Aqui só tem História

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Dicas de leitura - Grécia Antiga

Dicas de Leitura - paradidáticos para o 5˚ e 6˚ ano que atendem às habilidades da BNCC: 


5˚ ano

(EF05HI01) Identificar os processos de formação das culturas e dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico ocupado.

(EF05HI02) Identificar os mecanismos de organização do poder político com vistas à compreensão da ideia de Estado e/ou de outras formas de ordenação social.

(EF05HI03) Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.

(EF05HI05) Associar o conceito de cidadania à conquista de direitos dos povos e das sociedades, compreendendo-o como conquista histórica.

6˚ ano

(EF06HI09) Discutir o conceito de Antiguidade Clássica, seu alcance e limite na tradição ocidental, assim como os impactos sobre outras sociedades e culturas.

(EF06HI10) Explicar a formação da Grécia Antiga, com ênfase na formação da pólis e nas transformações políticas, sociais e culturais.

(EF06HI12) Associar o conceito de cidadania a dinâmicas de inclusão e exclusão na Grécia e Roma antigas.

(EF06HI15) Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, produtos e culturas no Mediterrâneo e seu significado.


A Grécia Passo a Passo


Éric Dars e Éric Teyssier

A coleção Passo a Passo da editora ClaroEnigma é uma lindeza! 
O tipo de material que complementa, e muito, o conteúdo apresentado para os alunos em sala de aula, permitindo o aprofundamento de conceitos como a miscigenação cultural, a organização das poleis, Atenas, Esparta e a cultura grega. 


As ilustrações favorecem a compreensão, por parte do aluno, de elementos complexos, como a geografia e a importância das atividades marítimas. 

De forma lúdica, as ilustrações apresentam conceitos importantes para a compreensão da sociedade ocidental, desde aspectos mais comuns até descobertas científicas e grandes pensadores, matemáticos e filósofos, levando os alunos a compreenderem que o legado dos gregos antigos está mais próximo do nosso dia a dia do que imaginamos.

Você Sabia? 

Na Grécia o mar nunca está muito distante, dessa forma, hoje, ao visitarmos o país, comer frutos do mar é, além de delicioso, algo óbvio, porém nem sempre foi assim. 

Na Antiguidade, viver do mar era uma vergonha. As atividades marinhas eram malvistas pelos pensadores gregos. O pescador passava dificuldades para alimentar a família: envelhecia precocemente e podia morrer sem sepultura, algo infame. Platão equiparava a pesca à caça e julgava-a indigna de um homem bem nascido. Além disso, os homens do mar eram criticados por morarem longe de suas raízes e não viverem do trabalho da terra como os "homens honestos". 
Pobres pescadores! Para os filósofos, comer peixe era algo indigno! 

Por fim, dizia-se que com seu ofício eles ousavam comparar-se aos deuses e mereciam, portanto, uma morte miserável. Tal vida, para alguns filósofos, atraia apenas os bêbados, os covardes e os desonestos. 

DARS, Eric. A Grécia Antiga passo a passo. São Paulo: ClaroEnigma, 2015. p. 50


Que tal um teste? 


Página 78


Para ler o primeiro capítulo on line, clique aqui: https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/35047.pdf


Mitologia Grega - uma introdução para crianças - histórias de deuses, deusas, heróis, monstros e outras criaturas míticas 

Heather Alexander 
Panda Books. 


  • Como Hércules, em 12 anos, realizou 12 tarefas aparentemente impossíveis? 
  • E Odisseu, como foi capaz de enganar o ciclope? 
  • Por que Hélio é o único capaz de conduzir o carro de sol? 
As narrativas da mitologia grega estão entre as mais encantadoras histórias de todos os tempos. 


Descubra os deuses mais poderosos, os heróis mais destemidos, os monstros mais apavorantes e as criaturas mais fascinantes desse universo incrível!



sexta-feira, 6 de setembro de 2019

6˚ano - Grécia Antiga - mitologia em sala de aula

Habilidades: 

5˚ano: (EF05HI03) Analisar o papel das culturas e das religiões na composição identitária dos povos antigos.

6˚s anos: (EF06HI10) Explicar a formação da Grécia Antiga, com ênfase na formação da pólis e nas transformações políticas, sociais e culturais.


Os gregos e os mitos: 

Os gregos acreditavam que os deuses faziam parte de seu cotidiano, estavam em toda parte e em tudo. Com seus poderes sobrenaturais, intervinham em suas vidas e na natureza. Nenhum deus era completamente bom ou mau. Os mitos narram a relação entre homens e deuses. 
Tudo o que não conseguiam explicar de maneira racional, como os mistérios da natureza, usavam os mitos. 
Que tal descobrir por que os corvos são pretos? 

Por que os corvos são pretos?

Apolo era um deus grego de muitos adjetivos. Além de ser estonteantemente belo, ele era considerado o deus da luz, o curandeiro, o poeta, o músico, o que nunca mente... Seu nascimento é digno de uma das mais extraordinárias histórias da Grécia Antiga.
Zeus começou a namorar uma divindade chamada Leto. Desse namoro, Leto engravidou e carregava em sua barriga os gêmeos Apolo e Ártemis. Acontece que Hera, esposa cruel e vingativa de Zeus, descobriu mais uma traição do marido e decidiu perseguir Leto.
Com a ajuda de alguns deuses, Leto se escondeu na ilha de Ortígia (hoje Siracusa, na Sicília, Itália), mas seu sofrimento estava apenas começando.


Ela ficou nove dias urrando de dor, pois os gêmeos queriam sair de sua barriga, mas não conseguiam. A causa dessa dificuldade era o aprisionamento, por parte de Hera, da deusa dos partos, Ilítia.
Novamente, alguns deuses conseguiram ajudar Leto: libertaram a deusa do parto, que saiu voando para Ortígia. Chegando lá, fez o parto da amante de Zeus. Primeiro veio Ártemis e depois Apolo.
Leto, a ver os filhos vivos e sabendo que Zeus os protegeria, resolveu se transformar numa loba, para que Hera não a perseguisse mais. (...) Depois de algum tempo, ela conseguiu o sossego tão esperado.
Apolo cresceu e tornou-se célebre. Assim como o pai, apaixonava-se facilmente por mortais e imortais. Uma dessas paixões foi a princesa Coronis, que, achando que tinha o mesmo direito a ter várias paixões, como os deuses, decidiu namorar com o deus Apolo, ao mesmo tempo em que namorava um mortal da Tessália.
Coronis tomava todos os cuidados necessários para ver quando ela estava junto do jovem da Tessália, mas se esqueceu de olhar para o céu, lá do alto, um pássaro de corpo e asas brancas como a neve, avistou um dos encontros furtivos dos dois mortais e, não resistindo, foi voando contar ao deus Apolo:
- Deus da luz, preciso lhe contar algo urgente!
- Qual é o seu nome, pássaro? E o que você quer me contar? - perguntou com desdém o belo deus.
- Sou chamado de corvo. E queria avisa-lo que sua amada Coronis anda se encontrando às escondidas com um jovem mortal da Tessália. Acabei de avista-los na floresta.
Cálice branco com a representação de Apolo, o deus parece coroado com folhas de mirto e sentado em um banco, segura uma lira de sete cordas feita de carapaça de tartaruga. Com a mão direita oferece libação a um corvo, que pode representar a princesa Corinis, século V a.C.  - Museu do Santuário de Delfos - http://www.delphi.diadrasis.net/en-gb/museum/selectedexhibits/thekylixofapollo.aspx

Apolo reagiu de forma violenta ao anúncio do corvo e, soprou um vento escuro em direção ao corpo da ave, que, imediatamente, foi tingido de negro, das patas até a última pena da cabeça.
- Isso é para você aprender a nunca mais me trazer notícias tão terríveis assim.
E desde esse dia todos os corvos do mundo são pretos.

Corvo - o portador das más notícias

Mas a história ainda não acabou. A raiva de Apolo fluía a cada centímetro do seu corpo. Rapidamente, ele desceu até a floresta, viu Coronis com o namorado e, sem pensar, pegou um arco e deferiu uma flechada no coração da mulher. Antes de fechar os olhos para sempre, ela disse:
- Querido Apolo, desculpe-me se o magoei, mas você cometeu um grande erro, estou esperando um filho seu - Coronis deu o último suspiro e morreu.

Afresco da Vila Aldobrandini : Apolo e Coronis
Le Dominiquin (dit), Zampieri Domenico (1581-1641) Le Dominiquin (dit), Zampieri Domenico (1581-1641) (atelier de)
Royaume-Uni, Londres, National Gallery

O deus da luz ficou transtornado com a notícia. O arrependimento era enorme, ele queria trazer de novo Coronis a vida, mas sabia que isso não era possível. Então, decidiu salvar o filho. Ele o retirou do ventre da mãe e levou-o para ser cuidado pelo centauro Quíron.
O menino ganhou o nome de Asclépio e tornou-se o maior médico do mundo. Ele era mais habilidoso no poder da cura que o próprio pai. Sua fama foi tão grande que, no final da vida, ele foi transformado num deus, e todos rezavam para lhe pedir auxílio nas doenças.

BRENMAN, Ilan. As 14 pérolas da mitologia grega. 1 ed. São Paulo: Escarlate, 2014. p. 38 a 41- adaptado.

Você Sabia? 

Os centauros eram criaturas temidas, metade homem, metade cavalo, eram vistos como indomáveis. Tomavam vinho, comiam carne crua, causavam tumultos e destruíam propriedades.
Quíron era uma excessão. Sábio e gentil, vivia no Monte Pelíon. Na mitologia, foi o responsável pela educação dos filhos de muitos reis gregos, por isso, Apolo lhe confiou Asclépio.

Quíron e Aquiles, afresco de Herculano, Itália
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Qu%C3%ADron#/media/Ficheiro:Chiron_instructs_young_Achilles_-_Ancient_Roman_fresco.jpg> Acesso em 06/09/2019

Exercícios: 

1. Explique a afirmação: "Os gregos antigos eram politeístas".
2. Sobre os deuses citados no mito:

a) Quais são eles?

b) Complete a tabela com informações sobre os deuses que você elencou acima. Se necessário, faça uma breve pesquisa. Siga o exemplo:
*Fonte: ALEXANDER, Heather.Mitologia Grega, uma introdução para crianças. Histórias de deuses, deusas, heróis, monstros e outras criaturas míticas. 1˚edição. São Paulo: Panda Books, 2013.

c) Complete:

Quíron, um _______________________ foi encarregado pelo deus _________________ de cuidar de seu filho, Asclépio. Adulto, o filho do deus se tornou o maior _________________ do mundo. 

d) Asclépio, por ser filho de Apolo com a mortal Coronis é um: _________________________.

3. Retire do texto um trecho em que fica evidente os sentimentos humanos dos deuses gregos.

4. Sabemos que os mitos foram criados para explicar o que os homens da Antiguidade não conseguiam. O que o mito lido nos apresenta?

5. Segundo o mito, os corvos eram brancos e possuíam a habilidade de falar com os humanos. Por que essa situação mudou?

6. Observe o mapa:
a) Qual a localização de Ortígia, local em que Leto se escondeu para poder dar a luz a seus filhos? 
b) O que a legenda nos informa sobre esse local? 
c) Mobilize seus conhecimentos sobre a Grécia Antiga. Como explicar a situação apresentada? 

Gabarito: 

1. Os gregos antigos eram politeístas, acreditavam em vários deuses, como Zeus, Apolo, Hera, etc.
2.a) Os deuses citados são: Zeus, Leto, Hera, Itília, Apolo e Artemis.
b)


*Fonte: ALEXANDER, Heather.Mitologia Grega, uma introdução para crianças. Histórias de deuses, deusas, heróis, monstros e outras criaturas míticas. 1˚edição. São Paulo: Panda Books, 2013.

c) Quíron, um centauro foi encarregado pelo deus Apolo de cuidar de seu filho, Asclépio. Adulto, o filho do deus se tornou o maior médico do mundo. 

d) semi-deus. 

3. Muitas são as passagens que podem ser selecionadas, como o ciúme de Hera, a dor de Leto, o amor e a vingança de Apolo. 

4. O mito lido explica porque os corvos são pretos e considerados portadores de más notícias. 

5. As penas do corvo ficaram pretas porque Apolo, ao receber as más notícias que a ave lhe trazia, soprou sobre ele um vento escuro e, para que não levasse más notícias a mais ninguém, lhe tirou a habilidade de falar. 

6. a) Ortígia fica na Sicília, ao sul da Península Itálica.
b) A legenda nos informa que essa região fazia parte dos territórios colonizados pelos gregos.
c) O aluno poderá apresentar:
- O solo da Península Balcânica não produzia todos os alimentos necessários à população, por isso, a partir do século VIII a. C. parte da população passou a ocupar outros territórios.
No sul da Itália formou-se a Magna Grécia, ou seja, Grande Grécia, já que comparada a Atenas, tudo ali era maior e mais fértil. As cidades eram grandes e ricas, com enormes templos. Muitas cidades fundadas pelos gregos nessa região existem até hoje, como Nápoles, Siracusa e Tarento. 

Para Saber Mais: 


Vale a pena Ler: 

BRENMAN, Ilan. As 14 pérolas da mitologia grega. 1 ed. São Paulo: Escarlate, 2014.

Mesmo sem nos darmos conta, a mitologia grega compõe aspectos do nosso cotidiano, são expressões, como cronômetro (titã Crono), afrodisíaco, de Afrodite, pânico, de Pã. 
Conhecer a mitologia grega é conhecer as raízes da cultura ocidental, além de ser uma fascinante aventura! 

Contos nesse livro: 
1. O criador e protetor dos homens (a história de Prometeu);
2.  Aquela que possui todos os dons, 
3.  O dilúvio grego, 
4. Não cante vitória antes do tempo, 
5. Os homens-formigas, 
6. O canto do galo, 
7. Amor eterno, 
8. Por que os corvos são pretos. 
9. O maior construtor da Grécia Antiga, 
10. Amor que gruda, 
11. O mais belo dos belos.

12. O banquete e a maça da discórdia, 
13. O filho desobediente, 
14. O lagarto. 

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Museu Napoleônico em Roma

Antes mesmo da minha viagem à Europa, em 2018, tinha em mente que registraria toda e qualquer menção que encontrasse a Napoleão no meu caminho. 
Em Roma, entre a Piazza Navona e o Trastevere, bem em frente a  Piazza da Ponte Umberto, encontra-se a mansão que se converteu no Museu Napoleônico de Roma. Neste espaço o visitante encontra mobílias características desse momento histórico.



O museu ocupa todo o espaço térreo do Palazzo Primoli

Em especial, gosto muito dos museus que ocupam antigas residências, acredito que torna muito mais real pensar na opulência dessas famílias quando visitamos os espaços que ocupavam, os móveis e objetos de decoração.
Trata-se do acervo da família Primoli, descendentes da família Bonaparte pelo lado italiano, e  doado ao Estado italiano em 1927, por Giuseppe Primoli.

Joseph Chabord, Napoleão a cavalo no campo de Wagram, óleo sobre tela, 1810




A história de Roma, durante o século XIX, possui muitas conexões com Napoleão Bonaparte. Ocupada em 1808, decretada Cidade Imperial livre, em 1809, e destinada a ser governada pelo filho de Napoleão, mesmo antes de seu nascimento.



Napoelão vestido para a consagração
Pintura anônima, posteriormente atribuída a François Gérard, 1805


Após a queda do Império Francês e exílio de Napoleão, muitos membros da família Bonaparte buscaram refúgio na Itália, como sua mãe, irmãos e primos. 

Esse belo edifício foi construído no século XVI, mas foi adquirido pelos Primoli apenas no século XIX, em 1820.  Amplas salas, com tetos decorados, a águia que representa Bonaparte, pinturas, móveis, jóias, esculturas, gravuras e objetos variados que revelam características do cotidiano de uma família rica. O acervo está dividido temporalmente:  período romano (desde a queda de Napoleão até Napoleão III -1848) e Segundo Império Francês (1848-1870), mostrando que a influência francesa se fazia muito presente em Roma. 


Este museu faz parte do Musei in Comune e a entrada é gratuita.


Para Saber Mais: http://www.museonapoleonico.it/



quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Governo de Napoleão Bonaparte


Napoleão Bonaparte cruzando os Alpes
Jacques Louis David (1801-1805)

Em 1799, o Diretório girondino enfrentava a continuidade da crise econômica e o descontentamento da população. Temia-se a volta dos jacobinos, havia ameaças monarquistas. 
Napoleão Bonaparte, recém vitorioso no Egito acabava de voltar à França e era visto por muitos como um homem forte, capaz de conter a enorme crise em que a nação se encontrava, dessa forma, recebeu apoio de muitos membros do Diretório para o golpe de Estado.

General Bonaparte
Jean-Baptiste-Édouard Detaille (1848-1912), cerca de 1900 - óleo sobre tela - Nesta cena, o artista imaginou Napoleão na juventude. 

Esboço para retrato do jovem general Napoleão Bonaparte Jean-Baptiste-Édouard Detaille (1848-1912), cerca de 1900 - óleo sobre tela

No dia 18 de Brumário do Ano VIII, dispensou os membros do Conselho, forçou os demais diretores a pedirem demissão e tomou o poder. Era o fim do Diretório e da Revolução.

Bonaparte e a vitória de Arcole
Antoine-Jean Gros - Musée de Armée, Paris. 
https://en.wikipedia.org/wiki/Bonaparte_at_the_Pont_d%27Arcole#/media/File:1801_Antoine-Jean_Gros_-_Bonaparte_on_the_Bridge_at_Arcole.jpg

A Batalha de Arcole, na Itália, durou três dias. Em 15 de novembro, uma grande reviravolta ocorreu sob o comando do jovem general Bonaparte, que levou as tropas francesas à vitória. Sobre essa batalha, ele escreveria mais tarde: "Nunca uma batalha seria tão fervorosamente combatida quanto Arcole".

Napoleão construiu sua reputação de bom general, estrategista, e líder brilhante. Além disso, discursava para seus soldados e lhes enchia de ânimo e moral de luta.




Os primeiros anos na política


Inicialmente, o consulado dividia o poder em três: Bonaparte, Siyès e Ducos, os chamados cônsules. Na prática, apenas o primeiro cônsul decidia, ou seja, o poder concentrava-se em Bonaparte, que continuou as obras da Revolução no que referia-se a consolidação das conquistas burguesas e por fim à crise política e econômica que assolava a França há mais de uma década. Buscando garantir sua autoridade, em 1800, foi eleito cônsul vitalício.

Para garantir o apoio da população, medidas de cunho econômico foram tomadas, tais como:
- Realização de grandes obras públicas (edifícios, pavimentação de ruas, estradas, portos), gerando empregos e favorecendo os moradores dos centros urbanos;
- Garantiu apoio às atividades burguesas, principalmente ligadas ao comércio e à industrialização.
- Criou o franco, moeda forte francesa.
- Garantiu a antiga divisão das terras pertencentes aos nobres, feita pelos jacobinos em 1793, em pequenas propriedades, favorecendo a população camponesa e eliminando definitivamente os resquícios do feudalismo.

A medida que a economia se restabelecia, a popularidade de Napoleão aumentava.

O Código Civil, 1804, consolidou os direitos relacionados à igualdade jurídica, individuais e econômicas, tais como:


Muitos países adotaram o Código Civil Napoleônico como padrão de legislação moderna.


O Primeiro Império Francês 

Ainda em 1804, após uma tentativa de golpe dos monarquistas, os franceses, por meio de um plebiscito, elegeram Napoleão Bonaparte imperador.
Numa estranha contradição, a Constituição afirmava: "O governo da República é confiado ao imperador Napoleão".



DHÔTEL, Gerard. A Revolução Francesa: Passo a Passo. São Paulo, ClaroEnigma, 2015 p. 71.

Em 2 de dezembro, foi consagrado na catedral de Notre-Dame, em Paris. Ao se auto coroar, demonstrava a independência da França frente à Igreja.


Coroação de Napoleão Bonaparte (Le Sacré de Napoleón) - detalhe- Jacques Louis David
Museu do Louvre, Paris

A partir desse momento, Napoleão Bonaparte passou a controlar os três poderes. 

Documento histórico


Decreto do Império de 18 de maio de 1804 (28 Floreal do ano XII) que estabeleceu o Império na França. Os 142 artigos detalhavam as novas regras e os poderes confiados ao imperador, Napoleão I.

Napoleão no trono imperial


Diversas campanhas militares se iniciaram, buscando ampliar os domínios franceses no continente europeu e, consequentemente, seu império.

A ilustração a seguir representa Napoleão "assando as monarquias europeias". É possível ler nomes de outras nações europeias derrotadas na massa de pão que está sendo amassada.
O grande padeiro francês assa uma nova fornada de reis. Seu ajudante, está misturando a massa.
https://www.britishmuseum.org/research/collection_online/collection_object_details.aspx?objectId=1480110&partId=1 acesso em 22/08/2019


A medida que expandia seus domínios, o Código Civil francês era levado às regiões conquistadas, as ideias iluministas se difundiam pelo continente europeu, o que preocupava as nações absolutistas, principalmente a Áustria e a Prússia, inimigas declaradas da França desde o início da Revolução.

As coligações contra Napoleão 

Os países absolutistas uniram-se à Holanda e a Inglaterra contra a expansão das ideias revolucionárias e buscavam deter o avanço econômico francês pelos demais países do continente, porém não alcançaram os resultados esperados: deter a expansão francesa e restabelecer a monarquia.

Documento histórico




Service historique de la Defense, departament de l'armée de terre.
Carta de Napoleão de congratulações a estes homens depois da vitória em Austerlitz


Napoleon at the Tuileries- by Patrice Courcelle

O estrategista

Ao visitar o Musée de l'Armée em julho de 2018, tive a oportunidade de visitar a incrível exposição: Napoléon Stratège (Napoleão, o estrategista), que funcionou de 06/04 a 22/07 do mesmo ano.


Esta exposição homenageou o gênio militar do general e posterior imperador dos franceses. Mais de 200 objetos do acervo do Museu de Armas e de outros museus de toda Europa formaram o acervo apresentado aos visitantes, como: mapas, uniformes, objetos pessoais, manuscritos, pinturas.

A exposição busca ilustrar como foi sua educação, o contexto da Revolução, as questões em jogo no contexto e as campanhas militares. Analisa as principais batalhas, inclusive a Batalha das Pirâmides, Austerlitz, e Waterloo.

Mostra Napoleão como o centro das ações. Os equipamentos multimídia ofereciam possibilidades de pensar as estratégias como Napoleão o fazia.
Ironicamente, o campo de batalha que lhe tornou grande, foi também o local em que acabou derrotado por seus inimigos. No entanto, mais de duzentos anos depois da derrota final, seu nome continua associado a grandes gênios militares posteriores, que teriam sido por ele influenciados.




Este mapa cheio de alfinetes pertenceu ao filho adotivo de Napoleão, Eugène de Beauharnais. As diferentes formas e cores dos alfinetes indicam o posicionamento de inimigos e aliados. Nas lembranças de um antigo soldado belga, da Guarda Imperial, o coronel Scheltens descreve Napoleão: "Um grande mapa foi aberto no chão, ajoelhado sobre ele, Napoleão posicionava os alfinetes de cores diferentes (cera espanhola).


Embora não tenha registrado suas teorias e métodos de estratégia, após sua morte, um incontável número de historiadores e estudiosos de guerra o fizeram.

Caixa de medicamentos de Charles Louis Cadet de Gassicourt (1769-1821) primeiro farmacêutico de Napoleão.


Gabinete de trabalho de Napoleão Bonaparte.










http://applicationmobile.musee-armee.fr/visite-virtuelle/napoleon-stratege/#/vue_1/

O Bloqueio Continental 

Com o objetivo de enriquecer a burguesia francesa e destruir a economia inglesa, que passava pela Revolução Industrial, em 1806, Napoleão, por meio do Bloqueio Continental, proibiu que os países do continente europeu comercializassem com os ingleses. Os que desobedecessem a sanção seriam punidos e invadidos.

Embora afetada pela Bloqueio, a Inglaterra continuou exportando para as colônias nas Américas e na África, além de contrabandear produtos para a Europa, já que a burguesia francesa não foi capaz de suprir toda a demanda.

Espanha e Portugal foram invadidos, dando início ao processo revolucionário de independência na América, enquanto que, ao romper o Bloqueio, a Rússia seria palco de uma enorme reviravolta na geopolítica do século XIX.

James Gillray - um cartunista contra Napoleão


James Gillray (1756-1815) foi um dos mais importantes cartunistas e caricaturistas políticos britânicos do final do século XVIII e início do XIX. Ele representava Napoleão como baixo, agressivo, tirânico e ridículo, para desmoralizar sua imagem perante o público britânico.
Gillray contribuiu para moldar a opinião pública inglesa contra Napoleão, usando suas charges como propaganda política.

John Bull encontra Boney 

A charge ironiza o bloqueio continental imposto por Napoleão e à rivalidade econômica entre França e Inglaterra no início do século XIX. 
John Bull (representação da Inglaterra) e Boney (diminutivo pejorativo de Napoleão) parecem determinados em “segurar” seus respectivos bloqueios, como em um duelo de resistência.
A charge sugere que o bloqueio de Napoleão não teria sucesso frente ao poder marítimo britânico. John Bull aparece saudável e confiante, enquanto Napoleão é representado de forma arrogante, mas isolado, reforçando a visão inglesa de superioridade econômica e naval. A mensagem é que a Inglaterra resistiria ao bloqueio francês e que o império de Napoleão acabaria prejudicado por suas próprias medidas.


John Bull: Agora, Mestre Bonoy (apelido depreciativo de Napoleão) vamos ver quem resistirá por mais tempo, meu muro ficará no seu caminho. Até breve. Acredito que você ficará muito feliz em trocar sua sopa de carne moída pelo meu rosbife (prato típico inglês).

Boney: Quem poderia imaginar que ele construiria um muro? Eu realmente começo a pensar que era melhor tê-lo deixado em paz. De alguma forma, não consigo temperar minha sopa.

A Campanha da Rússia 


Em 1812, os exércitos franceses, cerca de 675 mil homens, atravessaram as fronteiras da Rússia. O czar Alexandre, incapaz de enfrentar tamanho exército, os atraiu para o interior do território. 

Os camponeses queimaram sua produção, casas, fazendas e celeiros. Sem abrigo ou alimentos, o Grande Exército francês sofreu imensamente com o rigoroso inverno russo. Sem alternativa, Napoleão retirou suas tropas para Oeste.


Ao tomar o caminho de volta, cansados, famintos e doentes, o Grande exército francês foi surpreendido pelos exércitos da Coligação. Os franceses venceram algumas batalhas, porém não resistiram a superioridade numérica.

Em março de 1814, Paris foi tomada pelos exércitos da Coligação. O Tratado de Fontainebleau obrigou Napoleão a abdicar e foi exilado na ilha de Elba, próxima à costa da Itália e decreta a volta da monarquia, com Luís XVIII (irmão de Luís XVI, guilhotinado em 1793), no entanto, os ideais iluministas estavam difundidos, os reis Bourbon não conseguiriam impor as práticas absolutistas e a França enfrentaria muitos anos de instabilidade política.


A ilustração, de autoria alemã, ironiza a trajetória do general Bonaparte.

https://www.thinglink.com/scene/1027033324226347010 acesso em 22/08/2019




A volta para a França e o repouso final



"Oh, brille dans l'historie, (Oh, brilhe na história)
Du funèbre triomphe impérial flambeau (Da tocha imperial, o triunfo)
Que le peuple à jamais te garde en sa mémoire, (Que o povo para sempre o guarde em sua memória)
Jour beau comme la gloire, (Lindo dia como a glória)
Froid comme le tombeau!"(Frio como o túmulo!)

Victor Hugo










Referências

  • CHANTERANNE, David. Napoleão: sua vida, suas batalhas, seu império. Rio de Janeiro: Agir, 2012.
  • DHÔTEL, Gerard. A Revolução Francesa: Passo a Passo. São Paulo, ClaroEnigma, 2015.
  • Fotos: acervo da autora.

Para Saber Mais: Site da Exposição Napoleão, o Estrategista: 

Outras curiosidades: