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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O Castelo de Evoramonte, Portugal

Entre as cidades de Évora e Estremoz se encontra Evoramonte, no Alentejo, em Portugal. Em meio a colinas repletas de plantações de cortiça, a pequena cidade parece parada no tempo.
Nós a visitamos no final da tarde. O castelo situa-se na colina mais alta e é possível avista-lo de longe, na Serra d'Ossa. 
A cidade localiza-se na parte baixa. 

Ao longe, no alto da colina, o castelo de Evoramonte. 


Durante a guerra de Reconquista portuguesa, por volta do século XII, a região do Alentejo era de fundamental importância para as tropas cristãs, lideradas por D. Afonso Henriques, na tentativa de expulsar os islâmicos do território. 

Antiga porta de São Sebastião, um dos quatro acessos da cidadela. 

No século XIV (1306), D. Dinis ordenou a construção de uma muralha para a proteção da população que desejasse viver na região.
Muito do que vemos hoje, remonta a esse período histórico. 

Muros remanescentes das antigas muralhas que cercam o castelo e oferecem uma magnífica vista do Alentejo

Porta de acesso lateral em estilo gótico



Ao pesquisar para nossa visita ao Alentejo, encontrei muitas vezes o nome de um guerreiro medieval chamado Geraldo Geraldes, ou Geraldo sem Pavor. Descobri que ele foi fundamental para o rei de Portugal durante o século XII, comandando seus guerreiros, salteadores e proscritos, lutavam com tamanha coragem contra os sarracenos islâmicos, que os ecos de sua audácia permanecem até hoje. 




O castelo de Evoramonte, construído com claros fins militares, é hoje uma reconstituição da antiga edificação, danificada por um terremoto que ocorreu no século XVI (1531). 
Construído com materiais de pedra e alvenaria, além de cantaria de granito, a forma circular faz do edifício único em Portugal. Os detalhes, nós esculpidos em pedras, estão nos quatro lados do edifício. É possível notar também as canhoeiras, saídas dos canos de canhões. 


A última grande batalha que Evoramonte viu foi entre os irmãos Pedro (Pedro I do Brasil) IV de Portugal e Miguel, disputando o trono em 1834, foi aqui que assinaram a paz e o acordo que definia o banimento de Miguel de Portugal. 


Para Saber Mais sobre Evoramonte: http://www.visitevora.net/evoramonte/

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O Castelo de Almourol

Antes de começar com o texto, escolho começar pela imagem... 


Almourol povoou meus devaneios de historiadora desde quando era uma estudante de graduação. 
Castelos fazem parte do nosso imaginário desde sempre, e era esse que fazia parte do meu, por isso, ao decidirmos por Lisboa como destino, Almourol tornava-se parte obrigatória do roteiro. 

O Castelo


O castelo medieval foi construído sobre antigas edificações romanas, que excelentes construtores e estrategistas, aproveitaram-se da excelente localização do ilhéu. O Tejo, desde sempre, representava a mais importante rota de ligação entre Lisboa e o interior do território, daí a importância da manutenção das defesas, garantindo as posses cristãs na região.  
Almourol é uma das mais importantes construções militares de Portugal. Erguido pelos Cavaleiros Templários, a mando de seu Grão-Mestre Gualdim Pais, no auge da luta com os islâmicos, no século XII (1171) e representava a defesa da região contra as ameaças que pudessem vir do rio acima, ou do Além Tejo. 
Os torreões, dez no total, mantém a forma original, tendo apenas as ameias sido reparadas no século XIX.  Acredita-se que tenha sido habitado até meados de 1600. 



Mapa - Rota Templária em Portugal



A-13 saindo de Lisboa, sentido Coimbra- saída IC 3 - Vila Nova da Barquinha
Aproximadamente 1 hora de viagem - com pedágios 



Vila Nova da Barquinha

Vila Nova da Barquinha - a cidade já foi um importante porto comercial, responsável pelo escoamento dos produtos vindos do interior, no entanto, com a chegada das ferrovias, viu sua importância diminuir. Hoje o porto oferece recursos recreativos, principalmente ligado ao acesso ao castelo. 

                                     
Cais d'el Rey

                                             
Ao longe, no meio do ilhéu, o Castelo de Almourol


                                   




                                

Alambor 


Rampas no interior das muralhas para reforça-las, aumentando-lhes a espessura, mantendo máquinas de assalto e ricochetes de projéteis à distância. 
Essa técnica de arquitetura militar foi introduzida em Portugal pelos cavaleiros templários.      

                                 



                                           


Entrada no Castelo 


Como não pegamos a "barquinha" e atravessamos a pé, não compramos o ingresso previamente. O valor é de 2.5 euros por pessoa. 

                                
Sobre a porta principal encontra-se essa placa com informações referentes à construção do castelo (1171)
                                         

                                          
Inscrições em latim atestam a presença dos romanos nesse local de fortaleza natural. 

Grão Mestre Gualdim


Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Era de 1209 (1209 da era de César, 1171 na era de Cristo). O mestre Gualdim, nobre, sem dúvida, por ascendência, natural de Braga, viveu no tempo de Afonso, ilustríssimo rei de Portugal, filho do conde D. Henrique e da rainha Teresa. Abandonando a milícia secular em breve brilhou com a estrela d 'alva. Com efeito demandou Jerusalém como soldado da Ordem do Templo e aí, durante cinco anos não passou vida ociosa, porquanto com seu mestre e confrades combateu em muitos recontros contra o rei do Egito e da Síria. Depois da conquista de Ascalona, dirigindo-se daí rapidamente a Antioquia, pelejou contra as forças do sultão  (o Grão Turco). Porém, depois de cinco anos, voltou para junto do rei que o havia educado e o tinha feito cavaleiro. Eleito procurador da ordem do Templo, em Portugal, construiu os seguintes castelos: Pombal, Tomar, Zêzre, Cardiga e Almourol. 

                                           
                      

Zona Habitacional 



                              


                               

Almourol era composto por um farol, um contingente militar e uma povoação permanente. 
Vestígios demonstram que essa área habitacional ficava próxima ao porto. Além disso, nesse espaço existia uma capela, consagrada a Santa Maria de Almourol, que hoje não existem mais nenhum vestígio. 
Apesar disso, arqueólogos e historiadores desconhecem como ocorria o abastecimento de água na fortaleza, não há cisternas, apenas um poço. 
                                    

                                     

Torre de Menagem 

                                          

A torre de menagem em Almourol tem cerca de 20 metros de altura, três pisos e um terraço. 
Toda a construção apresenta  duplo parapeito, cujos muros são coroados por ameias, o que permitia a defesa simultânea do exterior e do interior da fortaleza, favorecendo o tiro flanqueado. 

                                    

                           



Lendas


Assim como todos os locais que um dia abrigaram a Ordem do Templo, Almourol também encontra-se envolto em lendas, mistérios e histórias de tesouros escondidos. 
A complexa rede de túneis  (o maior com 12 km de extensão, ligando-a a Vila Velha da Atalaia) que ligava a fortaleza a outros castelos da região faziam com que o povo que ali vivia criassem contos e lendas. 


O Gigante Almourol 
Senhor e guardião do castelo, nele acolheu as princesas Polinarda e Miraguarda, as quais o famoso cavaleiro Palmerim da Inglaterra tentou em vão raptar, tendo ficado muito maltratado no duelo com o gigante. Outro gigante, Dramusiando, enciumado, viria combatê-lo, vencendo-o e conservando as princesas sob a sua tutela.
                                                   
As princesas e Palmerim da Inglaterra 

Lenda de D. Ramiro 
Nobre godo que recolheu no castelo um jovem mouro, o qual para se vingar do assassinato da mãe e da irmã por cristãos, envenenou a esposa e seduziu D. Beatriz, filha do cavaleiro. A tradição popular assegura que o jovem mouro e a donzela aparecem toda noite de São João, na torre mais alta do castelo, renovando a maldição que só terá fim no dia do juízo final. 

                                 
                               
                                  

                                   

                                   
Ruínas do Convento de Loreto, margem direita do Tejo, em frente a Almourol

Souvenir


No local da antiga capela, loja de lembranças. 

                                       
   
                                      



domingo, 20 de agosto de 2017

Óbidos: uma linda cidade amarulhada em Portugal

Óbidos é uma pequena cidade amarulhada localizada a cerca de 90 km de Lisboa, de carro pela A 8, levamos cerca de 40 minutos para chegar. 
Geograficamente privilegiada, próxima ao mar, esta foi uma área ocupada desde a Pré-História, passando pela conquista romana e posterior ocupação árabe. 
Os cristãos conquistaram a região no século XII, em 1148, e posteriormente passou a fazer parte do pentágono defensivo dos 5 castelos templários que defendiam as terras cristãs durante a Reconquista e formação de Portugal. 
Óbidos, cidade mágica.
Suas muralhas são testemunhas de tempos não tão serenos como sugerem, hoje, seus lindos campos verdejantes e casarios floridos. 

Ao longe, a cidade amarulhada de Óbidos

Dia nublado, apesar do calor de Lisboa, Óbidos mantém uma temperatura mais baixa, em torno dos 17˚ em um dia de verão. 


Entrada da cidade, lindas casas preservadas recebem os visitantes, esta da imagem, é uma floricultura

Óbidos 

Porta de entrada - chegamos cedo, antes dos ônibus de turismo, por volta das 9:00

A Virgem Nossa Senhora foi concebida sem pecado original

Porta da vila de Óbidos: construída no século XIV (1380). Seu espaço interior abriga um lindo oratório dedicado a Nossa Senhora da Piedade. 

Artistas itinerantes estão em muitos locais da pequena cidade. Achei essa performance particularmente interessante, pois lembrava um médico da Peste Negra. O artista em questão foi extremamente simpático conosco.

Entrada da cidade, pode-se optar por andar entre as ruas centrais, ou subir as muralhas e ver a cidade de cima, que foi o que fizemos. 

Vista parcial das muralhas que envolvem toda a cidade






Vista a partir das muralhas, detalhe dos aquedutos - obras do século XVI, custeada pela rainha D. Catarina de Áustria.

Santuário do Senhor Jesus da Pedra, visto a partir das muralhas, tencionávamos visita-lo, mas como nos demoramos demais, ao passarmos por lá, já havia fechado. 

A cada curva das muralhas, mais paisagens de tirar o fôlego. Essa foi uma região de intensos conflitos entre islâmicos e cristãos durante a Reconquista da Península Ibérica. Ao olharmos os campos verdejantes e férteis, é fácil compreender o porquê.

As muralhas terminam em uma ruela, que dá acesso à Igreja e ao Castelo. 
Por ali existem algumas casas, como essa, a Casa Morisca. 


Muitas primaveras no verão... 

Entrada do Castelo - hoje uma pousada, a primeira pousada histórica de Portugal. 



Igreja de Santiago


A Igreja nas cercanias do castelo guardava lindas surpresas, o espaço interno foi transformado em uma livraria e na parte de cima, onde fica o campanário, uma senhora realiza trabalhos de renda de bilro variados. O caminho é indicado por poesias bordadas... 
A Igreja data o século XII, 1186, logo nos primórdios de Portugal. Foi severamente atingida pelo terremoto de 1755. 




Transcrevo  o poema de entrada da loja, de autoria de Natália Santos, que por um descuido, não perguntei ser a senhora que tão gentilmente me recebeu e conversou sobre suas rendas: 

Preparos para Rendar um Poema ...
Funções e materiais ...

Eu trago aqui um poema, 
Que vou entregar à mão, 
A todos os meus alunos, 
Que serve de orientação. 
Comece por enrolar bilros, 
Com uma linha adequada, 
Depois destes enrolados, 
Meta o pique na almofada. 
Almofada que já lá está, 
No seu banquinho contente, 
Mete-se um peso atrás, 
Para ela não ir para a frente, 
O pique terá um desenho, 
Que será feito a seu gosto, 
E pra mais fácil aprender, 
Leve um sorriso no rosto. 
Arma o primeiro alfinete, 
Neste pique já citado, 
Mete os bilros dois a dois,
E um gancho de cada lado. 
Os ganchos tem a função, 
De os bilros segurar, 
Pra que não se misturem, 
E ser mais fácil trabalhar. 
Tenham sempre a tesourinha, 
Esta não pode faltar, 
Pois ela dá sempre jeito, 
Pra alguma linha cortar. 
E agora está tudo escrito, 
Para nada esquecer, 
Vamos tentar em algumas horas, 
Alguma coisa aprender. 





Fiquei absolutamente encantada por esse jardim





Achados incríveis nas ruelas, quase todas as casas tinham adornos como esse em azulejos






Igreja Matriz de Santa Maria - construção inicial do século XII, reconstruída no século XVI 


O retábulo de Santa Catarina é de autoria de Josefa de Óbidos

lindos trabalhos em terracota, cheios de detalhes encantavam pela perfeição e capricho do artista








Souvenirs - de cavaleiros Templários, ginjas, espadas de madeira, imãs variados até roupas em estilo medieval. 



Entrada: almejas à Alentejana

Delicioso Polvo a Lagareiro



Mercearia das Ideias, logo na entrada da cidade, uma loja com ótimo atendimento e produtos de muito bom gosto, muito além dos tradicionais souvenirs. Eu a encontrei por indicações no Facebook e foi lá que comprei esse presépio lindo, que escolhi como recordação da minha visita a Óbidos.