército Francês, lidando com hospitais e ambulâncias médicas e cirúrgicas. Durante a Operação Dínamo, mais de 70 enfermeiras socorreram milhares de soldados feridos. 



Memorial du Souvenir




A maioria dos objetos nesta vitrine vem do rebocador Saint-Fagan, afundado por uma mina em 1º de junho de 1940, na praia de Malo-les-Bains. Ele levou consigo as barcaças que estavam acopladas a ele. Esses artefatos são considerados objetos arqueológicos e são propriedade do Estado francês.




Bota de borracha da St. Fagan com a marca The North British Rubber Edinburgh. Durante a Primeira Guerra Mundial, a North British Rubber Company produziu 1.185.036 pares de botas para o Exército Britânico.

Vestígios da Operação Dínamo 



Durante o verão de 2009, várias estruturas de aço e um pneu surgiram após o movimento do banco de areia. Como alguns deles eram muito perigosos para as crianças que nadavam na área, as autoridades decidiram remover os destroços. Hoje, expostos no "Memorial du Souvenir".

A bateria e os acessórios elétricos O motor é um seis cilindros, com um design moderno para a época. Muito provavelmente, o naufrágio faz parte de uma pista incluída em um cais existente neste local em maio/junho de 1940.


Musée Dunkerque 1940: https://www.dynamo-dunkerque.com/