Aqui só tem História

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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Memorial da América Latina - uma América múltipla, gigantesca!


A Mão de Niemeyer 

"Suor, sangue e pobreza marcaram a história desta América Latina tão desarticulada e oprimida. Agora urge reajusta-la num monobloco intocável, capaz de fazê-la independente e feliz". 
Oscar Niemeyer - arquiteto




Sala dos Atos

Milhares de línguas, cidades imensas, tribos, aldeias... 
Chegada dos europeus: 3 séculos de domínio colonial - após a Conquista, experiência traumática, nasce uma sociedade mestiça, mas com valores comuns. Ocorre a ocidentalização dos costumes para legitimar a nação. 


Essa espetacular sala abriga, além do Painel Tiradentes de Portinari, seis painéis em alto relevo de concreto, medindo 4 x 15 metros cada, de autoria dos artistas Caribés e Poty.


 
A formação mestiça do povo americano



















Pavilhão Cultural  - A construção do povo brasileiro (espaço fechado para restauro)


Palavras de origem indígena que fazem parte do nosso vocabulário hoje



O barro e o metal - diferentes estágios e mecanismos de exploração

A Era do Metal: 


A chegada do europeu, a busca por metais preciosos e a escravização dos povos originários

Rituais de antropofagia, que tanto chocou o europeu

O século XX - uma nova era 
A Construção de Brasília no Planalto Central brasileiro - a era do concreto armado nas linhas de Oscar Niemayer e no projeto de Lúcio Costa. 


Candangos, os verdadeiros heróis da década de 1950, heróis trabalhadores. 

Pavilhão da Criatividade - A incrível e colorida América Latina







Bolívia


Equador
Guartemala



Peru
Brasil


Expressões artísticas - o cotidiano transformado em Arte


Candelabro - Dia dos Mortos
A celebração constitui na sua origem, a união dos elementos das culturas pré-colombianas e dos conquistadores espanhóis. Homenageia os antepassados, e celebra a vida. A morte é vista como término do ciclo vida e início de um novo 
Material: Barro Cozido
Autor: Afonso Castillo
Origem: Puebla, México

                                  
Detalhe

Igreja Rosada 
Material: Barro cru, policromado sobre estuque. 
Autor anônimo
Origem: Estado do México, México. 




Prato: Barro Cozido
Autor: Anônimo
Origem: Tobati, Paraguai




Sereia de barro cozido pintado e vidrado
Autor: Emílio Basílio Hernandéz
Origem: Ocumicho, México


Casa de Cinco Andares com figuras esculturais e decoração em vários tons de engole (camada de barro colorido aplicado na superfície da peça). 
Material: Barro Cozido
Autor: Anônimo
Origem: Ayacucho, Peru




Banda de músicos uniformizados
Podem ser utilizados como recipientes para líquidos 
Material: Cerâmica com vários tons sobre o fundo brunis
Autor: Anônimo
Origem: Ayacucho, Peru



Bonecas de Papel Machê
Material: Papel Aglutinado e Pintado
Origem: Guanajuato, México


Wawas
Material: Bonecas de madeira coloridas ao estilo de retábulos com cabeças de pasta de batata e gesso pintadas 
Autor: Anônimo
Origem: Ayacucho, Peru

Par de Bonecos Chonguinos 
Vestidos de maneira tradicional da dança chonguinada
Material: Tecidos diversos
Autor: Anônimo
Origem: Huancayo, Peru

Retábulos




Altares ambulantes de madeira
Material: As figuras são modeladas a mão, com massas diferentes, mas a base é sempre pasta de batata. Quando as figuras secam, são pintadas e envernizadas para assim serem colocadas no retábulo para formarem as cenas. Os temas surgem da própria realidade campesina e urbana. 
Autor: Anônimo
Origem: Ayacucho, Peru






Cerâmica Fantástica
Material: Barro cozido e pintado
Autor: Anônimo
Origem: Ocumicho, México




Presépio
Material: Barro Policromado
Autor: Anônimo
Origem: Ocumicho, México

A Religiosidade


Candelabro Diabo simbolizando a fertilidade
Origem: México

Candelabro Árvore da Vida
Origem: México

Detalhe

A Árvore da Vida é um canto à vida. O mundo está embaixo, povoando a árvore com um número sem fim de anjos, terminando no Deus Padre com Seu Filho e o Espírito Santo, com sua pombinha. Ela representa, também, tudo o que o povo precisa, a Natureza, pródiga que nos oferece seus frutos - nopales, no caso do México. 
Nela se vê clara influência pré-hispânica na figura do Sol que representa Quetzacoatl, a serpente emplumada, deus da vida. Sem  o Sol não haveria vida porque vida é luz. Estas árvores são feitas numa região em que crescem cactos de todos os tipos e de todas as formas e seguem, espontaneamente, uma multiplicidade de formas. É esta ligação entre o meio ambiente e os povos com suas culturas o que dá a vitalidade presente em tudo que se faz em nosso continente. 
Teresa Pomar

BISILLIAT, Maureen. Pavilhão da Criatividade: Memorial da América Latina: Brasil. São Paulo: Empresa das Artes, 1999

Presépio
Origem: Brasil

Santa Rosa de Lima
Origem: Peru

Seguro Espiritual
Origem: México


A Maquete da América Latina.

Visão geral da maquete

Cordilheira dos Andes - detalhe, entrada da Bacia Platina





Povos Andinos e Lago Titicaca

Golfo do México



Litoral Brasileiro

Brasília e o Planalto Central






Acervo Antigo - Hoje em restauro  - fotos abril de 2017



Caveira Catrina
Material: Papel Machê pintado
Figura da morte e sátira social, seu boá de plumas representa, paradoxalmente, a serpente Quetzalcoatl, uma divindade da vida. 
Autor: Felipe Linares
Altura: 1.30 m
Origem: Cidade do México


A importância do Milho
Na maior parte do continente, o milho é um dos alimentos básicos dos indígenas desde épocas anteriores à conquista. 

Máscaras e criaturas estranhas


                                               

                                      


                                               

                                       

Arte Brasileira


Maracatu e Bumba meu boi
Material: Barro Cozido
Autoria: Manuel Eudócio 
Origem: Alto do Moura/Pernambuco




Memorial Tupinambá

@memorialdaamericalatina
@jefferzion
#memorialtupinambá

Magnífica exposição do artista Jeffer Zion, são paisagens, cenas de caça, animais da floresta e da Mata Atlântica. 
As representações dos indígenas são estilizadas, lendárias, quase seres fantásticos! 
Um colorido a mais para o Memorial, sem dúvidas! 


Negróide Tupinambá
Óleo, Betume
Folha de ouro sobre madeira, 2018

Caucasoide Yanomami
Óleo, Betume
Folha de ouro sobre madeira, 2018









Apoena 
Carvão e esmalte sobre lona
2018

Grafismos, simbolismos, sincretismos... 

A Caça
Carvão, esmalte e folha de ouro sobre lona, 2017
Coleção Particular


Raoni
Carvão, esmalte e folha de ouro sobre lona, 2017
Eva
Carvão, folha de ouro, acrílico sobre tela 
2018



Serafim 
Carvão, esmalte folha de ouro sobre lona
2017

Para Saber mais: 

Site do Memorial da América Latina: http://www.memorial.org.br/

Darcy Ribeiro - A América Latina existe? 

terça-feira, 1 de maio de 2018

O Jogo como ferramenta de Aprendizagem

Jogo Cara a Cara e a Independência do Brasil




Nós professores estamos sempre em busca de novas estratégias para tonar melhor nossas aulas e garantir o aprendizado de nossos alunos, então, por que não tornar mais divertido o aprendizado sobre a independência do Brasil? 
As temáticas relativas à História do Brasil acabam sendo de difícil aprendizagem para os alunos, sobretudo os mais jovens. Nomes, datas e acontecimentos passam a ter mais relevância do que o que realmente importa, ou seja, a compreensão do processo histórico. 
Pensando nisso e tendo de enfrentar todos os anos as carinhas sem interesse de meus alunos, pensei em uma estratégia para reverter a situação e tornar o tema mais atrativo:

Por que não um jogo? 

Mas como pensar em um jogo de maneira a entretê-los e ainda criar mecanismos de aprendizagem? 
Foi necessário pensar em vários fatores antes de organizar o material, como por exemplo: qual jogo utilizar? 
Criar jogos com base em jogos já existentes é muito mais fácil, além de facilitar a compreensão das regras por parte dos alunos. Dessa forma pensei em todos os personagens, inevitavelmente datas e até representações que pudessem ser utilizadas. 
O jogo escolhido foi o Cara a Cara, justamente pela facilidade em reconhecer personagens. 



O passo seguinte era trabalhar o repertório: como tornar o jogo muito mais do que a simples adivinhação de quem é? Como é? É homem? É mulher? 




Elaborei as cartinhas que seriam as Caras utilizando, claro, critérios históricos sobre a temática. Não poderiam faltar personagens como D. Pedro e D. João VI, bem como Leopoldina, mas o jogo foi enriquecido com outros personagens que nem sempre são lembrados, como Maria Quitéria, Frei Caneca e Debret. 
Representações artísticas como as Cortes de Lisboa, a Coroação de D. Pedro, de autoria de Debret, e o grito do Ipiranga também aparecem, favorecendo o desenrolar do jogo. 




Além do tabuleiro e das Caras,  cada dupla recebeu a cartela acima, que trazia as descrições de quem eram esses personagens. A leitura do material favoreceu a ampliação do repertório. 








Esse jogo compôs uma das estações de uma aula ativa sobre o Processo de Independência do Brasil com grupos de alunos de 8˚s anos.
A aula ativa em estações favorece a aplicação desse tipo de atividade, pois proporciona autonomia para que os grupos de alunos organizem e ampliem seu conhecimento. 

Esse material também pode se adequar a alunos de 5˚ano, caso haja organização da linguagem e seleção de personagens. 



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O Castelo de Almourol

Antes de começar com o texto, escolho começar pela imagem... 


Almourol povoou meus devaneios de historiadora desde quando era uma estudante de graduação. 
Castelos fazem parte do nosso imaginário desde sempre, e era esse que fazia parte do meu, por isso, ao decidirmos por Lisboa como destino, Almourol tornava-se parte obrigatória do roteiro. 

O Castelo


O castelo medieval foi construído sobre antigas edificações romanas, que excelentes construtores e estrategistas, aproveitaram-se da excelente localização do ilhéu. O Tejo, desde sempre, representava a mais importante rota de ligação entre Lisboa e o interior do território, daí a importância da manutenção das defesas, garantindo as posses cristãs na região.  
Almourol é uma das mais importantes construções militares de Portugal. Erguido pelos Cavaleiros Templários, a mando de seu Grão-Mestre Gualdim Pais, no auge da luta com os islâmicos, no século XII (1171) e representava a defesa da região contra as ameaças que pudessem vir do rio acima, ou do Além Tejo. 
Os torreões, dez no total, mantém a forma original, tendo apenas as ameias sido reparadas no século XIX.  Acredita-se que tenha sido habitado até meados de 1600. 



Mapa - Rota Templária em Portugal



A-13 saindo de Lisboa, sentido Coimbra- saída IC 3 - Vila Nova da Barquinha
Aproximadamente 1 hora de viagem - com pedágios 



Vila Nova da Barquinha

Vila Nova da Barquinha - a cidade já foi um importante porto comercial, responsável pelo escoamento dos produtos vindos do interior, no entanto, com a chegada das ferrovias, viu sua importância diminuir. Hoje o porto oferece recursos recreativos, principalmente ligado ao acesso ao castelo. 

                                     
Cais d'el Rey

                                             
Ao longe, no meio do ilhéu, o Castelo de Almourol


                                   




                                

Alambor 


Rampas no interior das muralhas para reforça-las, aumentando-lhes a espessura, mantendo máquinas de assalto e ricochetes de projéteis à distância. 
Essa técnica de arquitetura militar foi introduzida em Portugal pelos cavaleiros templários.      

                                 



                                           


Entrada no Castelo 


Como não pegamos a "barquinha" e atravessamos a pé, não compramos o ingresso previamente. O valor é de 2.5 euros por pessoa. 

                                
Sobre a porta principal encontra-se essa placa com informações referentes à construção do castelo (1171)
                                         

                                          
Inscrições em latim atestam a presença dos romanos nesse local de fortaleza natural. 

Grão Mestre Gualdim


Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Era de 1209 (1209 da era de César, 1171 na era de Cristo). O mestre Gualdim, nobre, sem dúvida, por ascendência, natural de Braga, viveu no tempo de Afonso, ilustríssimo rei de Portugal, filho do conde D. Henrique e da rainha Teresa. Abandonando a milícia secular em breve brilhou com a estrela d 'alva. Com efeito demandou Jerusalém como soldado da Ordem do Templo e aí, durante cinco anos não passou vida ociosa, porquanto com seu mestre e confrades combateu em muitos recontros contra o rei do Egito e da Síria. Depois da conquista de Ascalona, dirigindo-se daí rapidamente a Antioquia, pelejou contra as forças do sultão  (o Grão Turco). Porém, depois de cinco anos, voltou para junto do rei que o havia educado e o tinha feito cavaleiro. Eleito procurador da ordem do Templo, em Portugal, construiu os seguintes castelos: Pombal, Tomar, Zêzre, Cardiga e Almourol. 

                                           
                      

Zona Habitacional 



                              


                               

Almourol era composto por um farol, um contingente militar e uma povoação permanente. 
Vestígios demonstram que essa área habitacional ficava próxima ao porto. Além disso, nesse espaço existia uma capela, consagrada a Santa Maria de Almourol, que hoje não existem mais nenhum vestígio. 
Apesar disso, arqueólogos e historiadores desconhecem como ocorria o abastecimento de água na fortaleza, não há cisternas, apenas um poço. 
                                    

                                     

Torre de Menagem 

                                          

A torre de menagem em Almourol tem cerca de 20 metros de altura, três pisos e um terraço. 
Toda a construção apresenta  duplo parapeito, cujos muros são coroados por ameias, o que permitia a defesa simultânea do exterior e do interior da fortaleza, favorecendo o tiro flanqueado. 

                                    

                           



Lendas


Assim como todos os locais que um dia abrigaram a Ordem do Templo, Almourol também encontra-se envolto em lendas, mistérios e histórias de tesouros escondidos. 
A complexa rede de túneis  (o maior com 12 km de extensão, ligando-a a Vila Velha da Atalaia) que ligava a fortaleza a outros castelos da região faziam com que o povo que ali vivia criassem contos e lendas. 


O Gigante Almourol 
Senhor e guardião do castelo, nele acolheu as princesas Polinarda e Miraguarda, as quais o famoso cavaleiro Palmerim da Inglaterra tentou em vão raptar, tendo ficado muito maltratado no duelo com o gigante. Outro gigante, Dramusiando, enciumado, viria combatê-lo, vencendo-o e conservando as princesas sob a sua tutela.
                                                   
As princesas e Palmerim da Inglaterra 

Lenda de D. Ramiro 
Nobre godo que recolheu no castelo um jovem mouro, o qual para se vingar do assassinato da mãe e da irmã por cristãos, envenenou a esposa e seduziu D. Beatriz, filha do cavaleiro. A tradição popular assegura que o jovem mouro e a donzela aparecem toda noite de São João, na torre mais alta do castelo, renovando a maldição que só terá fim no dia do juízo final. 

                                 
                               
                                  

                                   

                                   
Ruínas do Convento de Loreto, margem direita do Tejo, em frente a Almourol

Souvenir


No local da antiga capela, loja de lembranças.