Por volta de 430 a. C, uma doença causou a morte de milhares de atenienses. Em uma única vala, cento e cinquenta homens, mulheres e crianças foram enterrados às pressas, de forma desordenada e com poucos objetos funerários, no cemitério de Kerameikos.
Entre 1994 e 1995, durante as obras de construção do metrô de Atenas, a vala foi encontrada.
O estudo dos restos mortais e a análise de DNA foi capaz de determinar a causa da peste tão mortal. Uma equipe médico-odontológica analisou a polpa de três dentes intactos, de crânios diferentes, onde foi possível identificar a bactéria salmonella enterica typhi, causadora da febre tifóide, também conhecida como tifo. A doença é transmitida através da ingestão de água ou alimentos contaminados por bactérias.
Os principais sintomas da doença são: indisposição, febre alta, dores e surtos no abdômen, aumento do fígado e do baço, que causam manchas rosadas, além de diarreia com presença de sangue, entre outros.
A equipe de cientistas decidiu analisar um dos crânios, em excelente estado de conservação. Ele pertencia a uma menina de 11 anos, que os cientistas chamaram de Myrtis, nome comum entre as mulheres do período.
Myrtis era um nome comum entre as mulheres gregas antigas.
Reconstituição facial de Myrtis
Um scanner especial determinou as características do crânio de Myrtis, e especialistas gregos e suecos puderam recriar a forma, o tamanho e a posição dos olhos, orelhas, nariz e boca.
Após 2.500 anos, Myrtis “volta à vida”!
1. Cabelo ruivo, dentes salientes e um leve sorriso no rosto de Myrtis, que foi construído com resinas especiais para se assemelhar à pele humana e depois finalizado com cabelo, sobrancelhas e cílios, além de um vestido desenhado por uma estilista grega contemporânea com base nos vestidos da Antiguidade.
2. O crânio foi inserido em um tomógrafo computadorizado de última geração (no Centro do Cérebro) que registra 64 cortes por segundo. Os cortes foram então enviados ao Instituto de Educação Tecnológica de Creta, onde uma réplica de plástico foi produzida com extrema precisão.
Etapas da reconstrução facial do crânio replicado de Myrtis. (A) Após a colocação dos pinos, mostrando a espessura do tecido. (B) Após a colocação dos olhos. (C) Após a colocação da derme. (D) O rosto de Myrtis, totalmente reconstruído.
3. Em vários pontos da réplica e pinos especiais, de tamanhos variados, foram colocados para servirem como guias para a espessura da argila que deveria ser espalhada em cada ponto do crânio.
Para determinar a espessura dos músculos, foram levados em conta: sexo, idade, raça e hábitos alimentares. Aproximadamente 20 músculos foram criados e o rosto foi modelado com argila especial, músculo por músculo. Olhos castanhos devem-se à origem da menina.
Hoje, Myrtis é uma personagem da ONU, uma amiga dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e sua representação foi usada em diversas campanhas contra a pobreza, buscando impedir a morte de crianças por doenças curáveis.
Para saber mais:
Myrthis na ONU: https://unric.org/en/myrtis/
Nenhum comentário:
Postar um comentário