Baseado no livro The Nazi and the Psychiatrist, de Jack El-Hai, o filme Nuremberg (2025) acompanha os acontecimentos imedianamente posteriores a rendição da Alemanha, em que os países vencedores decidem pelo julgamento de 22 líderes nazistas.
Essa nova versão cinematográfica narra a convocação do psiquiatra estadunidense Douglas Kelley (Rami Malek) e sua aproximação com o objetivo de avaliar Hermann Göring (Russell Crowe), que ocupou posições centrais durante o governo nazista e, após a morte de Adolf Hitler, e era um dos mais importantes dirigentes ainda vivos, e tentar compreender quais os aspectos responsáveis pelas atrocidades nazistas.
Por que Nuremberg?
A escolha da cidade tinha razões práticas. O Palácio da Justiça havia sobrevivido relativamente bem aos bombardeios, possuía instalações suficientes para um grande julgamento e, principalmente, uma prisão ficava ao lado do edifício, facilitando a custódia dos réus.
Mas havia também uma poderosa simbologia. Nuremberg tinha sido uma das cidades mais associadas às grandes manifestações do Partido Nazista.
Adolf Hitler (1889–1945), discursando para a multidão durante o Comício de Nuremberg, em setembro de 1935. (Imperial War Museums)
Além disso, foi também nessa cidade que, em 15 de setembro de 1935, durante o congresso anual do Partido Nazista, foram anunciadas as chamadas Leis de Nuremberg, que retiraram direitos dos judeus alemães, transformaram o antissemitismo em política de Estado e transformaram princípios da ideologia racial nazista em normas jurídicas, ampliando a exclusão dos judeus da sociedade alemã.
Assim, embora o simbolismo não tenha sido a única nem necessariamente a principal razão da escolha da cidade, ele não pode ser ignorado: um dos lugares utilizados pelo nazismo para celebrar seu poder tornou-se cenário do julgamento de seus dirigentes.
Imagem aérea mostra o resultado dos bombardeios nos dias que antecederam a capitulação da Alemanha, em 1945.
É comum utilizarmos a expressão “Julgamento de Nuremberg”, no singular. Ela geralmente se refere ao Tribunal Militar Internacional de 1945–1946. Entretanto, houve outros doze julgamentos posteriores conduzidos pelos Estados Unidos em Nuremberg, entre 1946 e 1949. Médicos, juristas, integrantes das SS, membros dos Einsatzgruppen, empresários, funcionários ministeriais e comandantes militares estiveram entre os acusados nesses processos posteriores.
Hermann Göring: um dos personagens centrais do filme
Hermann Göring (Russell Crowe) não era um integrante do Partido Nazista. Ele havia sido um dos homens mais poderosos do Terceiro Reich, comandante da Luftwaffe, a força aérea alemã, e ocupava uma posição privilegiada na estrutura política criada por Hitler.
Existem gravações originais de seu depoimento. Em uma delas, Göring é interrogado a respeito de uma ordem de 31 de julho de 1941, enviada a Reinhard Heydrich, relacionada à preparação de uma solução para a chamada “questão judaica” na Europa.
No julgamento, Göring tornou-se um dos réus mais observados. Inteligente, articulado e experiente na utilização da propaganda, procurava defender suas ações e preservar uma determinada imagem de si mesmo e do regime. Essa característica ajuda a compreender por que sua relação com Douglas Kelley ocupa tanto espaço no filme.
Göring foi considerado culpado em todas as acusações apresentadas contra ele e condenado à morte. Entretanto, não chegou a ser executado: na noite anterior ao enforcamento, suicidou-se utilizando uma cápsula de cianeto.
Quem era Douglas Kelley?
O tenente-coronel Douglas M. Kelley era psiquiatra do Exército dos Estados Unidos e recebeu a tarefa de avaliar os prisioneiros nazistas para verificar, entre outras questões, suas condições psicológicas e sua capacidade de enfrentar um julgamento. Kelley entrevistou Göring diversas vezes e aplicou testes psicológicos aos prisioneiros.
O aspecto talvez mais perturbador dessa história está justamente nas conclusões às quais Kelley começou a chegar. Ele não encontrou uma explicação simples que permitisse atribuir os crimes nazistas a uma espécie de patologia mental comum aos dirigentes.
A possibilidade que emergia era muito mais desconfortável: pessoas capazes de participar de sistemas políticos responsáveis por crimes extraordinários não precisavam ser necessariamente “loucas” ou radicalmente diferentes das demais pessoas. Os prisioneiros foram submetidos a entrevistas e testes psicológicos. Kelley utilizou, entre outros instrumentos, o teste de Rorschach.
Assim como mostra o filme, outro psicólogo que trabalhou diretamente com os réus foi Gustave Gilbert. Kelley e Gilbert chegaram a interpretações diferentes sobre alguns dos resultados e sobre a personalidade dos acusados. Esse aspecto é importante porque nos lembra que um documento, inclusive um teste psicológico, não “fala sozinho”. Os resultados também dependem das categorias, perguntas e interpretações empregadas por aqueles que os analisam.
Uma inovação que hoje parece comum: a tradução simultânea
Em Nuremberg, pela primeira vez na história, os vencedores julgaram os dirigentes de uma nação derrotada em uma guerra
Observe os fones de ouvido utilizados no tribunal. Inglês, francês, russo e alemão eram línguas oficiais dos julgamentos. Realizar sucessivamente cada tradução tornaria um processo daquela dimensão praticamente inviável. Nuremberg tornou-se uma experiência decisiva para a consolidação da interpretação simultânea em grandes encontros internacionais.
O sistema instalado no tribunal possuía cinco canais: um transmitia a voz original do falante e os outros ofereciam as traduções em inglês, francês, russo e alemão. Os participantes podiam selecionar nos fones o idioma que desejavam ouvir.
Fotografias, documentos e filmes tornaram-se provas
Um dos aspectos mais importantes do julgamento foi a quantidade de documentação utilizada pela acusação.
O promotor norte-americano Robert H. Jackson, interpretado no filme por Michael Shannon, procurou construir parte significativa da acusação utilizando documentos produzidos pelos próprios nazistas. Ordens, memorandos, correspondências, registros administrativos e outros documentos ajudaram a demonstrar como funcionava o Estado nazista.
Mas ocorreu algo ainda mais impressionante e inédito até aquele momento: filmes também foram apresentados como provas. Quando os exércitos aliados chegaram aos primeiros campos, após o choque inicial, filmes e fotografias documentaram o horror e a barbarie e, em 29 de novembro de 1945, poucos dias depois do início do julgamento, foi exibido no tribunal o documentário Nazi Concentration Camps, produzido a partir dessas filmagens.
As luzes da sala foram apagadas e juízes, promotores, jornalistas e os próprios réus assistiram às imagens dos campos e de suas vítimas. Pela primeira vez em um julgamento internacional dessa dimensão, imagens em movimento assumiam um papel importante na demonstração de crimes em massa.
Uma palavra que ainda não era uma acusação jurídica: genocídio
O termo genocídio já existia quando o Tribunal de Nuremberg começou. Ele havia sido criado pelo jurista Raphael Lemkin, em 1944, para descrever a destruição deliberada de grupos humanos.
A palavra apareceu nos processos de Nuremberg, mas ainda não constituía uma categoria jurídica independente entre as acusações apresentadas pelo Tribunal Militar Internacional. Os réus foram julgados por crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, além da acusação de conspiração. Somente em 1948 a Organização das Nações Unidas aprovaria a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio.
Nuremberg e o direito internacional
Antes do Julgamento de Nuremberg já existiam tratados, convenções e normas internacionais. Além disso, o próprio Tribunal foi objeto de debates jurídicos e políticos. Entretanto, Nuremberg representou uma mudança importante ao afirmar que determinados atos poderiam gerar responsabilidade criminal individual no âmbito internacional, mesmo quando praticados por dirigentes estatais. Por isso, sua importância ultrapassa o julgamento dos dirigentes nazistas. Os princípios discutidos naquele tribunal participariam da formação de uma tradição jurídica que, com transformações, disputas e novos tratados, chegaria aos tribunais internacionais criados posteriormente.
No dia 3 de dezembro de 1910, a revista Careta publicou diversos textos e fotografias sobre a revolta dos marinheiros que ficou conhecida como Revolta da Chibata.
Alentado: corpulento, robusto, de grande porte. Boteiro: homem que conduzia ou trabalhava em um bote.
Dreadnought: tipo de grande navio de guerra, fortemente armado e blindado, utilizado no início do século XX.
Mictório: local ou recipiente destinado a urina. Negroilhão: termo pejorativo e racista utilizado, à época, para se referir a um homem negro. Tambatéa: termo empregado no texto com o sentido de pancadas ou golpes; nesse contexto, refere-se aos golpes dados com a chibata.
Glossário Arvorado: se aparecer nas legendas originais: levantado, hasteado; por exemplo, uma bandeira “arvorada" Arriada: presente na legenda da outra fotografia: abaixada ou retirada do mastro; é o contrário de “arvorada”.
Na Abadia de Westminster fica o túmulo do Soldado Desconhecido.
O corpo foi trazido da França para ser enterrado aqui em 11 de novembro de 1920. O túmulo, que contém solo da França, é coberto por uma laje de mármore preto belga e a epígrafe, composta por Herbert Ryle, Reitor de Westminster.
Sob esta pedra descansa o corpo de um soldado britânico, desconhecido quanto ao nome e à patente.
Trazido da França para repousar entre os mais ilustres do reino, foi enterrado aqui no Dia do Armistício, em 11 de novembro de 1920, na presença de Sua Majestade o Rei George V, de seus ministros, dos chefes das Forças Armadas e de numerosos súditos da nação.
Assim se homenageiam os muitos que, durante a Grande Guerra de 1914–1918, deram o que um homem pode oferecer de mais precioso, a própria vida, por Deus, pelo Rei, pela pátria e por seus entes queridos, pela sagrada causa da justiça e da liberdade no mundo.
Ele foi sepultado entre os reis porque serviu fielmente a Deus e ao seu país.
(acima): O Senhor conhece os seus.
(laterais): Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida. / Desconhecido e, ainda assim, conhecido. / Morrendo, e eis que vivemos em Cristo; todos ressuscitarão.
O Guerreiro Desconhecido
A ideia de homenagear os milhares de soldados britânicos foi do capelão que acompanhou o exército na Frente Ocidental, David Railton (1884-1955). Ele notou, em 1916, em Armentières, uma sepultura com uma cruz simples na qual estavam escritas as palavras "Um Soldado Britânico Desconhecido".
O reverendo David Railton recebeu a Cruz Militar por sua coragem no front. Ele sofreu danos oculares causados pelo gás mostarda e do tormento mental do choque pós-traumático.
A sepultura e a lápide de madeira simples de um soldado britânico desconhecido em Thiepval, em setembro de 1916. A cruz traz a inscrição "Descanse em paz. Em memória de um soldado britânico desconhecido encontrado e enterrado em 25/11/1915".
Em agosto de 1920, o reverendo escreveu ao Reitor de Westminster, Herbert Ryle, que se empenhou para que o memorial fosse concebido.
O corpo foi escolhido entre militares britânicos desconhecidos exumados em quatro áreas de batalha Frente Ocidental, Aisne, Somme, Arras e Ypres.
O corpo do Guerreiro Desconhecido pode ser de qualquer uma das três forças: exército, marinha ou força aérea, e de qualquer parte das Ilhas Britânicas, Domínios ou Colônias, e representa todos aqueles que morreram sem outro memorial ou sepultura conhecida.
O caixão foi colocado dentro de outro, enviado especialmente da Inglaterra, feito de carvalho, proveniente de uma árvore do jardim do Palácio de Hampton Court, revestido de zinco. Ele foi coberto com a bandeira que David Railton usou como toalha de altar durante a guerra (conhecida como Ypres ou Bandeira do Reverendo, que agora está pendurada na Capela de São Jorge).
A placa do caixão trazia a inscrição: Um guerreiro britânico que caiu na Grande Guerra de 1914-1918 pelo rei e pelo país.
A bandeira do reverendo David Railton é pendurada sobre o túmulo do Guerreiro Desconhecido durante a cerimônia do Dia da Lembrança (Remembrance Day), em Westminster todos os anos.
O destróier HMS Verdun transportou o caixão da França para para Dover e depois foi levado de trem para a estação Victoria, em Londres, onde descansou durante a noite.
O enterro
Na manhã de 11 de novembro de 1920, o caixão foi colocado, pelo grupo de portadores do 3º Batalhão de Guardas Coldstream, em uma carruagem puxada por seis cavalos pretos da Artilharia Montada Real.
Em seguida, iniciou sua jornada pelas ruas lotadas, fazendo sua primeira parada em Whitehall, onde o Cenotáfio foi inaugurado pelo Rei George V.
O Rei colocou sua coroa de rosas vermelhas e folhas de louro no caixão. Seu cartão dizia "Em orgulhosa memória daqueles guerreiros que morreram desconhecidos na Grande Guerra. Desconhecidos, mas ainda assim conhecidos; como morrendo, e eis que vivem. George RI, 11 de novembro de 1920". [George Rex. Imperator significa Rei e Imperador da Índia].
Em seguida, a carruagem seguiu para o norte porta da Abadia de Westminster. Após as orações houve dois minutos de silêncio às 11h.
O caixão foi transportado para o extremo da nave. Estiver presente uma guarda de honra de 100 portadores da Cruz Vitória, membros do exército, marinha e força aérea britânica.
O rei deu um passo à frente e deixou cair um punhado de terra francesa de uma concha de prata no caixão enquanto ele era baixado para a sepultura.
Burial of the British Unknown Warrior, from a battlefield in WW1, in Westminster Abbey, 1920. Frank O. Salisbury
Estima-se que 1.250.000 pessoas visitaram a Abadia para ver o túmulo na semana seguinte ao funeral.
O túmulo foi então coberto por um manto funerário de seda bordada branca, que havia sido presenteado à Abadia pela União da Igreja dos Atores em memória de seus camaradas caídos, com a bandeira do Padre sobre ele. Militares vigiavam cada canto do túmulo enquanto milhares de pessoas em luto passavam.
A sepultura foi preenchida, com 100 sacos de areia dos campos de batalha, no dia 18 de novembro e depois coberta por uma pedra temporária com uma inscrição dourada:
Ao olhar de longe o pitoresco lago é difícil imaginar que na Primeira Batalha de Ypres, no outono de 1914, a área de Hooge foi palco de embate entre os exércitos britânico e alemão.
Na primavera e no outono de 1915, as menções a ele raramente desaparecia dos jornais e, por muito tempo, foi um dos lugares mais temidos pelos soldados britânicos. Aqui, os soldados da Frente Ocidental enfrentaram pela primeira vez os horrores das minas, do gás e dos lança-chamas.
O que hoje é esse lago pitoresco, foi uma cratera causada pela explosão devastadora de uma uma mina detonada pelos britânicos em julho de 1915.
Crateras eram estrategicamente importantes em terrenos relativamente planos. O castelo e a cratera foram tomados pela pelos britânicos em agosto de 1915. As forças alemãs atacaram o castelo entre maio e junho e, apesar da explosão da mina, assumiram o controle do castelo e da área.
Em julho de 1917, Hooge foi retomada pelos britânicos quando conseguiram avançar cerca de um quilômetro e meio. Os alemães retornaram ao local em abril de 1918, mas foram expulsos da área pelos britânicos em setembro. Durante esse período, o castelo foi completamente destruído, assim como toda a vila; diversas crateras grandes, causadas por minas subterrâneas, foram abertas ao longo dos combates de 1917.
A linha de frente das trincheiras avançou e recuou entre 1914 e 1918. O castelo foi bombardeado em 31 de outubro de 1914, matando os oficiais das três divisões britânicas que o utilizavam como quartel-general, as ruínas foram conquistadas diversas vezes por ambos os lados.
Hoje, Hooge é um hotel e memorial. A construção do prédio fica atrás da área onde estavam as trincheiras
Entre 1916 e 1917, ambos os lados usaram concreto na construção de posições fortificadas. O bunker foi construído no inverno de 1915-1916 com blocos de concreto encaixados e ferro. Ele está voltado diretamente para o local do antigo castelo, a 100 metros de distância, cujas ruínas estavam em poder dos alemães na época.
Em 6 de junho de 1916, o bunker e as trincheiras ao redor foram capturados pelos alemães, que repeliram as tropas britânicas até a Estrada de Menin, a 50 metros de distância. A entrada do bunker, portanto, ficou vulnerável ao fogo britânico e, para protegê-la, os alemães construíram a "varanda" em forma de L que vemos hoje.
Como a guerra de trincheiras havia se tornado o novo modo de vida, antigos métodos de cerco foram colocados em prática por ambos os lados. Um método para forçar uma brecha era cavar túneis sob a posição inimiga e detonar enormes minas sob suas posições.
As Companhias de Escavação de Túneis
Apesar dos perigos de trabalhar tão perto da linha de frente, e até mesmo sob ela, muitos trabalhadores se voluntariavam devido ao salário.
A Companhia de Túneis dos Engenheiros Reais foi mobilizada para cavar um túnel de sessenta metros de comprimento, para destruir as trincheiras alemãs. O lençol freático nesta área é muito alto e a argila se expande assim que entra em contato com o ar, por isso os escavadores precisavam ser muito hábeis.
Sua técnica — conhecida como "chutar argila" ou "trabalhar na cruz" — consistia em um homem sentado com as costas apoiadas em um suporte de madeira (a cruz) e empurrando uma pequena ferramenta afiada como uma navalha, semelhante a uma pá (uma ferramenta de enxerto), na face da argila à sua frente.
Era não apenas rápida e eficiente, mas também silenciosa.
Às 19h do dia 19 de julho de 1915, a mina foi detonada. Com cerca de 2.200 kg, era a maior mina detonada até então durante a guerra e foi um sucesso completo, criando um buraco com cerca de seis metros de profundidade e quase 40 metros de largura. Os britânicos conseguiram expulsar os alemães.
A operação foi um sucesso. Sem qualquer bombardeio preliminar para alertar os alemães, eles foram pegos totalmente de surpresa.
Os alemães em Hooge, contudo, não deixariam as coisas como estavam. Quando o ataque de retaliação ocorreu em 30 de julho, trouxe consigo uma nova arma: lança-chamas (flammenwerfer).
Lança-chamas alemães durante a Primeira Guerra Mundial na Frente Ocidental, 1917.
Após as 3 da manhã de 30 de julho de 1915, os Stosstruppen alemães, ou "tropas de choque", fizeram uso eficaz do flammenwerfer, com tanques de gás portáteis amarrados às costas e bicos acesos acoplados para cada cilindro. O ataque repentino com a nova arma provou ser extremamente enervante para os britânicos, e sua linha foi imediatamente empurrada para trás.
O lança-chamas era útil apenas para curta distância e era pesado e difícil de operar, o combustível durava apenas cerca de 2 minutos. Os alemães usaram esse armamento em mais de 650 ataques.
Os "rabos de porco" (em inglês, pigtail pickets) eram estacas de aço com a ponta em forma de espiral, amplamente utilizadas na Primeira Guerra Mundial para a instalação rápida e silenciosa de cercas de arame farpado.
Grupos de soldados saíam das trincheiras à noite para à terra de ninguém para posicionar os
"rabos de porco" e, na sequência, passar o arame farpado para formar obstáculos defensivos contra o avanço dos inimigos.
Desde o final da I Guerra, toda a área de Ypres e arredores realiza esforços para remover as munições e fragmentos não detonados, disparadas há mais de um século, que aparecem na superfície ou ainda estão no solo.
Estima-se que havia 1 tonelada de munição por metro quadrado de território ao longo da Frente Ocidental, e somente na região de Ypres, 300 milhões de projéteis não detonados foram disparados. Nas áreas de grandes batalhas, ainda existem cerca de 300 projéteis por hectare, apenas nos 15 centímetros superficiais do solo, que permanecem não detonados. No ritmo atual de remoção, estima-se que levará de 300 a 700 anos para que toda a munição seja completamente removida
Vista aérea da região de Ypres durante a I Guerra Mundial
Atualmente, 5.916 militares da Commonwealth que serviram na Primeira Guerra Mundial estão sepultados ou são homenageados neste cemitério. Destes, 3.570 são de soldados não identificados.
Memoriais especiais registram os nomes de milhares de vítimas que se sabe ou acredita-se estarem sepultadas entre eles, ou cujos túmulos em outros cemitérios foram destruídos por bombardeios.