Aqui só tem História

Aqui só tem História
Mostrando postagens com marcador 8˚ ano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 8˚ ano. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de agosto de 2025

As muitas imagens de Napoleão Bonaparte



Imagem 1 - General Bonaparte 

Nesta cena, o artista imaginou Napoleão na juventude e o representou com seu uniforme militar completo. Os generais usavam um chapéu bicorne de feltro preto e, na cintura, usavam um riquíssimo cinturão vermelho bordado com fio de ouro, que sustentava a espada.

Jean-Baptiste-Édouard Detaille (1848-1912), cerca de 1900 
 

Imagem 2 - Napoleão na Ponte de Arcole, Itália em 1796 (Louvre, Antoine-Jean Gros, 1801)

A obra foi criada após a Batalha da Ponte de Arcole (1796), durante a campanha da Itália, quando Napoleão, ainda um jovem general, liderou o exército francês contra as tropas austríacas. 


O artista representou Napoleão como um líder destemido e capaz de inspirar seus soldados. Ele segura a bandeira tricolor da Revolução, símbolo da França e de seus ideais.


Imagem 3  - Retrato de Napoleão como imperador

A obra é um exemplo de como a arte foi utilizada para reforçar o culto à personalidade napoleônica durante o Império Francês. 

Rijksmuseum, Amsterdam, entre 1805-1815

Napoleão procurou consolidar sua imagem como soberano e, para isso, encomendou  retratos para difundir sua figura em toda a Europa ocupada pelos franceses. 
O olhar firme e a postura imponente transmitem segurança e poder. O ambiente ao redor, com tecidos luxuosos e símbolos imperiais, reforça a grandiosidade da cena.


Imagem 4 - A Batalha de Austerlitz em 2 dezembro de 1805

A obra celebra uma das maiores vitórias militares de Napoleão Bonaparte na Batalha de Austerlitz (Batalha dos Três Imperadores) que ocorreu em 2 de dezembro de 1805, na atual República Tcheca.

 François Gérard,1810
Napoleão está no centro, calmo e sereno, contrastando com o caos da batalha ao seu redor. Sua figura aparece iluminada, destacando-o como herói e estrategista vitorioso. 


Imagem 5 - Napoleão Bonaparte em Fontainebleau em 31 de março de 1814. 

A cena se refere a queda do Império Francês após a invasão de Paris pelas tropas da Sexta Coligação (Rússia, Áustria, Prússia e Grã-Bretanha). Napoleão foi representado como um homem derrotado. Em 6 de abril de 1814, Napoleão assinou sua abdicação e foi exilado na ilha de Elba.

Paul Delaroche, 1840. Museu de Belas Artes de Leipzig, Alemanha.


Imagem 6 - "Le petit homme rouge berçant son fils" 
O homenzinho vermelho ninando seu filho. 

Um personagem com aparência demoníaca, de vermelho, com chifres, cauda e pés de animal, aparece segurando e ninando um bebê com o rosto de Napoleão. 

Artista anônimo, França final do século XVIII, início do século XIX

Legenda inferior: "Voici mon fils bien-aimé, qui m’a donné tant de satisfaction."  “Aqui está meu filho muito amado, que me deu tanta satisfação.”

Napoleão foi representado como um ser demoníaco para reforçar a visão negativa que seus adversários tinham dele. Imagens como essa foram muito usadas pelos adversários dos franceses durante as Guerras Napoleônicas. 

O bebê embalado com carinho pelo diabo simboliza suas ações políticas e militares, possivelmente o Código Civil, imposto por sua tirania e pela destruição que ele trouxe à Europa. 



Imagem 7 - Napoleão "assa as monarquias europeias" (James Gillray)

“Tiddy-Doll, the great French Gingerbread-Baker, drawing out a new Batch of Kings”, criada por 

O grande padeiro francês, Napoleão Bonaparte,  assa uma nova fornada de reis. Seu ajudante, mistura a massa em segundo plano, onde é possível ler nomes das potências inimigas derrotadas pelos franceses.
O cartunista ironiza a ideia de que ele produzia e impunha novos monarcas sob sua influência. No chão, vê-se um cesto cheio de coroas, cetros e outros símbolos reais descartados. 


Durante as Guerras Napoleônicas (1799-1815), Napoleão conquistou grande parte da Europa e reorganizou territórios e fronteiras, derrubou monarquias absolutistas e colocou aliados no trono. Essa prática era vista como tirânica e artificial pelas potências inimigas, especialmente a Inglaterra.


Imagem 8 - O rei George III, da Inglaterra e Napoleão Bonaparte (James Gillray), 1803 - gravura do livro As viagens de Gulliver 

Napoleão Bonaparte se equilibra na mão de seu inimigo, o Rei George III da Inglaterra, que o observa através de uma luneta e mal consegue ver seu pequeno inimigo. Mas a arrogância e o sabre desembainhado de Napoleão sugerem perigo.


Cinco semanas antes da publicação desta gravura, o tratado de Paz entre a Grã-Bretanha e a França tinha se rompido. 


1. Organize as informações, indicando a data e a autoria de cada imagem. Em seguida, classifique cada representação como positiva ou negativa, justificando sua escolha com base nos elementos visuais presentes nas obras.

2. Compare a imagem 1 e a imagem 5, que trazem Napoleão em destaque no primeiro plano. Apesar dessa semelhança, as representações apresentam diferenças marcantes. Explique quais são essas diferenças.

3. Leia o texto: 

    Napoleão foi um “pequeno cabo” que galgou o comando de um continente pelo seu talento pessoal. Todos os homens comuns ficavam excitados pela visão, até então sem comparação, de um homem comum que se tornara maior do que os que tinham nascido para usar coroas. Ele foi um homem civilizado do século XVIII, racionalista, curioso, iluminado. Foi o homem da Revolução, e o homem que trouxe estabilidade.
    Para os franceses ele foi também o mais bem-sucedido governante de sua longa história. Triunfou gloriosamente no exterior, mas, em termos nacionais, também estabeleceu ou reestabeleceu o mecanismo das instituições francesas que existem até hoje. Ele trouxe estabilidade e prosperidade para todos, exceto para os 250 mil franceses que não retornaram de suas guerras, embora mesmo para os parentes deles tivesse trazido a glória.

HOBSBAWM, Eric J. A era das revoluções: 1789-1848. 31. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014. P.130-131. Adaptado.

a. Retire do texto as informações de como o historiador Eric Hobsbawm descreve Napoleão Bonaparte. 
b. A descrição que o historiador Eric Hobsbawm faz de Napoleão Bonaparte se assemelha a quais representações (imagens) que você analisou? Explique.

4. Consulte a página 41 do livro didático. Organize as informações: 
a. O que foi o Congresso de Viena? 
b. O que determinou?
c. Levante hipóteses e explique como os franceses se sentiram a partir dessas determinações. 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O absolutismo e a sociedade da corte

Luís XIV é, sem dúvidas, o maior símbolo do absolutismo francês. O rei nasceu em 1638. Com a morte de seu pai, Luís XIII apenas 5 anos depois. O jovem rei foi educado pelo Cardeal Mazarino, e este o convenceu que o soberano governava por meio do direito divino, respondendo apenas a Deus e detendo o poder supremo na Terra. 

Analise os documentos a seguir. 

Documento 1 - Memórias de Luís XIV

"As minhas maiores paixões", revelou Luís XIV nas suas memórias, "são, certamente, o amor e a glória". O rei viveu como se a sua existência fosse uma longa peça de teatro, em que todos os atos, gestos e palavras foram escolhidos e ensaiados para produzir o máximo efeito em seus súditos. 
As principais aparições públicas do rei aconteciam nos "carousels", suntuosas festas ao ar livre, grandes eventos da corte. Na sua juventude, o rei participava, por vezes, de bailes, onde sempre fazia uma entrada espectacular.


Em uma festa realizada no início da década de 1660, foi cunhada para o rei, então com 24 anos, uma medalha em que o Sol se erguia sobre a Terra. A partir de então, Luís XIV passou a ser conhecido como "Rei-Sol" e os funcionários reais tinham instruções para submeter ao rei todos os assuntos de Estado.
Tal como o Sol, Luís brilhava. Tal como os planetas giravam em torno do Sol, os nobres franceses gravitavam ao redor do rei. O nascer e o pôr do Sol marcavam o início e o fim de um dia de trabalho dos franceses, enquanto em Versalhes, o levantar e o deitar da estrela terrena da França, o rei marcava a vida dos cortesãos e trabalhadores do palácio. 


Luís XIV governou a França durante um de seus períodos de maior prosperidade. Entre 1643 e 1715, ele estendeu as fronteiras e contribuiu para o fortalecimento do país como potência política e econômica. Também patrocinou o trabalho de escritores como Voltaire e do dramaturgo Molière.

Documento 2 - Vatel, um banquete para o rei


Assistir a uma refeição do rei era uma honra; ser chamado por ele durante a refeição, a marca suprema do favor real; e comer com ele ou servir-lhe a comida, a máxima honraria. 
A gastronomia como é conhecida hoje teve origem na época do Rei Sol. Ele considerava essencial a culinária francesa se destacar. As sobremesas surgiram desse empenho pela diferenciação.
Assista a cena que representa a entrada do rei em um banquete preparado em sua homenagem, Se atente à grandiosidade das vestimentas e do Palácio de Versalhes.



Documento 3 - Versalhes

A vida no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, onde a corte se instalou a partir de 1682, obedecia a duas regras básicas: nada se fazia a não ser que agradasse ao rei e tudo o que se fizesse deveria glorificá-lo.

No decorrer de seu longo reinado de 72 anos, muitos nobres abandonaram as suas propriedades para se tornarem cortesãos e estarem próximos do rei e da família real. 
No Palácio, jardins e bosques dos arredores, os nobres passavam o dia em atividades como a caça ou em jogos e a noite dançavam e ouviam música.

Mesmo que Luís não estivesse presente em uma sala, agia-se como se estivesse. Ninguém ousaria voltar costas ao retrato do rei ou entrar na sua sala de refeições ou no seu quarto de chapéu na cabeça ou sem dobrar o joelho.

O seu bisneto, Luís XV e o neto deste Luís XVI, continuaram a tradição real de vida luxuosa, mas nenhum se igualou ao Rei-Sol em carisma ou capacidade de decisão.

Explore o retrato de Luís XIV em 3D




A recriação do retrato de Luís XIV pintado por Hyacinthe Rigaud pela realidade virtual nos possibilita observar o monarca a partir da perspectiva do artista e apreciar todos os detalhes da suntuosa obra, como a decoração, os têxteis e os trajes. 


Documento 4 - O inventor do luxo

Luís XIV inventou o luxo tal como o conhecemos hoje. Tudo o que o rei usava se tornava moda, os diamantes e o champanhe, por exemplo, tornaram-se sinônimo de sofisticação e glamour em seu reinado. Os sapatos elegantes de salto alto foram idéia dos artesãos palacianos. A gastronomia francesa, com seus chefs, e a alta-costura, com seus estilistas-estrelas, apareceram durante seu reinado, assim como as butiques, as grifes e os salões de cabeleireiros. 



As monarquias europeias sempre se cercam de luxos e riquezas para se diferenciar do restante da população, a diferença, no caso da corte de Luís XIV é que o luxo deixou se transformar em objeto de consumo: a Europa ficou fascinada pelas criações da corte francesa. Todos queriam roupas, móveis e receitas culinárias vindas da França – há até um estilo de móveis e pinturas chamado Luís XIV. Os franceses souberam se aproveitar desse sucesso e transformaram a moda, os perfumes e a gastronomia em um dos alicerces da economia do país.



A escritora estadunidense Joan DeJean, 
especialista em cultura francesa no livro The Essence of Style (A Essência do Estilo), explica: "Luís XIV era obcecado pela idéia de que ostentar o luxo era uma forma de demonstrar poder". Segundo a pesquisadora, o apreço do rei pelo luxo não era apenas uma questão de vaidade, mas parte da estratégia de promoção da França. Paris deveria ser admirada e seu esplendor devia deixar na sombra seus principais rivais, Londres e Amsterdã. 

Jean-Baptiste Colbert, ministro da economia e grande economista, lançou o primeiro jornal de moda, o Mercure Galant, como estratégia promover as vestimentas parisienses e as tornar cobiçadas. A partir de 1670, Colbert difundiu a ideia de que as coleções deveriam mudar a cada estação, incentivando o consumo.Quando o reinado de Luís XIV começou, a França não exercia qualquer domínio sobre a moda. 72 anos depois, a corte francesa era símbolo de estilo e bom gosto e os comerciantes dominavam lucrativo comércio de artigos de luxo ocidental. O luxo movimentou, e muito, a economia. 

Atividade

1. Defina 3 palavras chave para cada documento. 
2. Após analisar os documentos, estabeleça a relação entre o poder absoluto francês, a sociedade da corte e a ostentação durante o reinado de Luís XIV. 


📚 Vale a pena Ler: 


Luís XIV: Por que o monarca era conhecido como Rei Sol?

Peculiaridades e intimidade escancarada, a referência do rei ao principal astro tinha significados curiosos


Gabarito
2. Os monarcas absolutos ostentavam todo o luxo e riqueza que sua época poderia lhes proporcionar, tudo o que faziam ou usavam virava moda ao ser copiado pela corte que os rodeava, bajulava e paparicava. Esses monarcas se mostravam tão ricamente trajados, tão amplamente adulados para diferenciar-se das demais pessoas da nação, eram soberbos, nobres abençoados por Deus e não poderiam contentar-se apenas com o que contentava-se os simples mortais da época, é a ideia de personificação: "O Estado sou eu" como diria Luís XIV.