Aqui só tem História

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sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Dentes de Waterloo - como as Guerras Napoleônicas se relacionam com as dentaduras na Inglaterra

Waterloo, localização próxima à Bruxelas na Bélgica, foi o local onde ocorreu a derrota final de Napoleão Bonaparte pelos ingleses e encerrou sua carreira política e militar. Além da derrota final do Grande Exército, mais de 10.000 franceses foram mortos. 


Um fato curioso e, ao mesmo tempo assustador, é que muitos dos soldados franceses eram jovens saldáveis e, por isso, tiveram os dentes arrancados após a morte no campo de batalha para serem levados à Inglaterra, serem transformados em dentaduras e vendidos a altos preços! 

O termo "dentes de Waterloo" deve-se ao bom estado dos dentes de jovens soldados mortos aos milhares nos campos belgas.

Fontes arqueológicas comprovam que doenças dentárias eram comuns nos séculos passados, e, a partir do século XVIII, os casos de carie aumentaram drasticamente pelo alto consumo de açúcar. Uma das consequências disso foi a perda precoce de dentes, o que ocasionava, além de dificuldades estéticas, problemas para se alimentar. 

Próteses dentárias eram caras e os pouco funcionais. O uso de dentes reais para substituir os perdidos foi uma tentativa de alcançar sorriso mais natural. Os dentistas ingleses lixavam a base dos dentes e as ficavam na prótese de marfim. 


A montagem de uma fileira cheia de dentes humanos custaria a um cliente 31 libras e 10 xelins, enquanto um conjunto completo valia impressionantes £ 73 -  quatro anos de salários para um trabalhador não qualificado.


Antes das Guerras Napoleônicas, os dentes humanos para as dentaduras - principalmente os dentes da frente, fáceis de remover intactos -  eram adquiridos de criminosos executados, corpos exumados e até de animais 🤢. Muitas vezes, esses dentes estavam podres, desgastados ou contaminados com sífilis. A perspectiva de uma superabundância de dentes jovens e saudáveis ​​no campo de batalha foi uma sensação entre os dentistas ingleses! 


Note na fotografia que, apesar dos dentes da frente serem dentes humanos, os de trás são esculpidos em marfim

Em 1825, uma década após Waterloo, o inventor americano Zachariah Allen visitou Waterloo e depois notou como lhe foram oferecidos dentes recém-tirados de um esqueleto descoberto durante a construção do memorial Lion's Mound: ‘enquanto eu estava perto dos trabalhadores, que transportavam terra para o topo do monte, um dos trabalhadores virou um esqueleto humano com sua pá. "Ele rapidamente extraiu os dentes e me trouxe um punhado deles para venda. O guia observou para mim que, embora os dentes estavam bons e formavam um artigo comercial considerável para abastecer os dentistas ingleses e franceses."

O Lion's Mound é uma colina artificial de 43 metros de altura onde um enorme leão de ferro fundido relembra a Batalha de Waterloo. O monumento foi construída por ordem do Rei Guilherme I dos Países Baixos, no local onde seu filho foi ferido durante a batalha.

O uso de dentes humanos para dentaduras acabou diminuindo quando a fabricação de dentes artificiais de porcelana se tornou mais amplamente disponível a partir da década de 1840.
Hoje, as dentaduras são tipicamente feitas de acrílico, nylon ou metal. 🦷🦷🦷🦷


Referências


How they solved dentist crisis in the 19th century: Battlefields were plundered for dead soldiers' front teeth to turn into dentures as late as the 1830s, experts say: https://www.dailymail.co.uk/news/article-13056813/How-solved-dentist-crisis-19th-century-Battlefields-plundered-dead-soldiers-teeth-turn-dentures-late-1830s-experts-say.html

The dentures made from the teeth of dead soldiers at Waterloo: https://www.bbc.com/news/magazine-33085031

Waterloo teeth: disease, dentures and dentistry: https://www.mola.org.uk/discoveries/news/waterloo-teeth-disease-dentures-and-dentistry

terça-feira, 19 de agosto de 2025

As muitas imagens de Napoleão Bonaparte



Imagem 1 - General Bonaparte 

Nesta cena, o artista imaginou Napoleão na juventude e o representou com seu uniforme militar completo. Os generais usavam um chapéu bicorne de feltro preto e, na cintura, usavam um riquíssimo cinturão vermelho bordado com fio de ouro, que sustentava a espada.

Jean-Baptiste-Édouard Detaille (1848-1912), cerca de 1900 
 

Imagem 2 - Napoleão na Ponte de Arcole, Itália em 1796 (Louvre, Antoine-Jean Gros, 1801)

A obra foi criada após a Batalha da Ponte de Arcole (1796), durante a campanha da Itália, quando Napoleão, ainda um jovem general, liderou o exército francês contra as tropas austríacas. 


O artista representou Napoleão como um líder destemido e capaz de inspirar seus soldados. Ele segura a bandeira tricolor da Revolução, símbolo da França e de seus ideais.


Imagem 3  - Retrato de Napoleão como imperador

A obra é um exemplo de como a arte foi utilizada para reforçar o culto à personalidade napoleônica durante o Império Francês. 

Rijksmuseum, Amsterdam, entre 1805-1815

Napoleão procurou consolidar sua imagem como soberano e, para isso, encomendou  retratos para difundir sua figura em toda a Europa ocupada pelos franceses. 
O olhar firme e a postura imponente transmitem segurança e poder. O ambiente ao redor, com tecidos luxuosos e símbolos imperiais, reforça a grandiosidade da cena.


Imagem 4 - A Batalha de Austerlitz em 2 dezembro de 1805

A obra celebra uma das maiores vitórias militares de Napoleão Bonaparte na Batalha de Austerlitz (Batalha dos Três Imperadores) que ocorreu em 2 de dezembro de 1805, na atual República Tcheca.

 François Gérard,1810
Napoleão está no centro, calmo e sereno, contrastando com o caos da batalha ao seu redor. Sua figura aparece iluminada, destacando-o como herói e estrategista vitorioso. 


Imagem 5 - Napoleão Bonaparte em Fontainebleau em 31 de março de 1814. 

A cena se refere a queda do Império Francês após a invasão de Paris pelas tropas da Sexta Coligação (Rússia, Áustria, Prússia e Grã-Bretanha). Napoleão foi representado como um homem derrotado. Em 6 de abril de 1814, Napoleão assinou sua abdicação e foi exilado na ilha de Elba.

Paul Delaroche, 1840. Museu de Belas Artes de Leipzig, Alemanha.


Imagem 6 - "Le petit homme rouge berçant son fils" 
O homenzinho vermelho ninando seu filho. 

Um personagem com aparência demoníaca, de vermelho, com chifres, cauda e pés de animal, aparece segurando e ninando um bebê com o rosto de Napoleão. 

Artista anônimo, França final do século XVIII, início do século XIX

Legenda inferior: "Voici mon fils bien-aimé, qui m’a donné tant de satisfaction."  “Aqui está meu filho muito amado, que me deu tanta satisfação.”

Napoleão foi representado como um ser demoníaco para reforçar a visão negativa que seus adversários tinham dele. Imagens como essa foram muito usadas pelos adversários dos franceses durante as Guerras Napoleônicas. 

O bebê embalado com carinho pelo diabo simboliza suas ações políticas e militares, possivelmente o Código Civil, imposto por sua tirania e pela destruição que ele trouxe à Europa. 



Imagem 7 - Napoleão "assa as monarquias europeias" (James Gillray)

“Tiddy-Doll, the great French Gingerbread-Baker, drawing out a new Batch of Kings”, criada por 

O grande padeiro francês, Napoleão Bonaparte,  assa uma nova fornada de reis. Seu ajudante, mistura a massa em segundo plano, onde é possível ler nomes das potências inimigas derrotadas pelos franceses.
O cartunista ironiza a ideia de que ele produzia e impunha novos monarcas sob sua influência. No chão, vê-se um cesto cheio de coroas, cetros e outros símbolos reais descartados. 


Durante as Guerras Napoleônicas (1799-1815), Napoleão conquistou grande parte da Europa e reorganizou territórios e fronteiras, derrubou monarquias absolutistas e colocou aliados no trono. Essa prática era vista como tirânica e artificial pelas potências inimigas, especialmente a Inglaterra.


Imagem 8 - O rei George III, da Inglaterra e Napoleão Bonaparte (James Gillray), 1803 - gravura do livro As viagens de Gulliver 

Napoleão Bonaparte se equilibra na mão de seu inimigo, o Rei George III da Inglaterra, que o observa através de uma luneta e mal consegue ver seu pequeno inimigo. Mas a arrogância e o sabre desembainhado de Napoleão sugerem perigo.


Cinco semanas antes da publicação desta gravura, o tratado de Paz entre a Grã-Bretanha e a França tinha se rompido. 


1. Organize as informações, indicando a data e a autoria de cada imagem. Em seguida, classifique cada representação como positiva ou negativa, justificando sua escolha com base nos elementos visuais presentes nas obras.

2. Compare a imagem 1 e a imagem 5, que trazem Napoleão em destaque no primeiro plano. Apesar dessa semelhança, as representações apresentam diferenças marcantes. Explique quais são essas diferenças.

3. Leia o texto: 

    Napoleão foi um “pequeno cabo” que galgou o comando de um continente pelo seu talento pessoal. Todos os homens comuns ficavam excitados pela visão, até então sem comparação, de um homem comum que se tornara maior do que os que tinham nascido para usar coroas. Ele foi um homem civilizado do século XVIII, racionalista, curioso, iluminado. Foi o homem da Revolução, e o homem que trouxe estabilidade.
    Para os franceses ele foi também o mais bem-sucedido governante de sua longa história. Triunfou gloriosamente no exterior, mas, em termos nacionais, também estabeleceu ou reestabeleceu o mecanismo das instituições francesas que existem até hoje. Ele trouxe estabilidade e prosperidade para todos, exceto para os 250 mil franceses que não retornaram de suas guerras, embora mesmo para os parentes deles tivesse trazido a glória.

HOBSBAWM, Eric J. A era das revoluções: 1789-1848. 31. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014. P.130-131. Adaptado.

a. Retire do texto as informações de como o historiador Eric Hobsbawm descreve Napoleão Bonaparte. 
b. A descrição que o historiador Eric Hobsbawm faz de Napoleão Bonaparte se assemelha a quais representações (imagens) que você analisou? Explique.

4. Consulte a página 41 do livro didático. Organize as informações: 
a. O que foi o Congresso de Viena? 
b. O que determinou?
c. Levante hipóteses e explique como os franceses se sentiram a partir dessas determinações. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Achados arqueológicos de sepultura coletiva mostram que soldados de Napoleão morreram de fome

 Arqueólogos descobriram o lugar de descanso final de mais de três mil homens que morreram durante a retirada de Napoleão de Moscou em 1812. Agora, novas análises químicas dos ossos revelam de onde vinham esses soldados e quão difícil era encontrar o suficiente para comer.


Arqueólogos escavam vala coletiva em meio à neve em Vilnius, na Lituânia.

Mesmo com muita neve, os arqueólogos escavaram uma vala comum em Vilnius, na Lituânia. Ossos desordenados, sapatos e roupas. Botões revelaram a identidade dos mortos: mais de 40 regimentos diferentes, todos da Grande Armée de Napoleão. 

As façanhas de Napoleão são bem conhecidas da história. Em uma tentativa de impedir a invasão da Polônia pelo czar russo Alexandre I, Napoleão decidiu invadir a Rússia primeiro. Ele começou com cerca de 675.000 homens que vieram de toda a Europa, franceses, alemães, poloneses, lituanos, espanhóis e italianos. Este Grande Armée diminuiu em seu avanço para a Rússia, depois recuou quando o czar se recusou a se render e não havia suprimentos para o exército em Moscou. Quando o exército chegou a Smolensk, restavam apenas 41 mil soldados.

O Grande Armée continuou a oeste, cruzou o rio Beresina e chegou a Vilnius. Mas havia pouco para comer lá também. Cerca de 20.000 soldados morreram nessa região de hipotermia, fome e tifo. Cadáveres foram jogados em valas comuns. Uma delas, contendo restos de pelo menos 3.269 pessoas, foi escavado pelo bio-arqueólogo Rimantas Jankauskas e sua equipe em apenas um mês em 2001.


Dois novos estudos sobre esses restos tentaram responder a perguntas sobre o local de origem dos soldados, sua dieta e possíveis causas da morte. Descobriu-se que a maioria dos soldados de Napoleão podem ter vindo de áreas como a Itália. 


Os homens de Napoleão não estavam bem de saúde, mesmo antes de pararem em Vilnius. A pesquisa sobre os dentes dos soldados na vala comum mostrou cárie dentária desenfreada e indícios de estresse durante a infância, e mais de 1/4 dos mortos provavelmente sucumbiu ao tifo epidêmico, uma doença que causa febre muito alta e é transmitida por piolhos. O tifo causa ainda aumento da perda de água corporal através da urina, suor e diarreia. Relatos históricos detalham como as tropas vasculhavam infrutiferamente o campo em busca de comida e chegaram a comer seus cavalos mortos ou moribundos.

Fragment of a pocket of a soldier's uniform, with regimental buttons, from the mass grave of 1812 in Vilnius. (Image used with kind permission of Rimantas Jankauskas)


Vilnius, LITUÂNIA: (ARQUIVOS) Cerimônias de enterro de restos mortais de 3000 soldados franceses são realizadas no cemitério memorial Antakalnis (01/06/2003)



terça-feira, 3 de setembro de 2019

Museu Napoleônico em Roma

Antes mesmo da minha viagem à Europa, em 2018, tinha em mente que registraria toda e qualquer menção que encontrasse a Napoleão no meu caminho. 
Em Roma, entre a Piazza Navona e o Trastevere, bem em frente a  Piazza da Ponte Umberto, encontra-se a mansão que se converteu no Museu Napoleônico de Roma. Neste espaço o visitante encontra mobílias características desse momento histórico.



O museu ocupa todo o espaço térreo do Palazzo Primoli

Em especial, gosto muito dos museus que ocupam antigas residências, acredito que torna muito mais real pensar na opulência dessas famílias quando visitamos os espaços que ocupavam, os móveis e objetos de decoração.
Trata-se do acervo da família Primoli, descendentes da família Bonaparte pelo lado italiano, e  doado ao Estado italiano em 1927, por Giuseppe Primoli.

Joseph Chabord, Napoleão a cavalo no campo de Wagram, óleo sobre tela, 1810




A história de Roma, durante o século XIX, possui muitas conexões com Napoleão Bonaparte. Ocupada em 1808, decretada Cidade Imperial livre, em 1809, e destinada a ser governada pelo filho de Napoleão, mesmo antes de seu nascimento.



Napoelão vestido para a consagração
Pintura anônima, posteriormente atribuída a François Gérard, 1805


Após a queda do Império Francês e exílio de Napoleão, muitos membros da família Bonaparte buscaram refúgio na Itália, como sua mãe, irmãos e primos. 

Esse belo edifício foi construído no século XVI, mas foi adquirido pelos Primoli apenas no século XIX, em 1820.  Amplas salas, com tetos decorados, a águia que representa Bonaparte, pinturas, móveis, jóias, esculturas, gravuras e objetos variados que revelam características do cotidiano de uma família rica. O acervo está dividido temporalmente:  período romano (desde a queda de Napoleão até Napoleão III -1848) e Segundo Império Francês (1848-1870), mostrando que a influência francesa se fazia muito presente em Roma. 


Este museu faz parte do Musei in Comune e a entrada é gratuita.


Para Saber Mais: http://www.museonapoleonico.it/



quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Governo de Napoleão Bonaparte


Napoleão Bonaparte cruzando os Alpes
Jacques Louis David (1801-1805)

Em 1799, o Diretório girondino enfrentava a continuidade da crise econômica e o descontentamento da população. Temia-se a volta dos jacobinos, havia ameaças monarquistas. 
Napoleão Bonaparte, recém vitorioso no Egito acabava de voltar à França e era visto por muitos como um homem forte, capaz de conter a enorme crise em que a nação se encontrava, dessa forma, recebeu apoio de muitos membros do Diretório para o golpe de Estado.

General Bonaparte
Jean-Baptiste-Édouard Detaille (1848-1912), cerca de 1900 - óleo sobre tela - Nesta cena, o artista imaginou Napoleão na juventude. 

Esboço para retrato do jovem general Napoleão Bonaparte Jean-Baptiste-Édouard Detaille (1848-1912), cerca de 1900 - óleo sobre tela

No dia 18 de Brumário do Ano VIII, dispensou os membros do Conselho, forçou os demais diretores a pedirem demissão e tomou o poder. Era o fim do Diretório e da Revolução.

Bonaparte e a vitória de Arcole
Antoine-Jean Gros - Musée de Armée, Paris. 
https://en.wikipedia.org/wiki/Bonaparte_at_the_Pont_d%27Arcole#/media/File:1801_Antoine-Jean_Gros_-_Bonaparte_on_the_Bridge_at_Arcole.jpg

A Batalha de Arcole, na Itália, durou três dias. Em 15 de novembro, uma grande reviravolta ocorreu sob o comando do jovem general Bonaparte, que levou as tropas francesas à vitória. Sobre essa batalha, ele escreveria mais tarde: "Nunca uma batalha seria tão fervorosamente combatida quanto Arcole".

Napoleão construiu sua reputação de bom general, estrategista, e líder brilhante. Além disso, discursava para seus soldados e lhes enchia de ânimo e moral de luta.




Os primeiros anos na política


Inicialmente, o consulado dividia o poder em três: Bonaparte, Siyès e Ducos, os chamados cônsules. Na prática, apenas o primeiro cônsul decidia, ou seja, o poder concentrava-se em Bonaparte, que continuou as obras da Revolução no que referia-se a consolidação das conquistas burguesas e por fim à crise política e econômica que assolava a França há mais de uma década. Buscando garantir sua autoridade, em 1800, foi eleito cônsul vitalício.

Para garantir o apoio da população, medidas de cunho econômico foram tomadas, tais como:
- Realização de grandes obras públicas (edifícios, pavimentação de ruas, estradas, portos), gerando empregos e favorecendo os moradores dos centros urbanos;
- Garantiu apoio às atividades burguesas, principalmente ligadas ao comércio e à industrialização.
- Criou o franco, moeda forte francesa.
- Garantiu a antiga divisão das terras pertencentes aos nobres, feita pelos jacobinos em 1793, em pequenas propriedades, favorecendo a população camponesa e eliminando definitivamente os resquícios do feudalismo.

A medida que a economia se restabelecia, a popularidade de Napoleão aumentava.

O Código Civil, 1804, consolidou os direitos relacionados à igualdade jurídica, individuais e econômicas, tais como:


Muitos países adotaram o Código Civil Napoleônico como padrão de legislação moderna.


O Primeiro Império Francês 

Ainda em 1804, após uma tentativa de golpe dos monarquistas, os franceses, por meio de um plebiscito, elegeram Napoleão Bonaparte imperador.
Numa estranha contradição, a Constituição afirmava: "O governo da República é confiado ao imperador Napoleão".



DHÔTEL, Gerard. A Revolução Francesa: Passo a Passo. São Paulo, ClaroEnigma, 2015 p. 71.

Em 2 de dezembro, foi consagrado na catedral de Notre-Dame, em Paris. Ao se auto coroar, demonstrava a independência da França frente à Igreja.


Coroação de Napoleão Bonaparte (Le Sacré de Napoleón) - detalhe- Jacques Louis David
Museu do Louvre, Paris

A partir desse momento, Napoleão Bonaparte passou a controlar os três poderes. 

Documento histórico


Decreto do Império de 18 de maio de 1804 (28 Floreal do ano XII) que estabeleceu o Império na França. Os 142 artigos detalhavam as novas regras e os poderes confiados ao imperador, Napoleão I.

Napoleão no trono imperial


Diversas campanhas militares se iniciaram, buscando ampliar os domínios franceses no continente europeu e, consequentemente, seu império.

A ilustração a seguir representa Napoleão "assando as monarquias europeias". É possível ler nomes de outras nações europeias derrotadas na massa de pão que está sendo amassada.
O grande padeiro francês assa uma nova fornada de reis. Seu ajudante, está misturando a massa.
https://www.britishmuseum.org/research/collection_online/collection_object_details.aspx?objectId=1480110&partId=1 acesso em 22/08/2019


A medida que expandia seus domínios, o Código Civil francês era levado às regiões conquistadas, as ideias iluministas se difundiam pelo continente europeu, o que preocupava as nações absolutistas, principalmente a Áustria e a Prússia, inimigas declaradas da França desde o início da Revolução.

As coligações contra Napoleão 

Os países absolutistas uniram-se à Holanda e a Inglaterra contra a expansão das ideias revolucionárias e buscavam deter o avanço econômico francês pelos demais países do continente, porém não alcançaram os resultados esperados: deter a expansão francesa e restabelecer a monarquia.

Documento histórico




Service historique de la Defense, departament de l'armée de terre.
Carta de Napoleão de congratulações a estes homens depois da vitória em Austerlitz


Napoleon at the Tuileries- by Patrice Courcelle

O estrategista

Ao visitar o Musée de l'Armée em julho de 2018, tive a oportunidade de visitar a incrível exposição: Napoléon Stratège (Napoleão, o estrategista), que funcionou de 06/04 a 22/07 do mesmo ano.


Esta exposição homenageou o gênio militar do general e posterior imperador dos franceses. Mais de 200 objetos do acervo do Museu de Armas e de outros museus de toda Europa formaram o acervo apresentado aos visitantes, como: mapas, uniformes, objetos pessoais, manuscritos, pinturas.

A exposição busca ilustrar como foi sua educação, o contexto da Revolução, as questões em jogo no contexto e as campanhas militares. Analisa as principais batalhas, inclusive a Batalha das Pirâmides, Austerlitz, e Waterloo.

Mostra Napoleão como o centro das ações. Os equipamentos multimídia ofereciam possibilidades de pensar as estratégias como Napoleão o fazia.
Ironicamente, o campo de batalha que lhe tornou grande, foi também o local em que acabou derrotado por seus inimigos. No entanto, mais de duzentos anos depois da derrota final, seu nome continua associado a grandes gênios militares posteriores, que teriam sido por ele influenciados.




Este mapa cheio de alfinetes pertenceu ao filho adotivo de Napoleão, Eugène de Beauharnais. As diferentes formas e cores dos alfinetes indicam o posicionamento de inimigos e aliados. Nas lembranças de um antigo soldado belga, da Guarda Imperial, o coronel Scheltens descreve Napoleão: "Um grande mapa foi aberto no chão, ajoelhado sobre ele, Napoleão posicionava os alfinetes de cores diferentes (cera espanhola).


Embora não tenha registrado suas teorias e métodos de estratégia, após sua morte, um incontável número de historiadores e estudiosos de guerra o fizeram.

Caixa de medicamentos de Charles Louis Cadet de Gassicourt (1769-1821) primeiro farmacêutico de Napoleão.


Gabinete de trabalho de Napoleão Bonaparte.










http://applicationmobile.musee-armee.fr/visite-virtuelle/napoleon-stratege/#/vue_1/

O Bloqueio Continental 

Com o objetivo de enriquecer a burguesia francesa e destruir a economia inglesa, que passava pela Revolução Industrial, em 1806, Napoleão, por meio do Bloqueio Continental, proibiu que os países do continente europeu comercializassem com os ingleses. Os que desobedecessem a sanção seriam punidos e invadidos.

Embora afetada pela Bloqueio, a Inglaterra continuou exportando para as colônias nas Américas e na África, além de contrabandear produtos para a Europa, já que a burguesia francesa não foi capaz de suprir toda a demanda.

Espanha e Portugal foram invadidos, dando início ao processo revolucionário de independência na América, enquanto que, ao romper o Bloqueio, a Rússia seria palco de uma enorme reviravolta na geopolítica do século XIX.

James Gillray - um cartunista contra Napoleão


James Gillray (1756-1815) foi um dos mais importantes cartunistas e caricaturistas políticos britânicos do final do século XVIII e início do XIX. Ele representava Napoleão como baixo, agressivo, tirânico e ridículo, para desmoralizar sua imagem perante o público britânico.
Gillray contribuiu para moldar a opinião pública inglesa contra Napoleão, usando suas charges como propaganda política.

John Bull encontra Boney 

A charge ironiza o bloqueio continental imposto por Napoleão e à rivalidade econômica entre França e Inglaterra no início do século XIX. 
John Bull (representação da Inglaterra) e Boney (diminutivo pejorativo de Napoleão) parecem determinados em “segurar” seus respectivos bloqueios, como em um duelo de resistência.
A charge sugere que o bloqueio de Napoleão não teria sucesso frente ao poder marítimo britânico. John Bull aparece saudável e confiante, enquanto Napoleão é representado de forma arrogante, mas isolado, reforçando a visão inglesa de superioridade econômica e naval. A mensagem é que a Inglaterra resistiria ao bloqueio francês e que o império de Napoleão acabaria prejudicado por suas próprias medidas.


John Bull: Agora, Mestre Bonoy (apelido depreciativo de Napoleão) vamos ver quem resistirá por mais tempo, meu muro ficará no seu caminho. Até breve. Acredito que você ficará muito feliz em trocar sua sopa de carne moída pelo meu rosbife (prato típico inglês).

Boney: Quem poderia imaginar que ele construiria um muro? Eu realmente começo a pensar que era melhor tê-lo deixado em paz. De alguma forma, não consigo temperar minha sopa.

A Campanha da Rússia 


Em 1812, os exércitos franceses, cerca de 675 mil homens, atravessaram as fronteiras da Rússia. O czar Alexandre, incapaz de enfrentar tamanho exército, os atraiu para o interior do território. 

Os camponeses queimaram sua produção, casas, fazendas e celeiros. Sem abrigo ou alimentos, o Grande Exército francês sofreu imensamente com o rigoroso inverno russo. Sem alternativa, Napoleão retirou suas tropas para Oeste.


Ao tomar o caminho de volta, cansados, famintos e doentes, o Grande exército francês foi surpreendido pelos exércitos da Coligação. Os franceses venceram algumas batalhas, porém não resistiram a superioridade numérica.

Em março de 1814, Paris foi tomada pelos exércitos da Coligação. O Tratado de Fontainebleau obrigou Napoleão a abdicar e foi exilado na ilha de Elba, próxima à costa da Itália e decreta a volta da monarquia, com Luís XVIII (irmão de Luís XVI, guilhotinado em 1793), no entanto, os ideais iluministas estavam difundidos, os reis Bourbon não conseguiriam impor as práticas absolutistas e a França enfrentaria muitos anos de instabilidade política.


A ilustração, de autoria alemã, ironiza a trajetória do general Bonaparte.

https://www.thinglink.com/scene/1027033324226347010 acesso em 22/08/2019




A volta para a França e o repouso final



"Oh, brille dans l'historie, (Oh, brilhe na história)
Du funèbre triomphe impérial flambeau (Da tocha imperial, o triunfo)
Que le peuple à jamais te garde en sa mémoire, (Que o povo para sempre o guarde em sua memória)
Jour beau comme la gloire, (Lindo dia como a glória)
Froid comme le tombeau!"(Frio como o túmulo!)

Victor Hugo










Referências

  • CHANTERANNE, David. Napoleão: sua vida, suas batalhas, seu império. Rio de Janeiro: Agir, 2012.
  • DHÔTEL, Gerard. A Revolução Francesa: Passo a Passo. São Paulo, ClaroEnigma, 2015.
  • Fotos: acervo da autora.

Para Saber Mais: Site da Exposição Napoleão, o Estrategista: 

Outras curiosidades: