Aqui só tem História

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Pompeia - as incríveis moradias que sobreviveram ao tempo

Visitar Pompeia é, sem qualquer dúvida, uma experiência incrível! 


Pompeia e seu algoz, Vesúvio - entardecer - vista a partir da necrópole

Como seria viver na Roma Antiga? Quantas vezes já não me perguntei isso... 
Em Pompeia e Herculano, imaginar como deve ter sido a vida desses homens e mulheres há 2 mil anos é uma tarefa mais fácil. 
As cinzas e rochas do Vesúvio mantiveram as estruturas tais quais eram no ano 79 d. C. Andar pelas antigas ruas, com seus pavimentos originais, fontes, casas, marcas de uso, principalmente para historiadores, memorável. 


Vista externa de casa na região IV - área residencial

Os afrescos foram um dos aspectos que mais chamaram minha atenção. Parece inacreditável, ao observar as estruturas das antigas casas que seu interior tenha sido preservado da maneira extraordinária em que, suas cores, detalhes, estilos e características foram conservados  após tanto tempo. 
Para os romanos, a Domus, grande casa senhorial, era muito importante. A medida que a cidade crescia, e os espaços para construção tornavam-se mais raros, e caros, os donos dessas habitações passaram a investir em sua decoração interna. A riqueza dos detalhes era sinônimo de riqueza e ascensão social de seus proprietários.

Estrutura básica de uma Domus de Pompeia





Reprodução de uma típica Domus de Pompeia

BONAVENTURA, Maria Antonietta Lozzi. Pompeia Reconstruída. Itália, 2012. Páginas 44 e 45





Pompeia era uma importante cidade portuária, a qual comercializava com muitas cidades do Mediterrâneo, a influência de outras culturas, principalmente helenísticas, ficam evidentes nos espaços internos das Domus. 
As ínsulas eram residências menores do que as Domus, grandes casas senhoris. 
Em todas as Domus, além dos detalhes e objetos decorativos, nos chamou a atenção a temperatura. Na rua, o calor era extremo, que, juntamente com a umidade litorânea, fazia com que  a sensação térmica fosse por volta de 40˚, no entanto, dentro das casas a temperatura era muito agradável. 

Casa dell'Orso ferito, Região VII

Recém aberta ao público após ficar fechada por 20 anos.

Fonte com a representação da deusa Vênus e Netuno




Via Nocera -  Domus del Triclínio all' aperto (ao ar livre) - Região II - restauro e revitalização da antiga estrutura



É possível notar, ao observar pela janela, no interior uma estátua da deusa Vênus em um dos vestíbulos da Domus

Estátua de Vênus, em mármore, ainda com traços de pintura

Fechada durante décadas, esse espaço foi recém aberto à visitações devido à inciativa ligada ao grande projeto Pompei GGP Coperture. 
Essa residência me chamou a atenção pela delicadeza de seus afrescos: imitavam mármore e traziam representações de pássaros. 
As pinceladas do artista (ou dos artistas) era tão suave quanto a que se produz com aquarelas. 





O local sofreu intervenções, que substituíram as superfícies desgastadas dos revestimentos existentes e também, em certos casos, as estruturas secundárias do telhado, que sofreram danos significativos após anos de deteriorização. Algumas lajes, instaladas nos anos 50, de concreto armado, pesadas e inseguras, foram substituídas por fibras de carbono para evitar danos à estrutura antiga que sua remoção poderia causar, sendo instaladas pranchas e lajes de madeira, mais coerentes com os métodos de conservação e capazes de restaurar a imagem dos métodos antigos de construção. 
Outra importante intervenção foi a do Maenianum - a sacada que se projeta sobre a entrada da casa do Triclínio, que possibilita ao visitante visualizar como eram as moradias na Antiguidade. 

Inúmeros vestígios podem ser contemplados a partir da entrada da casa

Interior de Insula -  del Triclínio all aperto - Região II 

Objetos encontrados na residência: 
Recipiente de terracota para alimentos,  século I d. C. 
Recipiente para cozimento de alimentos, século I d. C. 
Recipientes de terracota para fritar alimentos, século I d. C. 
Tampas de Terracota, século I d. C. 
Ânforas de terracota, século I d. C. 
Taças de terracota, século I d. C. 



Todos os objetos são fontes históricas datadas do século I d. C. 
Tessera em osso (dado romano utilizados em jogos); 
Recipientes de vidro para cremes ou pomadas; 
Contas de colar feitas em pasta vitria, 
Lâmpadas de terracota; 
Máscaras teatrais, 
Pesos de chumbo. 



Pássaros, cenas mitológicas e representações que imitam mármore e conferem profundidade à cena

Via Nocera - uma casa mais simples 

Nessa casa estreita e simples, escavada muitas vezes: 1954, 1971, 1985-87, percebe-se a existência de vários núcleos independentes. O espaço é estreito, um corredor leva à cinco salas, incluindo um viridarium (jardim romano). 
Um rico triclinium, sala de jantar formal, está localizado entre o vinhedo, provavelmente  sendo utilizado para jantares no verão. É embelezado por duas fontes, feitas com pasta vitrea, pedra-pomes e conchas. 
É possível chegar a casa também pela Via Palestra, pode ter sido também utilizado como uma taberna pelos clientes do anfiteatro próximo. 




Todos os objetos são fontes históricas datadas do século I d. C. 
Martelo de mármore com o formato de um dedo
Prato e copo de cerâmica rosada
Copo com verniz rosado proveniente da Gália
Copo de vidro
Recipiente para unguento de vidro
Garrafa de vidro


O jardim contrasta com o espaço apertado da casa. É vasto e, como deve ter sido no passado, hoje mantém-se como um vinhedo. 

A incrível Casa do Fauno Dançante 

Região VI

Essa domus foi construída no século II a. C. e mistura influências originárias samitas, romanas e helenísticas (gregas). 
Entrada da casa, saudação Ave na rua, próximo à calçada



O nome da casa deve-se a uma pequena escultura em bronze de um fauno, em uma posição em que parece dançar. 

Antes: 

Hoje: 



BONAVENTURA, Maria Antonietta Lozzi. Pompeia Reconstruída. Itália, 2012. Páginas 44 e 45



Impluvium do átrio principal

Entrada principal e um dos larários (lararium)

Mosaico Batalha de Alexandre e Dario - quantas vezes já o vi em livros didáticos, inseri em slides... 

O original encontra-se no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles



Incrível peristilo, com 28 colunas e uma fonte no centro 

Muitos outros mosaicos adornavam a rica Domus


Casa de Pasquio Proculo


Essa rica Domus, localizada na Via dell'Abbondanza, pertencia a Pasquio Proculo. Fechada para visitação no dia de nossa visita. 





Casa dei Pasquio Proculo - mosaico com representação de um cão logo na entrada

É possível notar um implúvio, tanque para coletar a água da chuva. Toda a extensão do piso possui aplicação de mosaicos, e as paredes apresentam afrescos da época posterior ao terremoto de 62 a. C. levando-nos a concluir que tratava-se de uma casa nova. Também é possível notar, na parte de trás da foto, a existência de um jardim. 

Área IV - Os afrescos magníficos











Visão geral dos afrescos 


Detalhes - imitação de elementos helenísticos em mármore 










Casas na Via dell'Abbondanza 


















Casa de Marcus Lucretius
























Para saber mais: http://pompeiisites.org/

Pompeia em 3D: http://www.pompeiitouch.com/it.php



quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

8˚ano: exercício - Napoleão, o Estrategista

Musée de lÁrmée – Paris – Exposição:(06 de abril a 22 de julho de 2018) – acervo pessoal

Objeto do conhecimento: A Revolução Francesa e seus desdobramentos

Habilidades:
(EF08H104) Identificar e relacionar os processos da Revolução Francesa e seus desdobramentos na Europa e no mundo.
(EF08H106) Aplicar os conceitos de Estado, nação, território e país para o entendimento de conflitos e tensões.

Documento 1:

Imagem elaborada pelo Museu de Armas de Paris para ilustrar a exposição Napoleão Estrategista (Napoléon Stratège)

Documento 2:

      Tecnicamente os velhos exércitos eram mais bem treinados e disciplinados, e onde essas qualidades eram decisivas, como na guerra naval, os franceses eram sensivelmente inferiores. Eles eram bons corsários e rápidos incursores, mas não podiam compensar a falta de um número suficiente de marujos treinados e sobretudo oficiais navais competentes, classe que havia sido dizimada com a Revolução, pois constituía-se amplamente de elementos provenientes da pequena nobreza, que não poderia ser rapidamente improvisada. 
    Em seis grandes e oito pequenas batalhas navais entre britânicos e franceses, as baixas francesas foram cerca de dez vezes maiores que as dos ingleses. Mas no que refere-se à organização improvisada, mobilidade, flexibilidade e acima de tudo pura coragem ofensiva e moral de lutas, os franceses não tinham rivais. Estas vantagens não dependem do gênio militar de ninguém, pois o saldo militar dos franceses antes que Napoleão tomasse o poder era bastante impressionante, e a qualidade média do generalato francês não era excepcional. 
     Mas isto deve ter em parte dependido do rejuvenescimento dos quadros militares franceses dentro e fora do país, o que é uma das principais consequências de qualquer revolução. 

HOBSBAWN, Eric. A Era das Revoluções: Eropa 1789 -1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014. p. 146.

a) A partir da observação do documento 1, como os organizadores da exposição: Napoléon Stratège, apresentam Bonaparte? 
b) Segundo o documento 2, por que os exércitos franceses eram inferiores na guerra naval? Destaque uma frase no texto que evidencie a conclusão do autor nessa inferioridade. 
c) Quais eram as qualidades do novo exército francês?
d) Os documentos apresentados são complementares ou contraditórios? Explique. 

Respostas: 

a) Os organizadores da exposição apresentam Bonaparte como um grande estrategista. Pode-se notar que as grandes vitórias francesas durante as guerras que ocorreram durante a Revolução contra as diversas Coligações da Santa Aliança e as ocorridas durante sue governo estão representadas como gravuras em seu cérebro, ou seja, fruto de sua engenhosa estratégia. 
b) O autor apresenta a inferioridade naval francesa como resultado da Revolução de 1789, uma vez que a maioria dos integrantes da marinha eram provenientes da nobreza e haviam sido dizimados durante o processo revolucionário.
c) Hobsbawn elogia aspectos do novo exército francês no que refere-se à organização, improvisação, mobilidade, flexibilidade e, acima de tudo, coragem ofensiva e moral de luta.
d) Os documentos são contraditórios, enquanto a gravura apresenta Bonaparte como um engenhoso estrategista militar, Hobsbawn apresenta o sucesso do exército francês como resultado do rejuvenescimento dos quadros militares franceses dentro e fora do país, que ocorreria com ou sem Bonaparte.

sábado, 1 de setembro de 2018

A Cripta Arqueológica de Paris

Na praça de Notre Dame, logo abaixo do nível do solo, encontra-se a cripta arqueológica de Paris.

Paris é um local ocupado por populações humanas há milênios. A Île de la Cité guarda os vestígios mais antigos dessa ocupação. Local fértil e protegido, garantiu segurança e prosperidade a seus habitantes ao logo de diferentes períodos históricos. 

Cripta Arqueológica de Paris



Catedral e área arqueológica, que hoje é a Cripta


A cripta arqueológica da cidade, localizada na praça da Catedral de Notre Dame, possibilita reviver como era a vida de muitas gerações de homens e mulheres que a ocuparam.
Visitar a cripta proporciona uma visão única acerca do desenvolvimento da Île de la Cité, coração histórico de Paris. 



 É possível visualizar como eram as antigas estruturas da cidade. Os vestígios são impressionantes!
Além dos vestígios de construção e ocupação de diferentes épocas,  a exposição  O ouro do poder, de Júlio César à Marianne apresenta moedas e outros objetos de ouro e prata desde a ocupação romana até à Idade Moderna (época da Revolução Francesa - de Marianne).
Outros objetos mais simples, também encontrados nas fundações da Île de la Cité,  nos possibilitam vislumbrar a vida cotidiana de seus antigos habitantes. 


O mais interessante é que a exposição não segue uma ordem cronologicamente estabelecida, mas sim, a ordem em que os achados arqueológicos foram encontrados, portanto, caberá ao visitante localizar os símbolos e verificar a que período os vestígios pertencem. 


Perfil do imperador Júlio - Império Romano (27 a.C. ao século 4˚)


Uma gárgula de Notre Dame - Idade Média (séculos XII ao XV)



Construção Clássica - Era Moderna (séculos XV ao XVIII) 


Muitos personagens da história da Île de la Cité





Áreas de fundações arqueológicas na I' Île de la Cité

vestígios de um antigo porto na Cité


Área residencial





As diferentes épocas de ocupação da Île de la Cité


Época Galo-Romana - cidade de Lutetia: 

Desenvolve-se na margem esquerda  durante o reinado do Imperador Augusto (27 a.C). O local era frequentado pela tribo gaulesa chamada Parisii, nome que aparece em moedas recuperadas do rio Sena. No primeiro século depois de Cristo, algumas ilhas do Sena se juntaram para formar a Île de la Cité. 









Estatuários e outros exemplos de antigos monumentos reconstituem o antigo traçado de Lutèce, com sua arena romana e dos bancos do lado esquerdo do Sena. 






As moedas, no decorrer da História, possuem um duplo papel, servem à transações comerciais, mas também como mecanismo de propaganda política, ao trazer cunhado o perfil de uma importante personalidade histórica. As cores e seu estado de conservação permitem aos arqueólogos descobrirem a importância dessa personalidade e o período em que se manteve em circulação.

Inscrição: C CAESAR COS PONT AVG (Caius Consul Pontífice, Augusto)
No verso: CAESAR DICT PERP PONT MAX ( César, ditador perpétuo, grande pontífice) 

No final da República Romana, Júlio César, homem poderoso durante os últimos anos do regime ordena a cunhagem de moedas (aureus) com metais resultantes de suas campanhas pelas Gálias. Elas entram em circulação pouco tempo antes de sua morte, em 44 a. C. Com autorização do Senado, já que pessoas vivas não eram homenageadas em cunhagens, honra reservada aos mortos. 
Otávio, seu sobrinho e filho adotivo, nomeado Cônsul em 43 a.C. pelo Senado, faz a moeda circular nas províncias das Gálias. 


Moedas romanas



Espada e lança encontrada na mesma área das moedas romanas

A circulação de moedas é difundida em todo o Império Romano, a cunhagem traz as cunhagem trazem o perfil do imperador ou da imperatriz, como é o caso do detalhe do perfil da imperatriz Faustina, a inscrição é FAUSTINA AUGUSTA, ou Faustina, a Imperatriz. 



A partir do 3˚ século depois de Cristo 

Até o 5˚ século, Lutécia (em latim Lutetia) se tornou um local estratégico para defesa das possessões romanas na região contra as ameaças de invasões germânicas. A Île de la Cité foi fortificada e, em 308, tornando-se o centro da cidade, enquanto a margem esquerda é parcialmente abandonada. 





A Idade Média

O desenvolvimento urbano da Île de la Cité é organizado ao redor da catedral, cuja construção se iniciou em 1163, a Rue Neuve Notre-Dame é criada e outras igrejas e casas são construídas. A ocupação torna-se cada vez mais densa. 

                                     


Paris e suas muralhas 
As muralhas são erguidas com as pedras da antiga arena de Lutece. 





Colheres, pequenas estátuas femininas, brinquedos (como os pequeninos peões), botões. 


A muitas etapas da Construção de Notre Dame









As ruas de Paris mantiveram, por toda Idade Média, o traçado do Império Romano, eram habitações de madeira, becos e ruelas que ocupavam o terreno até muito próximo à Catedral, característica urbanística que apenas será alterada no século XIX. 




Século XVIII

Numerosas construções medievais são destruídas para facilitar a circulação e instalações sanitárias na Île de la Cité: a praça é expandida, Rue Neuve de Notre-Dame é alargada e um orfanato, chamado Enfants-Trouvés (Hospital dos Enjeitados) é construído. 

Século XIX


O prefeito Haussmann radicalmente reorganizou o traçado urbano demolindo uma série de monumentos antigos e becos. Um novo hospital, o Hôtel-Dieu, é construído na praça da catedral que se tornariam quartel general da polícia. A atual configuração da praça da catedral é decorrência desse radical processo urbanístico. 






Informações em livre tradução a partir das informações da Cripta.

Para Saber Mais: http://www.crypte.paris.fr/en/crypt